Humberto Tobé, Isabella Werneck Zanon
A região de Ribeirão Preto é conhecida por seus serviços de saúde de referência e pela formação de profissionais. O Ministério da Saúde quer que essa força alcance também a porta de entrada do SUS, o posto de saúde, e o Brasil360 é o instrumento para isso.
O ponto mais importante é a ligação entre os níveis de atenção. A política federal determina que os serviços especializados trabalhem em conjunto com a atenção primária. Eles devem estar ligados a um território e a um número definido de postos, compartilhar informações clínicas, decidir junto com as equipes e definir protocolos de encaminhamento e alta. O material lista 18 estratégias para isso, como gestão das filas de espera, monitoramento das faltas às consultas, apoio matricial, transição segura após a alta hospitalar e explicação do caminho ao paciente em linguagem simples.
O Ministério reforça essa rede com o Agora Tem Especialistas e com a saúde digital. O e-SUS APS ganhou videochamadas, prescrição digital e listas de pacientes por condição de saúde. O Programa SUS Digital busca ampliar o acesso e a resolutividade do atendimento. A ideia é que o posto saiba quem foi encaminhado, para onde e quando voltar.
Para sustentar esse trabalho, o modelo de financiamento tem três partes. A fixa considera a situação de cada município. O vínculo mede o cadastro e o acompanhamento da população. A qualidade avalia os indicadores, entre eles pré-natal, desenvolvimento infantil, diabetes, hipertensão, saúde do idoso e prevenção do câncer na mulher. Nas cidades maiores, a referência é de 3 mil pessoas por equipe, contra 4 mil no modelo anterior.
Com um posto forte, o hospital de referência pode se dedicar a quem realmente precisa dele. Por isso, o Ministério investe em resolutividade na porta de entrada. O Novo PAC Saúde prevê 2.600 novas unidades básicas e 10 mil conjuntos de equipamentos, com eletrocardiógrafo digital, ultrassom de bolso, espirômetro, retinógrafo e desfibrilador externo.
O que pode ser resolvido no posto, é resolvido no posto. Os profissionais também são valorizados. As equipes multiprofissionais foram retomadas, e hoje são 6.288 no país. O Mais Médicos tem 26.756 profissionais ativos. Uma portaria de 2025 garante até 16 horas mensais para formação e educação permanente, com a possibilidade de o aprendizado acontecer dentro da própria unidade.
Para o morador da região de Ribeirão Preto, o efeito é sentido no caminho do cuidado. A pessoa começa no posto, é bem avaliada, é encaminhada ao especialista quando precisa e volta para casa com plano de acompanhamento. Isso reduz exames repetidos, encurta a espera e evita que o paciente se perca entre um serviço e outro. É saúde de referência que chega a todos, e não só a quem está perto do hospital.
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Brasil 360. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026.
Humberto Tobé é Pós-Graduado em Gestão da Saúde Pública, trabalha na interlocução com prefeitos, vereadores, gestores municipais e representantes da área da saúde dos municípios paulistas.
Isabella Werneck Zanon é graduanda em Políticas Públicas e Mestranda em Relações Internacionais pela Universidade Federal do ABC (UFABC)