Poucas
expressões relacionadas ao jogo do bicho se tornaram tão populares quanto “deu
no poste”. A frase faz parte do vocabulário de gerações de brasileiros e,
especialmente no Rio de Janeiro, passou a ser utilizada como uma maneira
informal de perguntar ou informar que determinado resultado já foi divulgado.
A origem da
expressão está ligada justamente à maneira como os resultados do jogo do bicho
eram apresentados ao público em uma época em que não existiam internet,
celulares ou meios digitais de comunicação. Os resultados eram colocados em
locais públicos, incluindo postes, permitindo que os interessados pudessem
consultar os números e descobrir os animais correspondentes.
Com o passar
das décadas, o costume mudou, mas a expressão permaneceu. Atualmente, quando
alguém pergunta “deu no poste?”, geralmente quer saber se o resultado de
determinada apuração do jogo do bicho já foi divulgado. A frase deixou de
representar literalmente um papel afixado em um poste e passou a funcionar como
sinônimo de resultado publicado.
A
origem do Jogo do Bicho no Rio de Janeiro
A história do
jogo do bicho começa no Rio de Janeiro em 1892. A criação é atribuída ao empresário
João Batista Viana Drummond, o Barão de Drummond, responsável pelo Jardim
Zoológico de Vila Isabel. O empreendimento enfrentava dificuldades financeiras
e precisava de atrações capazes de aumentar o movimento de visitantes.
A primeira
extração ocorreu em 3 de julho de 1892. Ao comprar o ingresso para o zoológico,
o visitante recebia um bilhete associado a um dos 25 animais escolhidos para o
sorteio. Ao final do dia, um dos animais era revelado e os portadores dos
bilhetes correspondentes recebiam o prêmio.
O sistema fez
sucesso rapidamente. A atração passou a chamar a atenção dos cariocas e o
sorteio acabou ultrapassando os limites do zoológico. Os bilhetes começaram a
ser comercializados em outros pontos da cidade, contribuindo para a expansão do
jogo e para a criação de uma tradição que atravessaria gerações.
Do
zoológico para as ruas do Rio
A popularidade
do jogo fez com que ele se transformasse progressivamente. O que havia começado
como uma atração para visitantes de um zoológico tornou-se uma prática
disseminada pelas ruas do Rio de Janeiro.
A relação com
os postes também aparece nos registros históricos da própria criação do jogo.
Na primeira versão do sorteio, a imagem do animal escolhido ficava escondida em
uma caixa instalada em um poste próximo à entrada do zoológico e era revelada
posteriormente ao público.
Com o passar
do tempo, os resultados passaram a ser divulgados em diferentes pontos da
cidade. A tradição de colocar informações dos resultados em locais visíveis
ajudou a consolidar a expressão “deu no poste”, que acabou se tornando uma das
gírias mais conhecidas relacionadas ao jogo.
Por
que “Deu no Poste” significa resultado?
A explicação
mais conhecida para a expressão está diretamente relacionada à divulgação
pública dos resultados. Antes dos meios digitais, uma das formas de tornar os
números conhecidos era afixar as informações em locais de grande circulação.
Assim, dizer
que “deu no poste” significava que o resultado já havia sido colocado à
disposição do público. A expressão sobreviveu mesmo depois que os métodos de
divulgação mudaram.
Hoje, sites e
outras plataformas digitais apresentam os resultados das extrações, mas a
linguagem tradicional continua sendo utilizada. Por isso, “Deu no Poste” deixou de ser apenas uma descrição de uma
prática antiga e passou a funcionar como uma expressão popular associada aos
resultados do jogo do bicho.
Como
funciona o resultado do Jogo do Bicho no Rio de Janeiro
No formato
tradicionalmente associado às apurações do jogo do bicho no Rio de Janeiro, os
resultados são apresentados por meio de milhares e animais. A tabela
tradicional possui 25 grupos de animais, e cada grupo está relacionado a quatro
dezenas.
Na prática,
uma milhar sorteada pode ser associada a um determinado grupo e,
consequentemente, ao bicho correspondente. Por exemplo, os quatro últimos
algarismos do resultado são utilizados para identificar o grupo do animal.
Nas apurações
do Rio de Janeiro, são tradicionalmente apresentados cinco prêmios em cada
resultado, sendo que cada prêmio corresponde a uma milhar e está
relacionado a um dos animais da tabela. Dessa maneira, o resultado é
apresentado combinando a numeração sorteada com o respectivo bicho.
É importante
destacar que o jogo do bicho permanece proibido no Brasil e é enquadrado como
contravenção penal. A legislação brasileira trata a exploração da atividade
como ilícita, embora o jogo continue sendo um fenômeno cultural e histórico de
grande presença no imaginário popular brasileiro.
Horários
das apurações no Rio de Janeiro
A tradição
carioca também criou uma rotina bastante conhecida de horários para as
apurações. Entre os horários tradicionalmente associados ao jogo do bicho no
Rio de Janeiro estão 9h20, 11h20, 14h20, 16h20 e 18h20.
Existe ainda a
apuração noturna das 21h30, conhecida popularmente como Corujinha do
Jogo do Bicho. O nome faz referência justamente ao fato de ser uma extração
realizada à noite, encerrando a sequência diária de resultados.
Esses horários
fazem parte da linguagem tradicional do jogo no Rio e são frequentemente
utilizados por quem acompanha os resultados para identificar cada apuração.
A
relação com a Loteria Federal
Além das
apurações próprias do jogo do bicho, existe uma relação histórica com os
números da Loteria Federal, cujos resultados são utilizados como referência em
modalidades tradicionais de apuração.
No calendário
informado para acompanhamento no Rio de Janeiro, os sorteios da Loteria Federal ocorrem às quartas-feiras, às 20 horas,
e aos domingos, às 11 horas.
Essa ligação
ajudou a consolidar a utilização de resultados numéricos oficiais como
referência para diferentes formas de apuração, especialmente em períodos nos
quais não havia sistemas eletrônicos próprios de divulgação.
Uma
expressão que atravessou gerações
Mais de um
século depois da criação do jogo do bicho, “deu no poste” continua sendo uma
expressão facilmente reconhecida por quem conhece a cultura popular brasileira.
O termo nasceu em um contexto no qual a informação precisava circular pelas
ruas e os postes podiam funcionar como pontos improvisados de divulgação.
Hoje,
evidentemente, o resultado pode ser consultado por meios digitais em poucos segundos.
Ainda assim, a expressão permaneceu viva. “Deu no poste” tornou-se, portanto,
um exemplo de como o vocabulário criado em torno de uma prática popular pode
sobreviver às mudanças tecnológicas e continuar fazendo parte da linguagem
cotidiana.
A história do
jogo do bicho, desde o sorteio criado pelo Barão de Drummond em 1892 até sua
presença na cultura carioca, ajuda a explicar por que termos como “bicho”,
“milhar”, “resultado” e, principalmente, “deu no poste” continuam tão
associados ao imaginário do Rio de Janeiro.