*Por Viviane de Almeida
O início da vida profissional tem deixado de ser sinônimo de mudança para grandes capitais. Cada vez mais, jovens brasileiros estão optando por permanecer ou desenvolver a carreira em cidades do interior, movimento que acompanha transformações no mercado de trabalho e nas prioridades dessa geração.
Na Paschoalotto, empresa com cerca de 14 mil colaboradores, esse cenário se reflete no perfil do quadro de funcionários, que conta com uma presença significativa de jovens profissionais. A companhia, que atua em cidades como Bauru, Marília e Ribeirão Preto, reúne colaboradores que encontraram no interior oportunidades de desenvolvimento profissional sem a necessidade de migrar para centros como São Paulo.
Patrícia Rocetti, que completa seis anos de carreira na unidade da Paschoalotto, em Marília – Divulgação
A tendência acompanha mudanças mais amplas. Pesquisas recentes indicam que a nova geração tem priorizado qualidade de vida, equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e custo de vida mais acessível na hora de escolher onde morar e trabalhar. Levantamento do Pew Research Center, divulgado em 2024, aponta que mais de 60% dos jovens entre 18 e 28 anos preferem qualidade de vida a status profissional, demonstrando maior interesse por cidades menores e menos estressantes.
Esse movimento não se restringe ao Brasil. Dados do US Census Bureau, analisados por instituições como a University of Virginia, mostram que, desde 2020, jovens adultos passaram a deixar grandes metrópoles em direção a cidades menores, movimento que se manteve mesmo após a retomada das atividades presenciais. O comportamento indica uma mudança estrutural na forma como essa geração enxerga carreira e qualidade de vida.
Larissa Cavalcanti, gerente de Experiência do Cliente Interno da Paschoalotto – Divulgação
No Brasil, fatores como tempo de deslocamento e condições de vida também influenciam essa decisão. Dados da PNAD Contínua, do IBGE, mostram que trabalhadores levam, em média, mais de uma hora no trajeto até o trabalho em grandes centros, enquanto cidades do interior tendem a oferecer rotinas mais curtas e maior proximidade entre casa e emprego. Segundo levantamento divulgado pelo LinkedIn, 48% dos trabalhadores brasileiros consideram a qualidade de vida apenas regular, apontando deslocamento, salário e condições de trabalho como principais desafios.
A interiorização do mercado de trabalho também contribui para esse cenário. Dados do IBGE, com base no Produto Interno Bruto dos Municípios, e da Fundação Seade indicam que cidades médias e do interior vêm ampliando sua participação na atividade econômica e na geração de empregos, consolidando-se como polos regionais de desenvolvimento. Esse movimento amplia as possibilidades para jovens que buscam crescimento profissional fora das capitais.
Keyla Fonseca, funcionária da Paschoalotto em Ribeirão Preto desde fevereiro de 2026 – Divulgação
Na prática, essa mudança pode ser observada em trajetórias individuais. Profissionais que construíram carreira em unidades da Paschoalotto em Bauru, Marília e Ribeirão Preto optaram por permanecer nessas cidades, apostando no desenvolvimento profissional local em vez de migrar para grandes centros, movimento diferente do observado em gerações anteriores.
Esse é o caso de Keyla Fonseca, funcionária da Paschoalotto em Ribeirão Preto desde fevereiro de 2026. Ela explica que escolheu sair da Grande São Paulo para o interior em busca de mais qualidade de vida. A rotina corporativa na Faria Lima, somada ao ritmo intenso da cidade, fez com que ela repensasse seus hábitos e buscasse uma cidade mais tranquila para construir sua vida.
Nicole Saraiva, que atua como analista de Comunicação e Marketing Plena na unidade da empresa em Bauru – Divulgação
Outro exemplo é o de Nicole Saraiva, que atua como analista de Comunicação e Marketing Plena na unidade da empresa em Bauru. Ela conta que iniciou na Paschoalotto como estagiária durante a faculdade de Jornalismo e teve a oportunidade de integrar o time de Marketing após a conclusão do curso, decisão que a levou a construir sua carreira em Bauru em vez de retornar à capital.
Em Marília, Patrícia Rocetti, que completa seis anos de empresa, também destaca que preferiu construir carreira na cidade, em vez de se mudar para a capital em busca de oportunidades profissionais, e afirma que a Paschoalotto abriu caminhos que ela não encontraria nos grandes centros.
Para Larissa Cavalcanti, gerente de Experiência do Cliente Interno da Paschoalotto, o avanço desse modelo está ligado à combinação entre oportunidades de trabalho, formação profissional e qualidade de vida. “Hoje, o jovem avalia não só o salário, mas o conjunto da experiência de vida. Isso inclui tempo, mobilidade e bem-estar no dia a dia”, afirma.
Foto: Divulgação/Paschoalotto