Cognição: uma singela percepção que pode mudar uma vida

A palavra ‘cognição’ se refere aos processos mentais envolvidos na compreensão e obtenção de conhecimento. Esses processos cognitivos incluem saber, pensar, lembrar, reconhecer, julgar, resolver problemas e tomar decisões. São funções de nível superior, relacionadas à região frontal do cérebro e abrangem linguagem, imaginação, percepção e planejamento. “Eu, particularmente, gosto de vincular a cognição a uma singela percepção dos pormenores e nuances que captam a intenção”, opina o neurocientista, PhD e biólogo, Dr. Fabiano de Abreu.

De acordo com ele, o desenvolvimento da cognição se dá por diversas maneiras, tendo o precursor genético como gatilho genótipo para o fenótipo resultante. “Uma pessoa de alto QI, se não sofrer prejuízos cognitivos ao longo do caminho da vida desde o nascimento, tende a desenvolver mais a cognição”, detalha.

O ambiente, os hábitos, alimentação, vícios, sono, esportes, leitura de livros, rede social, educação, traumas, cultura local, sequelas de doenças, lesões e todas as pequenas diferenças que tornam cada vida única também são fatores expressivos no desenvolvimento.

Fabiano alerta para a alteração psicossocial que vem moldando uma nova forma de comportamento na sociedade contemporânea. “Numa era de narcisismo coletivo devido a cultura das redes sociais, muitos falam ou escrevem convictos na dissertação. Mas este transtorno afeta a região frontal e emocional do cérebro levando a uma percepção incoerente da certeza, pois o simples fato de estar num “palco”, aspas por ser imaginário, semântico ao virtual, já traz satisfação. Não somente este distúrbio, mas muitos outros presentes em nossa sociedade como consequência de uma ansiedade descontrolada”, exemplifica.

Mesmo em diferentes níveis, a cognição não deixa de existir. “Você pode ter a cognição a nível 10 até 1, onde 1 acredita em tudo e não raciocina ou pesquisa sobre os fatos, mesmo assim, ela está lá. Portanto, quando afetada, deve-se forçar para buscar no inconsciente o raciocínio sobre o que aprender e avaliar. Os que estão em nível mais alto, conseguem de imediato ter uma percepção mais rápida da intenção e os detalhes do que é dito avaliando as probabilidades”, pontua.

Por isso, o especialista considera que a neuroplasticidade é uma necessidade urgente e essencial para o desenvolvimento da cognição. “Funciona com todos, mas quanto mais desenvolvida, menos se é levado ao erro”.

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