Trívia: Mila Rodrigues e os bastidores da criação de uma coleção de mobiliário

Trívia: Mila Rodrigues e os bastidores da criação de uma coleção de mobiliário

Juliana Victorino
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Legenda: Mila Rodrigues. Foto: Victor Affaro

Toda semana, três perguntas para um profissional da arte, cultura e do design.

Para abrir os trabalhos deste espaço, convidei a curadora de produtos Mila Rodrigues para falar sobre os meandros da criação de uma coleção de mobiliário. A ideia surgiu enquanto acompanhava os lançamentos do segmento do décor nos primeiros eventos e feiras de 2026, que chegam cada vez mais elaborados, disputando a atenção de arquitetos, designers de interiores, profissionais especificadores e lojistas.

Mas e antes do evento de lançamento? Tem muito trabalho. Um trabalho minucioso, reservado e profundo. E é exatamente sobre este processo que vamos falar!

À frente de marcas como Donaflor Mobília, Schuster Móveis e Verse Design Autoral, Mila coleciona em seus 30 anos de carreira ao lado de designers e fabricantes, produtos que se tornaram referência no design brasileiro, como a Pantosh da Lattoog e a poltrona Fago do EM2, para a Schuster Móveis. A poltrona suspensa Gota e a casa de passarinhos da Lattoog para a Dona Flor. Mas também o olhar para o trabalho histórico com as reedições de designers modernistas como o Bernardo Figueiredo.

JV: Estamos em época de lançamentos no mercado de decoração. Conta um pouco como acontece o trabalho antes da apresentação de coleções em feiras e eventos: tempo, espaço, a lida com designers, o chão de fábrica, milímetros e curvas que fazem toda a diferença em uma peça?

Mila: Realmente, uma coleção abrange muito trabalho. Aquilo que mostramos em eventos elaborados e pensados para encantar quem visitar leva de um ano para mais para se tornar realidade. Meu trabalho como curadora de produtos é contínuo junto aos meus parceiros e isso traz uma força de conexão e sinergia que acaba refletindo todas as reflexões que traçamos ao longo do tempo. O objetivo é fortalecer a imagem da marca e como traduzir em produtos.
 A identificação com a linguagem dos designers parceiros, alinhamento de briefing, criação, ajuste
s criativos até entrar na viabilidade fabril e novos ajustes. Um trabalho com muitas mãos e muito respeito ao pensamento criativo do designer, mas sempre atentos a como agregar o DNA da marca. Cada detalhe pode fazer a diferença na valorização do produto. 

J.V:  Sabemos que este trabalho não é para aventureiros, fale um pouco sobre a sua jornada e o que te estimula a continuar.

Mila: Minha atuação na decoração vem desde o início da minha vida profissional, e lá se vão 30 anos! Tenho formação em design de produtos e design de interiores e trago comigo uma experiência rica em várias frentes de atuação existentes no setor, o que me traz um conhecimento empírico, onde a observação sensorial e a vivência multidisciplinar me dão a leitura de momento e de expectativas.

É um universo de muitos interesses e realmente dinâmico, com tantas possibilidades de atuação. Veja, dois fabricantes de mobiliário terão descrições e essências completamente distintas, mesmo que o objetivo seja uma boa venda ao final. Mas o que serve para ser trabalhado com um não servirá para outro. É sempre muito estimulante trabalhar em planejamentos distintos.

J.V: Constância, tempo e conteúdo são os segredos quando respeitados pelos fabricantes?Mila: Esse trabalho exige persistência. Como designer, busco consolidar em cada empresa a autenticidade de seus projetos, como essência.  O mercado tem uma demanda de velocidade e agilidade. Para estar nessa frente competitivamente e se manter fiel aos propósitos que defendemos, é fundamental exercitar um olhar flexível para que, através dos diferenciais reais, estes se imponham muito além da demanda por velocidade.

 

Em sua coluna, a jornalista Juliana Victorino traz novidades relevantes que acontecem nas áreas de cultura, lifestyle, decoração e francos devaneios. Envie sua pauta para ofertorionews@gmail.com.

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