PSA ou toque retal? Por que a prevenção do câncer de próstata não deveria ser resumida a escolher um exame
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Dr. Lucas Takikawa, urologista especialista em HoLEP, explica por que ainda existe resistência ao acompanhamento urológico e como PSA, avaliação clínica e toque retal podem fornecer informações diferentes sobre a saúde da próstata

Durante anos, falar sobre prevenção do câncer de próstata entre homens quase inevitavelmente terminava na mesma pergunta: “Vou precisar fazer o toque?”. O constrangimento em torno do exame ajudou a criar uma barreira que ainda hoje pode afastar pacientes do consultório. Ao mesmo tempo, a popularização do PSA trouxe outro comportamento: homens que fazem apenas o exame de sangue e acreditam que um resultado dentro dos valores de referência encerra a investigação.

Nenhum dos dois extremos é o ideal. O PSA, sigla para antígeno prostático específico, é uma ferramenta importante na avaliação da próstata, mas seu resultado precisa ser interpretado dentro do contexto de cada paciente. Ele pode se alterar por diferentes condições prostáticas e, isoladamente, não confirma nem exclui um câncer.

Para o Dr. Lucas Takikawa, urologista especialista em HoLEP, a prevenção começa justamente por abandonar a ideia de que existe um único exame capaz de responder tudo.

“O PSA é extremamente importante, mas não é um teste que deve ser interpretado apenas como ‘normal’ ou ‘alterado’. Nós analisamos o valor dentro de um contexto que inclui idade, histórico familiar, exames anteriores, sintomas e características individuais. Um número sozinho não conta toda a história da próstata”, explica.

Se o PSA está normal, ainda precisa fazer o toque?

Essa é uma das principais dúvidas dos pacientes. O toque retal permite ao urologista avaliar características físicas da próstata, como consistência, presença de endurecimentos ou irregularidades. São informações diferentes daquelas fornecidas pelo exame de sangue.

Isso não significa, entretanto, que todos os homens devam receber exatamente a mesma sequência de exames. A estratégia de investigação deve ser individualizada.

“O PSA e o toque não são exames concorrentes. Um não existe para substituir automaticamente o outro. Dependendo do paciente, a avaliação clínica pode indicar a necessidade de complementar a investigação. O problema é quando o medo do toque faz o homem evitar inclusive a consulta, porque ele deixa de discutir com o médico qual acompanhamento realmente precisa”, afirma Lucas.

Quando alguma alteração levanta suspeita, outros recursos podem entrar na investigação. Exames de imagem e, nos casos indicados, biópsia ajudam a avançar no diagnóstico. Ou seja, PSA elevado também não deve ser interpretado imediatamente como sinônimo de câncer.

“Receber um PSA alterado assusta, mas existem outras condições capazes de modificar esse marcador. O próximo passo não é concluir que existe um tumor, e sim entender por que houve aquela alteração. Da mesma forma, não devemos usar um resultado isolado como autorização para nunca mais acompanhar a próstata”, ressalta.

Vergonha ainda pode custar tempo

O câncer de próstata pode evoluir sem sintomas em suas fases iniciais. Esperar dificuldade para urinar, dor ou sangue na urina para procurar um urologista, portanto, não é uma estratégia de diagnóstico precoce.

Há ainda uma confusão frequente entre aumento benigno da próstata e câncer. Jato fraco, demora para começar a urinar, sensação de esvaziamento incompleto e idas frequentes ao banheiro podem aparecer em homens com hiperplasia prostática benigna, condição diferente do câncer.

“Ter sintomas urinários não significa automaticamente ter câncer de próstata, assim como não ter sintomas não significa estar protegido. Essa é uma diferença fundamental. O acompanhamento preventivo existe justamente porque não podemos esperar o organismo produzir um sinal evidente para começar a investigar”, explica o urologista.

Para Lucas, quebrar a resistência masculina passa também por mudar a maneira como se fala sobre o toque retal. O exame não deveria funcionar como ameaça, piada ou motivo de constrangimento.

“Durante muito tempo, transformamos o toque em uma espécie de símbolo da consulta urológica e isso acabou afastando alguns homens. A conversa precisa amadurecer. Estamos falando de um exame médico rápido, realizado quando existe indicação, dentro de uma avaliação muito maior. Vergonha não pode ser o fator que decide se alguém vai ou não cuidar da própria saúde”, afirma.

A definição de quando iniciar e com que frequência realizar o acompanhamento deve considerar o risco individual e ser discutida com o médico.

“O objetivo não é fazer exames indiscriminadamente, mas também não é chegar tarde porque o paciente tinha medo de descobrir alguma coisa. Prevenção significa conversar sobre riscos, entender quais exames fazem sentido para aquele homem e tomar decisões informadas. PSA e toque são ferramentas. O mais importante é não deixar o preconceito impedir essa avaliação”, finaliza o Dr. Lucas Takikawa, urologista especialista em HoLEP.

Sobre o especialista

Dr. Lucas Takikawa é urologista especialista em HoLEP.

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