“Ao Mestre Nicanor” chega às plataformas e dá sequência ao lançamento do primeiro álbum autoral do
veterano músico após mais de oito décadas de vida
Parceiro de ícones da música brasileira, o compositor e músico Zé Carlos Medeiros
homenageia um dos violonistas mais longevos do mundo em seu novo single. O
choro “Ao Mestre Nicanor” celebra o legado de Nicanor Teixeira, que, do alto
dos seus 98 anos, segue compartilhando seu talento e ensinamentos. Para
conferir o lançamento, acesse https://emubands.ffm.to/aomestrenicanor
Nascido em Barra dos Mendes, no interior da Bahia, em 1º de junho de 1928, Nicanor é um
dos mais respeitados nomes do violão brasileiro e sua obra tem sido cada vez
mais visitada por estudantes e músicos profissionais. Começou a se apresentar
com apenas 13 anos e fez sua primeira composição com apenas 15, “Choro na
Cidade da Barra”. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1948, onde se alistou no
exército e conviveu no quartel com um terceiro sargento ilustre: o sambista
Nelson Sargento. Na efervescente Cidade Maravilhosa do início dos anos de 1950,
começa integrar intensamente a comunidade de artistas locais. Tornou-se pupilo
de Dilermando Reis e Antonio Rebello, amigo Jodacil Damaceno, foi calouro do
programa de Ary Barroso e ouviu pela primeira vez os discos de Andrés Segovia. Em
meados da década, largou o emprego que conciliava no comércio para se dedicar
integralmente à música, lecionando no Conservatório Musical Rio de Janeiro,
depois no Instituto Brasileiro de Cultura e Música (IBCM) e na filial
Laranjeiras do Conservatório Brasileiro de Música. A partir daí, aumentou o seu
círculo de amizades, como Oscar Cáceres, María Luisa Anido, Hermínio Bello de
Carvalho, Zé Ketti, Clementina de Jesus, Ismael Silva, Aracy de Almeida e Othon
Salleiro.
A sua obra perpassa o choro em êxitos como “Carioca nº 1”, a seresta, como na
valsa “Olhos que Choram”, a música clássica, em “Concertante” e “Pequenas
Paisagens”, e a cultura nordestina em “Procissão”, “João Benta no Forró”, “Te
Enxerga, Muié” e “Mariquinha Duas Covas”. Como ouvintes ou
alunos, passou a ser referência e ganhou uma longa legião de discípulos talentosos
de diferentes gerações, como Paulão 7 Cordas, Turíbio Santos, Egberto e Alexandre
Gismonti, Guinga, Nicolas de Souza Barros, Maria Haro, Luis Carlos Barbieri, Vera
de Andrade, Flávia Prando, Afonso Machado e Galo Preto, Ricardo Dias, Léo
Soares, Paulo Rabelo (filho de Paulinho da Viola), Cláudio Tupinambá,
Bartholomeu Wiese, Marcos Llerena, Luiz Otávio Braga, Graça Alan, Marcos
Farina, Marcos Ferrer, Swang, Luciana Requião, Nelson Caiado, além do próprio
Zé Carlos Medeiros.
– O Mestre Nicanor é um músico primoroso, generoso e formou muita gente incrível!
Eu o conheci há muitas décadas, quando ele dava aula de violão clássico para o
meu sobrinho. A partir desse encontro, pude ver e ouvir de perto o quanto ele
tocava – tornou-se uma referência para mim – e fiz esse choro com todo carinho,
buscando uma sonoridade singela e hermética, em reverência a ele – recorda Zé Carlos
Medeiros.
Admiração de Toninho Horta
Zé Carlos revela que uma das motivações para a faixa ser gravada foi o apoio e encantamento
que despertou em outro mestre das cordas e harmonias.
– Fui apresentado ao Toninho Horta pelo produtor musical Tuninho Villas, na Casa
com a Música, na Lapa (RJ). Em algum momento do encontro, o Tuninho me pediu para
tocar essa homenagem ao Toninho, que ficou admirado. A sua reação e as palavras
muito elogiosas me deram força também para gravá-la – relembra.
Primeiro álbum a caminho
“Ao Mestre Nicanor” é o segundo single de uma série que começou com “Dá Um Tempo” e
culminará no primeiro álbum autoral do artista, na plenitude dos seus 86 anos. Das
diversas parcerias na música brasileira, como com Délcio Carvalho e Paulão 7
Cordas, ele agora ganha o devido protagonismo com colaborações de figuras consagradas
da MPB, como Robertinho Silva, Carlos Malta e Kiko Continentino, o
prestigiado percussionista Júlio Diniz, os integrantes da Orquestra Sinfônica
Brasileira Alexandre Ito e Simon Béchemin, a cantora, poetisa e atriz irlandesa
Aisling Groves-McKeown e seu bisneto, o cantor, músico e ator Marcelo Cervone.
A produção é de Tuninho Villas, do coletivo Casa com a Música.
O projeto, com a data de lançamento ainda guardada a sete chaves, é fruto da
iniciativa de Marcelo Cervone em organizar, preservar e divulgar a obra e
legado do seu bisavô. Apesar da distância geográfica, já que sempre viveu no
exterior e só via Zé em visitas pontuais ao Brasil, a admiração era latente e
inspiradora. E esse desejo se aprofundou ainda mais em 2023 com “Cuidado”, e em
2025, com “Greenwich”, músicas de Medeiros com letra de Cervone a partir de
poemas de sua esposa, Aisling, apresentadas em show que o trio realizou no
mesmo período e que estão disponíveis nas plataformas digitais.
– “Ao Mestre Nicanor” tem uma conexão emocional muito profunda para mim, pois o
Zé sempre tocava esse choro na minha infância. E essa raiz está sempre presente
comigo e me acompanha nos meus trabalhos aqui em Londres e nessas parcerias que
tenho tido a honra e felicidade de realizar com ele – conta Marcelo Cervone.
Ficha técnica:
Zé Carlos Medeiros
– Compositor, Violão
Carlos Malta
– Flauta e Saxofone
Kiko Continentino – Teclado
Alexandre Ito – Baixo
Simon Béchemin – Fagote
Robertinho Silva – Percussão
Júlio Diniz – Percussão
Tuninho Villas – Produção
Carlos Pinho
– Assessoria de imprensa
Músicas gravadas na icônica Casa com a Música, Lapa (RJ)
Rede social:
https://www.instagram.com/zeca_rlosmedeiros/