A rastreabilidade dos materiais e a comprovação dos resultados ambientais estão ganhando espaço nas estratégias de sustentabilidade da indústria. Em um cenário de maior atenção à logística reversa, à gestão de resíduos e ao uso de matérias-primas recicladas, as empresas são cada vez mais desafiadas a demonstrar como incorporam a economia circular às suas operações.
Esse movimento ganha relevância diante de iniciativas regulatórias voltadas à transparência e ao acompanhamento dos resultados ambientais. Em setembro de 2026, o Ministério do Meio Ambiente instituiu o Sistema Nacional de Logística Reversa (Sisrev-BR), voltado ao registro, monitoramento e acompanhamento dos resultados dos sistemas de logística reversa. Paralelamente, a indústria se movimenta para atender às crescentes demandas de comprovação do conteúdo reciclado e de transparência na cadeia produtiva.
É nesse contexto que a Ecoboxes, fabricante de embalagens plásticas retornáveis e reutilizáveis, está ampliando sua estrutura de reciclagem em Paulínia, no interior de São Paulo, e projeta utilizar 70% de plástico reciclado em sua produção até 2027.
A companhia já conta com uma unidade de reciclagem em operação e prevê lançar, em dezembro, uma nova estrutura em outro terreno, também em Paulínia. A expansão faz parte de uma estratégia que busca integrar o reaproveitamento de materiais à fabricação de embalagens, ampliando a capacidade produtiva e fortalecendo a economia circular dentro do próprio negócio.
A criação do Sisrev-BR reforça a importância do registro e do acompanhamento dos resultados da logística reversa, colocando a rastreabilidade entre os temas relevantes para o planejamento industrial. Para as empresas, esse cenário amplia a necessidade de aprimorar os controles sobre a origem, a movimentação e a destinação dos materiais, além de dar maior transparência às informações ambientais.
Reciclagem como estratégia de crescimento
Os números da Ecoboxes demonstram a evolução da participação de matéria-prima reciclada em sua produção. Em 2024, a empresa utilizou 3,6 mil toneladas de material reciclado, o equivalente a 42% das 8,4 mil toneladas de plástico injetadas naquele ano. Em 2025, esse volume chegou a 6 mil toneladas, representando 62,5% das 9,6 mil toneladas injetadas.
Para 2026, a projeção é alcançar 14 mil toneladas de material injetado, sendo 9 mil toneladas de matéria-prima reciclada. Já em 2027, a meta é chegar a 17 mil toneladas de material injetado, com 12 mil toneladas provenientes da reciclagem, o equivalente a 70% do total.
Além do aumento no uso de matéria-prima reciclada, a companhia projeta um crescimento de 670% no material gerado pela unidade de reciclagem entre 2024 e 2027. Para o mesmo período, também prevê comercializar 12 mil toneladas de material reciclado em 2027, ampliando sua atuação na cadeia de reaproveitamento de plásticos.
Para o fundador da Ecoboxes, Cleber Mazza (foto), a ampliação da estrutura representa a continuidade de uma visão de negócio que começou há 15 anos, quando a empresa apostou em embalagens retornáveis e reutilizáveis e na integração entre sustentabilidade, logística reversa e automação.
“Há 15 anos, acreditamos que a sustentabilidade, a logística reversa e a automação seriam fundamentais para o futuro da indústria. Hoje, vemos que essa transformação exige não apenas investir em reciclagem, mas também ter cada vez mais controle sobre a origem dos materiais e os resultados alcançados. A ampliação da nossa estrutura em Paulínia e a meta de utilizar 70% de matéria-prima reciclada até 2027 fazem parte desse compromisso. Queremos crescer de forma responsável, mostrando que a economia circular pode gerar valor para o negócio e contribuir para uma indústria mais eficiente e sustentável”, afirma Mazza.
Uma aposta que antecipou tendências
A trajetória da Ecoboxes começou a partir da visão de Cleber Mazza, que identificou uma oportunidade em um mercado ainda pouco explorado no Brasil: a produção de embalagens plásticas retornáveis e reutilizáveis, especialmente desenvolvidas para sistemas automatizados.
Na época, a aposta em sustentabilidade, logística reversa e automação ainda despertava dúvidas no mercado. A empresa, no entanto, manteve seu direcionamento e investiu em um modelo que hoje está alinhado a temas centrais da transformação industrial.
“Disseram que estávamos indo pelo caminho errado. O mercado ainda não enxergava sustentabilidade, logística reversa e automação com a dimensão que enxergávamos. Nós continuamos. Quinze anos depois, o tempo mostrou que não estávamos no caminho errado. Nós apenas chegamos antes”, relembra o empresário.
As embalagens retornáveis e reutilizáveis desenvolvidas pela companhia são destinadas a operações logísticas que exigem durabilidade, padronização e integração com sistemas automatizados. Ao combinar essas soluções com o uso crescente de plástico reciclado, a Ecoboxes busca prolongar o ciclo de vida dos materiais e contribuir para a redução do desperdício em diferentes etapas da cadeia produtiva.
Transparência e economia circular na agenda ESG
A economia circular propõe repensar a forma como os recursos são utilizados, priorizando o reaproveitamento de materiais e a extensão de sua vida útil. Na indústria, essa abordagem também pode favorecer a eficiência operacional, estimular a inovação e abrir novas oportunidades de negócio.
Com a ampliação de sua estrutura de reciclagem em Paulínia, a Ecoboxes pretende fortalecer a integração entre o reaproveitamento de materiais e a produção, acompanhando as transformações nas exigências ambientais e nas demandas do mercado.
A rastreabilidade, nesse cenário, é um componente importante para dar visibilidade aos processos e sustentar os indicadores ambientais apresentados pelas empresas. A possibilidade de demonstrar a origem e o volume dos materiais reciclados, bem como sua utilização na produção, contribui para uma comunicação ESG mais transparente e baseada em dados.
“Quem chega primeiro não tem todas as certezas. Tem coragem para entrar onde ainda não existe caminho. Foi assim que começamos e é assim que queremos continuar”, afirma Cleber Mazza.
Com uma nova unidade de reciclagem prevista para dezembro e metas de expansão até 2027, a Ecoboxes busca consolidar um modelo em que o crescimento industrial esteja associado ao melhor aproveitamento dos recursos. Uma estratégia que acompanha uma transformação importante na indústria: fazer com que a sustentabilidade esteja presente não apenas nos compromissos ambientais, mas também nas decisões de investimento, produção e gestão, com resultados cada vez mais mensuráveis.