Sumaré quer levar a informação sobre o Farmácia Popular para dentro de cada unidade de saúde
Divulgação

Por Humberto Tobé, Fátima Christine

Projeto aprovado por unanimidade na Câmara prevê cartazes com endereços das farmácias credenciadas, lista de remédios gratuitos e QR Code em UBS, UPAs e Caps; medida mira quem ainda não sabe que tem direito

Em 6 de outubro de 2026, a Câmara Municipal de Sumaré aprovou por unanimidade um projeto de lei com um objetivo simples: fazer o morador saber que pode retirar remédio de graça. O Projeto de Lei nº 252/2026 obriga as unidades públicas de saúde que entregam medicamentos, como UBS, USF, UPAs, policlínicas, centros de especialidades e Caps, a exibir material informativo sobre o Programa Farmácia Popular do Brasil, do Ministério da Saúde. O texto segue para sanção do Executivo municipal.

Se virar lei, o paciente que sair de uma consulta na rede municipal vai encontrar, na parede da unidade, os endereços das farmácias credenciadas, a lista de medicamentos e insumos gratuitos, os documentos exigidos para a retirada e o telefone do Disque Saúde 136. Um QR Code levará à lista atualizada de estabelecimentos e itens. O projeto também exige linguagem simples e recursos de acessibilidade.

A iniciativa enfrenta uma barreira que nenhum estoque resolve: a falta de informação. Nem todo paciente sabe que, desde fevereiro de 2025, os 41 itens do programa são gratuitos para toda a população. Ou que a receita de um médico particular também vale. Ou que fraldas geriátricas, anticoncepcionais e absorventes do Programa Dignidade Menstrual também saem de graça do balcão. Quem não conhece o direito acaba pagando por ele, ou deixando o tratamento de lado.

Para Sumaré, cidade de 279.545 habitantes segundo o Censo 2022, a medida reforça uma rede que já faz parte do dia a dia. Na macrorregião de Campinas, que reúne 42 municípios e algumas das cidades mais populosas do interior, a rede credenciada é extensa: só Campinas tinha 164 farmácias no programa em 2024, segundo o Ministério da Saúde. Em todo o estado, mais de 6 milhões de pessoas usaram o Farmácia Popular naquele ano.

A gratuidade pesa no orçamento das famílias trabalhadoras da região. Segundo estimativas do Ministério da Saúde, o tratamento de duas pessoas com hipertensão representa até R$ 2.080 por ano; o de diabetes, R$ 1.040; e o de colesterol alto, até R$ 480 por pessoa. Para uma família de quatro pessoas, a economia pode chegar a R$ 8,8 mil anuais.

Sem o programa, ou sem que a população saiba dele, o resultado é conhecido. O paciente que sai da consulta com uma receita e não consegue pagar por ela tende a adiar a compra, tomar o remédio em dias alternados ou simplesmente parar. Na pressão alta e no diabetes, doenças que muitas vezes não dão sintomas, o abandono só aparece quando já virou AVC, infarto ou internação, e os hospitais da região pagam a conta.

No âmbito federal, o programa também passa por modernização. A Portaria GM/MS nº 12.091, publicada em agosto de 2026, atualizou as regras de credenciamento e fiscalização e reforçou o uso de ferramentas tecnológicas para acompanhar cada retirada. Um grupo de trabalho estuda levar às farmácias exames simples, testes rápidos, teleatendimento e acompanhamento do tratamento de hipertensos e diabéticos. As primeiras propostas devem sair até o fim de 2026.

O projeto de Sumaré lembra que um programa público só funciona por inteiro quando chega ao conhecimento de quem precisa. O Ministério da Saúde garante o remédio; a informação na porta da unidade de saúde garante que ele chegue às mãos certas.

Sobre os autores:

Humberto Tobé é Pós-Graduado em Gestão da Saúde Pública, trabalha na interlocução com prefeitos, vereadores, gestores municipais e representantes da área da saúde dos municípios paulistas.

Fatima Crhistine é mestranda em Políticas Públicas pela Universidade Católica de Brasília (UCB), graduada em Economia e Pedagogia, com pós-graduação em Educação Parental e Socioemocional. Servidora Pública Federal cedida da Universidade Federal do ABC para a Secretaria Executiva do Ministério da Saúde.

Encontrou algum erro? Entre em contato