Humberto Tobé, Fátima Christine
Obra passou da metade em agosto de 2026 e vai substituir uma unidade com mais de 40 anos; projeto segue o caminho traçado pelas diretrizes nacionais de cuidado materno do SUS
Há mais de quatro décadas, as mães de Barueri dão à luz em um andar de um prédio compartilhado com o pronto-socorro adulto, no Centro da cidade. Esse cenário está com os dias contados. Em agosto de 2026, a nova Maternidade Municipal, em construção na Vila Porto, chegou a 53% da obra concluída, com entrega prevista para agosto de 2027.
O salto de estrutura é grande. A nova unidade terá área sete vezes maior que a atual, distribuída em quatro pavimentos. Serão 16 quartos com dois leitos cada, 14 boxes de cuidados intensivos para recém-nascidos, dois berçários, leito de terapia intensiva e quartos de isolamento para adultos. Para o parto, haverá quatro salas de pré-parto, cinco salas de parto cirúrgico e quatro salas de parto humanizado.
As salas de parto humanizado são um sinal de como o cuidado materno mudou no país. Nelas, a mulher pode viver o trabalho de parto com mais liberdade, com acompanhante, sem intervenções desnecessárias e com respeito às suas escolhas. Esse modelo está no centro das políticas nacionais para gestantes, que no SUS hoje são organizadas pela Rede Alyne, estratégia do Ministério da Saúde lançada em 2024 em substituição à Rede Cegonha.
A Rede Alyne tem uma meta clara: reduzir a mortalidade materna em 25% até 2027, e em 50% entre as mulheres pretas, grupo em que o risco de morte é quase o dobro da média nacional. Para isso, a estratégia aumentou de R$ 55 para R$ 144 o valor por gestante destinado aos exames de pré-natal, incluiu novos testes rápidos e prevê investimentos em maternidades e Centros de Parto Normal pelo Novo PAC Saúde. A lógica é garantir que a mulher seja acompanhada desde a primeira consulta até o pós-parto, com o local do parto definido com antecedência.
O cuidado com o bebê também pesa no projeto. Os 14 boxes de cuidados intensivos neonatais permitirão atender, perto de casa, recém-nascidos prematuros ou com complicações. Em regiões metropolitanas, a falta de vagas desse tipo costuma obrigar transferências para outras cidades em momentos críticos, quando cada minuto conta.
A nova maternidade terá ainda consultórios, fisioterapia, fonoaudiologia, farmácia, serviço social e posto de coleta de exames. Esse conjunto ajuda a acompanhar a mãe e o bebê nos primeiros dias, quando surgem as dúvidas sobre amamentação e os primeiros sinais de alerta.
Na região de Osasco, onde vivem mais de 2 milhões de pessoas, investir em estrutura para o parto é investir no começo da vida de milhares de crianças por ano. A experiência mostra que mortes maternas e neonatais são, em grande parte, evitáveis quando há pré-natal de qualidade, parto em local adequado e equipe preparada para emergências. É esse caminho, desenhado pelo SUS em nível nacional e colocado em prática pelos municípios, que Barueri reforça com a nova unidade.