Stablecoins em dólar somam US$ 300 bilhões; as pareadas ao real não chegam a R$ 1 bilhão.
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USDT e USDC concentram mais de 85% do mercado global.
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PL 4.308/2024 quer limitar a negociação de stablecoins estrangeiras a prestadoras autorizadas pelo BC.
Enquanto as moedas digitais atreladas ao dólar somam cerca de US$ 300 bilhões, as dez stablecoins pareadas ao real não chegam a R$ 1 bilhão.
O mercado global de stablecoins atreladas ao dólar soma cerca de US$ 300 bilhões, segundo levantamento da BitGo, empresa americana de custódia de ativos digitais. Já as dez stablecoins ativas pareadas ao real totalizam R$ 720,6 milhões em circulação, de acordo com o relatório “10+ BRL Stablecoins”, da Fintrender. Convertido para a moeda americana, o volume de reais tokenizados é mais de 2 mil vezes menor que o de stablecoins em dólar, que concentram mais de 99% do mercado global desses ativos.
A diferença tem explicação, segundo a equipe de análise da Crypto Finance: no Brasil, a maior parte da demanda está voltada à exposição ao dólar, e não a um real tokenizado.
Duas empresas concentram mais de 85% do mercado
A Tether lidera o setor com a USDT, que soma US$ 183,2 bilhões em circulação e detém 60,93% de participação de mercado, segundo o StablecoinBeat. Em segundo lugar está a USDC, emitida pela Circle, com US$ 73,6 bilhões. Juntas, as duas stablecoins respondem por mais de 85% do mercado global.
Entre os emissores de menor porte está a USD1, stablecoin da World Liberty Financial, que soma US$ 4 bilhões. A BitGo fornece a infraestrutura utilizada pelo token.
Real tokenizado ainda é nicho
No Brasil, o maior projeto ativo de tokenização do real é a BRLA, da Avenia, com cerca de R$ 163 milhões em capitalização de mercado, o equivalente a aproximadamente US$ 25 milhões.
No total, as dez stablecoins ativas pareadas ao real somam R$ 720,6 milhões, segundo o relatório da Fintrender. O cálculo utiliza a conversão do Banco Central registrada em 11 de junho de 2026.
PL das stablecoins mira emissores estrangeiros
A concentração em stablecoins estrangeiras está no centro do PL 4.308/2024, que busca criar um marco legal para esses ativos no Brasil. Aprovado na Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados, o texto prevê que stablecoins emitidas no exterior só possam ser negociadas por meio de prestadoras autorizadas pelo Banco Central, que passam a responder pela avaliação de risco do emissor. O projeto ainda precisa passar pelas comissões de Desenvolvimento Econômico, Finanças e Tributação e Constituição e Justiça antes de chegar ao Plenário.
“As stablecoins representaram aproximadamente 80% do volume de criptoativos declarados no Brasil em 2025, segundo a Receita Federal. Esse crescimento mostra que as stablecoins já possuem casos de uso concretos no mercado brasileiro, que vão desde transferências de valor até pagamentos e transações internacionais. Esses números também reforçam a importância de avançar com uma regulamentação que ofereça maior segurança ao mercado e, ao mesmo tempo, preserve espaço para novos usos e aplicações das stablecoins”, afirma Fabio Plein, diretor regional da Coinbase para as Américas.
Para o executivo, “o desafio não é desacelerar a inovação, mas criar as condições para que ela avance de forma segura e sustentável”.
A preocupação com os mecanismos de controle e a prevenção à lavagem de dinheiro também está presente no debate legislativo. Relator da proposta na Comissão de Desenvolvimento Econômico, o deputado Jadyel Alencar alertou que a ausência de regras claras e de fiscalização, somada à natureza global dos ativos digitais, pode facilitar a evasão de divisas e a lavagem de dinheiro. Já o Banco Central defendeu, em audiência pública realizada na Câmara em julho, que parte desses ativos seja tratada como instrumento monetário, e não apenas como ativo virtual.
Custo das remessas puxa o dólar digital
Para a equipe de análise da Crypto Finance, os custos do sistema bancário tradicional ajudam a explicar a adoção das stablecoins pareadas ao dólar.
“As estruturas bancárias tradicionais ainda podem ser bastante caras, já que transações internacionais custam uma boa porcentagem do valor transferido devido à quantidade de intermediários envolvidos. Essa estrutura de custos tem impulsionado o uso de stablecoins, como USDC e USDT, em diversas regiões do mundo, incluindo o Brasil, onde os custos de remessas internacionais são naturalmente mais altos do que nos Estados Unidos ou na Europa”, afirma a equipe.
Segundo os analistas, a diferença entre os dois mercados reflete as necessidades atuais dos investidores brasileiros.
“Mesmo assim, é natural que exista uma diferença tão grande entre o mercado de stablecoins atreladas ao real no Brasil, que ainda soma menos de R$ 1 bilhão, e o mercado global de stablecoins atreladas ao dólar, que já ultrapassa US$ 300 bilhões: hoje, a maior parte da demanda no país é por exposição ao dólar, e não por um real tokenizado. USDT e USDC juntas respondem por mais de 85% do mercado global, e essa concentração ajuda a explicar por que a confiança institucional e a segurança jurídica seguem sendo fatores decisivos à medida que esse mercado amadurece.”
Com informações originais do BeInCrypto.