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Julho das Pretas: mulheres negras são as que mais procuram atendimento contra violência em Lauro de Freitas

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Julho das Pretas: mulheres negras são as que mais procuram atendimento contra violência em Lauro de Freitas

Nos cinco primeiros meses de 2021, mais de 780 mulheres vítimas de violência foram atendidas pelo Centro de Referência Lélia González, em Lauro de Freitas. Dessas, apenas 10% se declararam brancas. Além disso, outros 1.170 serviços foram realizados no período.

Esses dados foram compartilhados pela coordenadora do CRAM Lélia González, Sulle Nascimento, na noite desta quinta-feira (23), durante live sobre o enfrentamento à violência contra as mulheres negras, em alusão ao Julho das Pretas. O evento virtual foi promovido pela Secretaria de Políticas Afirmativas, Direitos Humanos e Promoção da Igualdade Racial (SEPADHIR), por meio da Superintendência de Políticas de Promoção de Igualdade Racial.

O equipamento de proteção às mulheres, muitas vezes, é o último serviço procurado pela vítima, de acordo com Sulle Nascimento. “É a última porta que essas mulheres encontram para romper a violência. No CRAM elas encontram o apoio e acolhimento necessários para romper o ciclo de violência. Sem dúvida, é um espaço essencial para a vida dessas mulheres”, destacou.

A implantação de uma delegacia especializada e de uma vara de violência doméstica foram citadas pela advogada do Centro, Amanda Greice Figueiras, como a principal demanda para agilizar o atendimento às mulheres vítimas de violência. “Embora Lauro de Freitas tenha três delegacias, essas mulheres precisam de um atendimento num local específico para atender a alta demanda e aumentar o poder de justiça”, explicou.

Em sua fala, a psicóloga do CRAM, Cíntia Machado, destacou que a unidade dispõe de uma equipe multidisciplinar para promover o empoderamento, cidadania e o fortalecimento da trajetória das mulheres.

Aline Santos de Oliveira, superintendente de Políticas de Promoção de Igualdade Racial, destacou que as atividades dos CRAMs são essenciais para diminuir os índices de violência contra a mulher em Lauro de Freitas e em todo o país.

“As mulheres, sobretudo as negras, são as principais vítimas de assassinato. Dos casos registrados em 2019, 73% foram vítimas de homicídio doloso, 60% de feminicídio, 61% de lesão corporal e 50% de estupro de vulnerável”, disse, ao citar dados do Monitor da Violência e secretarias de Segurança Pública dos estados.

O CRAM

Há 15 anos o equipamento presta atendimento a mulheres maiores de 18 anos, residentes de Lauro de Freitas, que se encontram em situação de violência doméstica, familiar e de gênero, com serviços e assistência psicológica, social, pedagógica e de orientações jurídicas.

O local oferece ainda articulação de rede de atendimento local, grupos terapêuticos, além de oficinas e cursos profissionalizantes.

O Centro funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h. As vítimas podem entrar em contato através do telefone 3289-1032, que também é o whatsapp.

 

Jornalista: Aina Soledad

Foto: Danilo Magalhães / Maína Diniz

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