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Pesquisa pode auxiliar no desenvolvimento de vacinas mais eficientes

Muitas pesquisas ao redor do mundo tentam desvendar a ação do Coronavírus em nosso corpo. Por que algumas pessoas evoluem para casos graves de forma tão rápida, enquanto outras são assintomáticas? Uma das explicações para esse processo pode estar nas características genéticas de cada população. Isso é o que avaliou um estudo realizado por pesquisadores do Instituto Nacional de Câncer (INCA) em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e com a Universidade La Salle. “As diferentes populações do mundo possuem variadas características genéticas, é isso que diferencia asiáticos, afrodescendentes, ameríndios, etc. Estas características também definem maior ou menor predisposição para diferentes doenças, como alguns tipos de câncer, distúrbios do metabolismo, doenças de pele e intestinais. O mesmo serve para infecções virais”, explica o professor do Programa de Pós-graduação em Saúde e Desenvolvimento Humano da Universidade La Salle e integrante da pesquisa, Prof. Dr. Gustavo Fioravanti Vieira (foto).

A partir dessa lógica, o grupo de pesquisadores utilizou uma abordagem populacional associada a dados epidemiológicos de Covid-19 no mundo. O gene que foi estudado é responsável por gerar uma proteína nas nossas células com objetivo de mostrar ao sistema imune que a mesma está infectada e precisa ser destruída, o gene do HLA. No entanto, essa proteína gerada varia de acordo com as características genéticas. “Percebemos que os grupos de países com maior ou menor taxa de mortalidade por Covid-19 apresentam frequências populacionais semelhantes para as diferentes variantes do HLA, indicando que ele pode estar influenciando nesta variável. Da mesma maneira, existe uma tendência em que países com menores taxas de letalidade (África e Ásia) gerem resposta contra fragmentos da proteína Spike, enquanto os com maior letalidade (América e Europa) direcionam as respostas imunes celulares mais em relação às proteínas N e E”, completa Fioravanti. O padrão de reconhecimento dos peptídeos virais por alelos do antígeno leucocitário humano (HLA) está associado às mortes relacionadas ao novo coronavírus e isso pode ajudar a definir grupos de risco. 

Este é o primeiro trabalho, em âmbito nacional e internacional, a investigar a associação desses fatores genéticos associados ao reconhecimento de padrões virais com o desfecho clínico da Covid-19, fruto de uma metodologia já iniciada no Laboratório de Bioinformática e Biologia Computacional do INCA: “Temos investigado como os padrões de ligação das diferentes moléculas de HLA-I a peptídeos derivados de proteínas mutadas nos tumores influenciam na resposta imune  anti-tumoral. Ao sermos impactados pela pandemia, nos unimos neste esforço mundial  para  tentar melhor compreender a biologia da infecção pelo SARS-COV-2 através da aplicação das metodologias computacionais que desenvolvemos em nosso Laboratório”, explica a líder da pesquisa e coordenadora do Laboratório de Bioinformática e Biologia Computacional do INCA, Mariana Boroni.

Utilizando as ferramentas da bioinformática, o estudo foi capaz de estimar quais, dentre os 3.723 fragmentos derivados de diferentes partes do vírus SARS-COV-2, são potencialmente reconhecidos pelo sistema imune em 37 países de quatro continentes. “A utilização dessa informação é extremamente importante para gerar vacinas mais eficientes e capazes de imunizar uma maior parcela da população mundial”, detalha Mariana Boroni.

O trabalho foi liderado pela coordenadora do Laboratório de Bioinformática e Biologia Computacional do INCA, Mariana Boroni, desenvolvido por Marco Pretti e Rômulo Galvani, em parceria com Martin Bonamino, do INCA, Adriana Bonomo da FioCruz, e Gustavo Fioravanti, da Universidade La Salle.

Publicação: https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fimmu.2020.565730/full

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