O avanço do Agentic Commerce inaugura uma
etapa em que reputação, posicionamento e qualidade das informações passam a
influenciar decisões de compra mediadas por agentes de IA
Durante
anos, empresas investiram para conquistar espaço na memória do consumidor.
Construíram marcas, aperfeiçoaram a experiência de compra e fortaleceram sua
reputação. Esse trabalho continua essencial, mas uma nova variável começa a
ganhar peso.
A
evolução da inteligência artificial deu origem ao chamado Agentic Commerce, modelo em que agentes digitais pesquisam
produtos, comparam fornecedores e até concluem compras seguindo critérios
definidos pelo consumidor. A decisão continua sendo humana, mas parte da
jornada passa a ser executada por sistemas capazes de analisar milhares de
informações em poucos segundos.
A
transformação ocorre em um momento de expansão do comércio eletrônico
brasileiro. Segundo a ABIACOM (antiga ABComm), o e-commerce brasileiro
deve faturar R$ 258,9 bilhões em 2026, com 97,1 milhões de compradores online,
460,9 milhões de pedidos e ticket médio de R$ 562,15.
Para
Felipe Rosa, gerente de marketing, o impacto mais relevante não está na
automatização da compra, mas na forma como as empresas passarão a ser
avaliadas. “Até agora, o desafio era aparecer para o consumidor. Aos
poucos, as empresas também precisarão ser compreendidas pelos agentes de
inteligência artificial que vão intermediar parte dessas decisões. Isso exige
informações consistentes, dados estruturados e processos confiáveis”.
Se a
tecnologia transforma a jornada de compra, o branding assume uma
responsabilidade ainda maior. Segundo Marcela Gasparian, especialista em
direção criativa estratégica, os critérios continuam sendo definidos pelas
pessoas, e eles nascem da percepção construída ao longo do tempo. “Posicionamento,
coerência visual e uma narrativa consistente fortalecem a confiança do
consumidor. Quando a marca comunica esses atributos de forma clara, eles passam
a influenciar não apenas a escolha das pessoas, mas também a maneira como os
sistemas interpretam empresas e produtos”.
Na
prática, isso amplia o papel da direção estratégica. Campanhas deixam de ser
ações isoladas para integrar uma construção contínua da identidade da marca.
Cada descrição de produto, avaliação, política de troca, prazo de entrega e
interação com o público contribui para consolidar uma percepção de valor que
será considerada por consumidores e por agentes inteligentes.
O
potencial dessa mudança já chama a atenção do mercado. Estudo da McKinsey
estima que o Agentic Commerce poderá movimentar entre US$ 3 trilhões e US$ 5
trilhões em transações globais até 2030, impulsionado pela participação
crescente de agentes de inteligência artificial nas decisões de consumo.
Para Marcela,
a discussão deixou de ser tecnológica e passou a ser estratégica. “As
empresas aprenderam a disputar espaço nos mecanismos de busca e nas redes
sociais. Agora começam a se preparar para um ambiente em que qualidade dos
dados, reputação e consistência da marca também influenciarão sistemas
inteligentes responsáveis por recomendar, comparar e comprar”.
Se
durante décadas o desafio foi conquistar a atenção das pessoas, a próxima etapa
será construir marcas capazes de transmitir confiança em um processo de decisão
cada vez mais compartilhado entre consumidores e inteligência artificial.