Uma jornada de segredos e descobertas

Nina é menino ou Nino é menina? O conflito da adolescente Venina, criada como um coroinha pelo padre Alceu da igreja de Riacho da Jacobina, povoado do interior nordestino, emerge a partir da circunstância totalmente inusitada de outro mistério: a origem e o destino da bela grávida Carolina, que aparece na paróquia. Para proteger a identidade da mãe e a criança que ela carrega, o padre Alceu convoca Nino/Nina a empreender com eles uma longa caminhada incógnita sertão adentro — uma jornada penosa e arriscada em que segredos vêm à tona como se passassem a flutuar sobre a superfície.

Na tradição das melhores narrativas carregadas de brasilidade e ambientado no período mais violento da perseguição aos opositores da ditadura militar instaurada nos anos 1960, Aquela estranha arte de flutuar apresenta a história baseada no ponto de vista da personagem Nina, marcada pelo machismo e pelas amarguras da vida desde sempre. Na incerteza sobre seu passado, seu presente e ser futuro, a protagonista embarca em uma viagem pelo sertão brasileiro e tem um encontro com todas as nuances de violência, pobreza e injustiças.

Publicado sob o selo 106 Histórias e escrito por João Peçanha — doutor em Estudos Literários (UFF) e mestre em Literatura (USP) —, o romance entrelaça a ficção e a realidade para dar peso à transformação do feminino em meio a um universo que cerceia e pouco permite. Ao dar voz a Nina, o autor convida o leitor a se conectar às mazelas da personagem sem perder a força do que lhe é representado. Peçanha é capaz de construir a capacidade de discernimento de uma adulta, ainda que em situações de aprendizado e transformações.

Sua história poderia ser muito bem a de diversas adolescentes pelos quinhões do Brasil, com a política e a religião repressoras do fim dos anos 1960, e uma grande busca de identidade. É durante uma sofrida viagem pelo sertão nordestino que Nina, Padre Alceu e Carolina encontrarão o pior e o melhor da humanidade, enquanto se relacionam com o mundo e com eles mesmos. Em situações análogas aos fugitivos, o trio encontra libertação, cada um à sua maneira.

“A justiça original é dos homens. Assim nasceu o mundo. Ela é ditada por eles e por eles vigiada, mas eu aprendi que, se injusta for, cabe a quem a sofreu corrigi-la em busca por justiça”

Ficha Técnica:
Selo: 106 Histórias
Páginas: 160
Formato: brochura, 14x21x1,0,9cm
Peso: 215g
Preços: R$ 49,90 (versão impressa); R$ 35,00 (ebook)
ISBN versão impressa: 978-65-88342-01-5
ISBN versão ebook: 978-65-88342-02-2
Gênero: Romance, Nacional, Ficção, Ditadura

João Peçanha é escritor, dramaturgo e professor, com doutorado em Estudos Literários pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e mestrado em Literatura pela Universidade de São Paulo (USP). É autor do romance Patagônia babilônia e da duologia distópica Matumaini. Seu livro de contos Cantata para dezesseis vozes e orquestra recebeu menção honrosa da revista Cult. João Peçanha também venceu o Prêmio Nacional de Dramaturgia da Fundação Cultural da Bahia com sua peça teatral O pacote. Ele vive no Rio de Janeiro com a família.