Beraldo utiliza análise individual para acelerar adaptação como volante do PSG
Xavi Bonilla / DeFodi Images

A mudança de posição de Lucas Beraldo no Paris Saint-Germain trouxe novos desafios ao brasileiro. Acostumado a atuar como zagueiro, o jogador passou a exercer a função de volante sob o comando de Luis Enrique, em uma transição que exige ajustes na forma de receber a bola, interpretar os espaços e decidir sob pressão. Nesse processo, a Scout Vision PRO atua no desenvolvimento individual do atleta, com análises em vídeo voltadas às exigências da nova função.

O trabalho busca identificar situações das partidas em que Beraldo pode aprimorar suas decisões e adaptar comportamentos que fazem parte da rotina de um meio-campista. A metodologia utiliza lances do próprio jogador e referências de outros atletas para demonstrar alternativas dentro de campo.

“É um trabalho que me ajuda muito, porque me consegue me falar algumas coisas que eu preciso melhorar, e não só falar, mas sim mostrar em vídeo, em ações comigo mesmo, em ações com outros jogadores, que são exemplos, então acho que é um trabalho muito evolutivo assim, de forma rápida, então acho que só tem a agradecer”, afirmou Beraldo.

Segundo a Scout Vision PRO, a qualidade técnica e a inteligência tática do brasileiro facilitaram a adaptação, mas a mudança de posição exige novas respostas durante as partidas.

“O Beraldo sempre foi um jogador muito inteligente com a bola e sem ela, e isso facilitou bastante a transição. Mas jogar de zagueiro e jogar de meio-campista são mundos diferentes. Mudam o ponto de partida, o campo de visão, o tempo de decisão e a forma de receber a bola. O zagueiro costuma olhar o jogo de frente e com mais espaço. O meio-campista recebe pressionado, muitas vezes de costas, e precisa decidir em segundos para onde o jogo vai”, explicou Pedro Tomaides, fundador e CEO da Scout Vision.

Domínio orientado e tomada de decisão

O acompanhamento tem dois focos principais. O primeiro é o domínio orientado, movimento que permite ao jogador controlar a bola já direcionando o corpo para a sequência da jogada. O trabalho considera o espaço disponível, a origem da pressão adversária e o uso do pé não dominante.

“O nosso trabalho com ele é acelerar essa adaptação, e hoje temos dois focos principais. O primeiro é o domínio orientado, usando inclusive o pé não dominante. Trabalhamos para que ele escolha o lado do domínio conforme o espaço onde está no campo e de onde vem a pressão mais próxima. Parece um detalhe, mas é isso que define se ele sai da pressão com o corpo já virado para o jogo ou se perde tempo”, detalhou Tomaides.

O segundo ponto é a participação de Beraldo na construção das jogadas. Na avaliação da empresa, o comportamento mais conservador, comum à função de zagueiro em determinadas situações, precisa dar lugar a decisões mais incisivas no meio-campo, como passes que rompem linhas de marcação e conduções que aceleram o ataque.

“Por ter sido formado como zagueiro, o Beraldo tende a escolher a solução mais segura, e isso faz sentido na defesa. No meio, o jogo pede mais ousadia: o passe que quebra linha, a progressão com a bola, a decisão que realmente muda o ritmo da partida. Ele tem muita qualidade técnica, então o ajuste não é de técnica, é de tomada de decisão”, afirmou o executivo.

Para trabalhar esse aspecto, a Scout Vision PRO utiliza clipes das partidas do jogador, identificando situações em que havia alternativas mais agressivas. A proposta é discutir essas possibilidades com Beraldo para ampliar seu repertório de decisões e dar mais segurança para executá-las durante os jogos.

“Mostramos, com clipes dos jogos dele, as situações em que havia uma opção mais agressiva e de maior impacto, e a gente constrói junto com ele a confiança para arriscar mais. Esse é o nosso diferencial: o clube trabalha o coletivo, e nós olhamos de forma individual, ajustando o foco a cada rodada”, disse Tomaides.

Análise individual como complemento ao trabalho do PSG

A atuação da Scout Vision PRO não substitui o acompanhamento da comissão técnica do PSG. O serviço complementa a preparação do clube com uma avaliação direcionada às necessidades específicas do jogador, considerando os desafios de sua função e os aspectos que podem ser aprimorados a cada rodada.

No caso de Beraldo, o objetivo é fazer com que os ajustes trabalhados em vídeo se tornem cada vez mais naturais durante as partidas, acompanhando sua evolução como meio-campista.

“O objetivo é que essas decisões fiquem cada vez mais naturais, ao ponto de ele agir por instinto, como um meio-campista. O Beraldo tem qualidade e muita vontade de evoluir, e isso faz toda a diferença”, concluiu Tomaides.

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