Fabiana Bentes anuncia segunda edição do PIB do Esporte com novos dados sobre eventos e corridas
Agência On Board 360

O Instituto Sou do Esporte dará início ainda em 2026 à segunda edição do Relatório Nacional da Economia do Esporte, desta vez com ano-base 2025. O anúncio foi feito por Fabiana Bentes, fundadora e presidente da entidade, durante o Ticket Sports Summit, realizado nesta quarta-feira (2), no Memorial da América Latina, em São Paulo (SP).

A nova etapa do estudo pretende ampliar a análise sobre o impacto econômico do esporte e aprofundar informações que apresentaram limitações na primeira edição. Entre os temas que deverão receber atenção estão os eventos esportivos, as corridas e o atletismo, além das atividades informais e do mercado regulamentado de apostas esportivas.

A primeira edição do levantamento, elaborada pelo Instituto Sou do Esporte com metodologia da EY, apontou que o esporte movimentou R$ 183,4 bilhões na economia brasileira em 2023, correspondentes a 1,69% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. A cadeia também foi responsável por 3,3 milhões de empregos diretos e indiretos.

Em 2022, o setor havia movimentado R$ 176,15 bilhões, equivalentes a 1,67% do PIB brasileiro. A evolução para 2023 representou crescimento de aproximadamente 4,1% no valor movimentado.

Fabiana Bentes apresentou os resultados durante a palestra “O PIB do Esporte”, realizada no Auditório Simon Bolívar. O Ticket Sports Summit teve dois dias de programação e contou com nomes como Lars Grael, Clóvis de Barros Filho, Daniel Krutman, CEO da Ticket Sports, Duda Magalhães, da Dream Factory, Wlamir Motta Campos, presidente da Confederação Brasileira de Atletismo, e Natacha Manchado, da World Athletics.

Ao abordar a importância dos números para o setor, a presidente do Instituto Sou do Esporte defendeu uma mudança na percepção sobre os recursos destinados à atividade esportiva.

“O esporte precisa ser visto como investimento. Precisamos trazer a relevância do esporte para o segmento econômico do país e não tratá-lo apenas como ajuda ou incentivo. O esporte é importante para o Brasil”, afirmou Fabiana Bentes.

A continuidade do estudo contará com uma emenda do senador Carlos Portinho. Segundo Fabiana, a pesquisa sobre 2025 será iniciada ainda este ano.

“Conseguimos a emenda do senador Portinho para o PIB 2 e começamos ainda este ano o estudo relacionado a 2025. No primeiro levantamento, não tínhamos as apostas, porque ainda não estavam regulamentadas, e temos pouca informação sobre atividades informais”, explicou.

Investimento privado tem efeito multiplicador

O levantamento também revelou a capacidade de multiplicação dos recursos aplicados no esporte. A cada R$ 1 investido pelo setor privado, outros R$ 23,36 foram gerados na cadeia de valor esportiva. No caso dos recursos públicos, cada R$ 1 aplicado resultou em R$ 12,83 adicionais.

“Esporte não é ajuda. É investimento, retorno, geração de emprego e renda. Essa é a forma como precisamos apresentar o esporte no país”, disse Fabiana Bentes.

Dos 3,3 milhões de empregos diretos e indiretos identificados no estudo, 52% estavam relacionados ao comércio de artigos esportivos. As atividades recreativas responderam por 25%, a indústria por 13% e mídia e publicidade por 7%.

Eventos esportivos e impacto econômico

Na apresentação, Fabiana Bentes também destacou a importância de os organizadores ampliarem a coleta de dados sobre suas competições. Para ela, informações como quantidade de inscritos e público não são suficientes para dimensionar toda a movimentação gerada por um evento.

É necessário identificar a origem e o perfil dos participantes, a quantidade de acompanhantes e os gastos com passagens, hospedagem, alimentação, transporte e compras. Também entram nessa avaliação as viagens nacionais ou internacionais motivadas pelas competições e a realização de turismo no destino.

“É preciso saber quantas pessoas participam, qual o perfil desse público, quanto cada pessoa investe para estar no evento, com quantos acompanhantes vem, qual economia gera, o que compra, se paga passagem e se está fazendo turismo nacional ou internacional para acompanhar a competição. Ainda temos uma dificuldade muito grande com dados qualificados no esporte brasileiro”, afirmou Fabiana Bentes.

A presidente do instituto considera que esse tipo de informação pode ampliar a capacidade de negociação dos organizadores com patrocinadores, prefeituras e outros agentes públicos. Ao apresentar o volume de recursos movimentados por atletas, participantes e acompanhantes, os eventos conseguem demonstrar efeitos que vão além da competição e alcançam diversos segmentos econômicos.

Como exemplos, Fabiana citou a etapa da World Surf League em Saquarema (RJ), o Rio Open, no Rio de Janeiro (RJ), e a Stock Car em Minas Gerais.

“Esses números fortalecem a defesa pela criação de mais oportunidades e investimentos para os eventos. Quanto mais qualificarmos os dados das competições, maior será a capacidade de demonstrar sua importância e construir percepção de valor para o mercado”, destacou.

Segundo Fabiana, a mensuração econômica também altera a forma como o esporte pode ser apresentado ao poder público. Além dos impactos sociais, educacionais e relacionados à saúde, o setor passa a evidenciar sua capacidade de gerar atividade econômica, empregos, renda e arrecadação.

“Se não nos apropriarmos dessa narrativa, será cada vez mais difícil conquistar investimentos de patrocinadores e do poder público. A percepção de valor precisa ser pensada como um motor para gerar economia para o esporte brasileiro e para o país”, afirmou.

O primeiro relatório identificou ainda dificuldades para dimensionar integralmente uma indústria que envolve mais de 20 segmentos econômicos. A metodologia contemplou áreas como indústria, consumo, saúde e bem-estar, turismo esportivo, governança, comércio, serviços, mídia e entretenimento.

Na segunda edição, a economia informal e o mercado regulamentado de apostas esportivas estarão entre os pontos acrescentados ao levantamento. A cadeia produtiva das corridas e do atletismo também deverá ser analisada com maior profundidade, incluindo atividades formais e informais relacionadas às modalidades e aos eventos.

“O estudo virou referência. Vamos trabalhar agora com o ano-base 2025 e a intenção é realizar esse levantamento a cada dois anos”, afirmou Fabiana Bentes.

A participação de Fabiana Bentes no Ticket Sports Summit ocorreu das 11h50 às 12h15. O evento reuniu profissionais, empresas e organizações ligadas à indústria de eventos esportivos.

Instituto Sou do Esporte

Fundado em 2015 pela jornalista Fabiana Bentes, o Instituto Sou do Esporte é uma organização independente e apartidária que atua para fortalecer o esporte brasileiro por meio da boa governança, transparência e responsabilidade social.

Em uma década de atuação, a entidade se consolidou como referência nacional na qualificação da gestão esportiva e na criação de iniciativas que aproximam esporte, economia, inovação, comunicação e impacto social.

Entre os projetos estão o Prêmio Sou do Esporte, considerado a maior premiação multissetorial do esporte brasileiro; o PIB do Esporte, estudo desenvolvido em parceria com a EY para medir a participação do setor na economia nacional; o SDE Bisutti Talks, série de encontros dedicada ao conhecimento e networking entre lideranças do esporte e dos negócios; e o Sou do Esporte Gastronomia Nutritiva, voltado à integração entre alimentação saudável, esporte, bem-estar e relacionamento.

O instituto também realiza eventos, estudos, programas de capacitação e projetos estratégicos para fortalecer o ecossistema esportivo, aproximando organizações, empresas, governos e lideranças em torno de um esporte mais ético, transparente e sustentável.

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