Humberto Tobé, Fátima Christine
Maternidade inaugurada em 2024 atende cinco municípios, e investimentos federais do Novo PAC Saúde reforçam a rede de atenção básica e especializada da cidade
Por mais de 20 anos, gestantes de Franco da Rocha precisavam sair da cidade para ter seus filhos. Na hora do parto, o destino podia ser Caieiras, Jundiaí ou São Paulo. Para uma mulher em trabalho de parto, cada quilômetro a mais na estrada é tempo, desconforto e risco. Essa realidade mudou em julho de 2024, com a inauguração da maternidade regional da cidade, que passou a atender moradoras de Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras, Mairiporã e Cajamar.
A unidade foi planejada para responder a uma demanda antiga dessa parte da região metropolitana. Conta com três salas cirúrgicas, salas de pré-parto e leitos de parto normal, além de estrutura para os cuidados com o recém-nascido. Para as famílias, a diferença é concreta: a mulher pode fazer o pré-natal, ter o bebê e receber os primeiros cuidados pós-parto sem deixar a sua região.
A maternidade é uma peça de um conjunto maior. Em junho de 2024, o Ministério da Saúde anunciou R$ 32,4 milhões do Novo PAC Saúde para Franco da Rocha: R$ 30 milhões para a construção de uma policlínica e R$ 2,4 milhões para uma nova Unidade Básica de Saúde. A policlínica concentra consultas e exames especializados, que costumam ser o principal gargalo do SUS. A UBS amplia a porta de entrada, onde começam o pré-natal, o preventivo e o pedido de mamografia.
Juntas, essas estruturas formam o caminho completo de cuidado da mulher. Na unidade básica, a gestante faz as consultas e os exames. Na policlínica, consegue a avaliação especializada quando a gravidez exige mais atenção. Na maternidade, tem o parto em segurança, perto da família.
Esse desenho é o que propõe a Rede Alyne, estratégia do Ministério da Saúde lançada em 2024 para reduzir a mortalidade materna em 25% até 2027. Entre as medidas estão o aumento de R$ 55 para R$ 144 do valor repassado por gestante para exames de pré-natal, novos testes rápidos e investimentos em maternidades e Centros de Parto Normal pelo Novo PAC Saúde, com prioridade para as regiões com maiores índices de mortes maternas.
Os números mostram por que o tema é urgente no estado. Em São Paulo, os óbitos maternos passaram de 263 em 2014 para 457 em 2021, alta de 73% puxada em grande parte pela pandemia de covid-19. Desde então, o esforço tem sido reconstruir e fortalecer a rede de cuidado à gestante, para que nenhuma mulher morra por causas que poderiam ser evitadas.
Na macrorregião da Mantiqueira, que reúne cidades de perfis muito diferentes, de polos industriais a pequenos municípios da serra, Franco da Rocha mostra o valor de trazer o serviço para perto de quem precisa. Sem maternidade e sem reforço na rede especializada, a gestante continuaria pegando a estrada no momento mais delicado da gravidez. Com a soma de esforços entre as esferas de governo, o parto voltou a ser um acontecimento da própria cidade.