Sul-Americanos tentam se juntar ao Brasil na SSL Gold Cup

Nesta sexta-feira (10), oito equipes disputaram as regatas de qualificação da SSL Gold Cup, no Lago Neuchâtel, em Grandson, na Suíça, incluindo quatro de países sul-americanos: Chile, Uruguai, Peru e Venezuela. As eliminatórias valem vaga para as finais da Copa do Mundo da Vela, que serão entre 28 de outubro a 20 de novembro de 2022, na cidade de Manama, no Bahrein. A SSL Gold Cup tem um formato inovador para a modalidade no mesmo estilo do Mundial da FIFA.

O Brasil está confirmado já na fase de mata-mata da nova competição e terá uma equipe liderada pelo bicampeão olímpico Robert Scheidt, ao lado das multicampeãs Martine Grael e Kahena Kunze. Outro sul-americano que estará nas disputas é a Argentina, comandada pelo ídolo da vela Santiago Lange.

Nas eliminatórias sul-americanas, Uruguai e Chile dividem a liderança após as três provas do dia. Os uruguaios apelidados de La Celeste, como a seleção bicampeã mundial e olímpica de futebol, são liderados por Ricardo Fabini. A equipe ganhou duas regatas nesta sexta-feira, mas viu os chilenos empatarem em pontos após um problema na última prova. O vento no Lago Neuchâtel teve média de 8 nós na direção norte.

”Velejar representando a celeste uruguaia ao lado dos melhores do meu país foi uma das melhores coisas da minha vida”, contou Ricardo Fabini. ”E quero dizer que tenho uma relação ótima com o Brasil e seu povo. Lá comecei a velejar no Optimist na década de 70 e um dos meus melhores resultado foi na Sailing Week de Ilhabela de 2006 quando levamos o Memo Memulini à primeira vitória de um estrangeiro naquele evento”.

Já os chilenos ‘Finis Terrae’ são comandados por Pablo Lorca e têm um brasileiro a bordo. Felipe Etchenique mora em São Paulo (SP) e disputou a Olimpíada de Atlanta 1996 pelo país sul-americano na classe Laser. Recentemente, o velejador ficou com o vice-campeonato do VII Distrito da classe Star no Yacht Club Santo Amaro – YCSA, em São Paulo (SP). Felipe Etchenique correu ao lado de Ubiratan Matos.

”Velejar está sendo uma oportunidade única! É um barco ótimo com vento fraco, médio e forte também! O nível está bastante intenso e as tripulações como Peru e Venezuela velejam muito bem! Mesmo que não estejam bem no ranking, eles possuem muita experiência velejando em um mesmo barco”.

”A regata hoje foi muito difícil! Fizemos um segundo e um primeiro, com alguns erros na última perna da primeira regata, que infelizmente custou a primeira colocação. Mas está sendo muito legal! O lago é lindo e estamos gostando muito!”, disse Felipe Etchenique.

Entre os europeus, República Tcheca, Turquia, Portugal e Bulgária se enfrentam até o fim de semana. Os tchecos lideram com 11 pontos, seguidos pelos búlgaros com sete, turcos com seis e portugueses com cinco.

O Brasil já está classificado para as oitavas-de-final da SSL Gold Cup, que ocorrem de 8 a 12 de novembro. A Polônia está na mesma chave dos brasileiros. Os outros países serão conhecidos após os mata-matas, que se iniciam em 29 de outubro.

Duas nações se qualificam para as quartas-de-final. Se o Brasil passar em primeiro entra no grupo de Itália, Espanha e mais uma equipe a definir nas eliminatórias. Se terminar em segundo, a tripulação verde e amarela encara Nova Zelândia e Austrália, além do primeiro da chave que pode ser França ou Suécia, chave considerada a ”da morte” no campeonato.

Os argentinos estão também nas oitavas, na mesma chave dos Estados Unidos. Se passarem em primeiro, pegam Grã-Bretanha e Dinamarca na fase seguinte. Avançando em segundo, entram no mesmo grupo de Alemanha e Holanda.

Como a Copa do Mundo da Fifa, a SSL GOLD CUP oferece um desafio singular com oportunidades iguais para todas as 40 equipes, que correm exatamente no mesmo barco, o SSL 47, um veleiro de alto- desempenho de 14 metros, entregue pela organização.

Além do chamado Brazilian Storm, apelido dado à equipe brasileira, a SSL Gold Cup terá os melhores velejadores do mundo como Ian Williams e Sir Ben Ainslie (SSL Team GBR), Tom Slingsby (SSL Team Austrália), Anne-Marie Rindom (Dinamarca), Xavier Rohart (SSL Team France), Taylor Canfield (SSL Team United States) e outros mais.

Diferentemente do que ocorre nos Jogos Olímpicos, em que a medal race (regata da medalha) premia o barco mais regular levando em conta os resultados das regatas anteriores, vencerá a SSL Gold Cup a equipe que correr mais rápido na hora da decisão. Os países serão eliminados fase a fase até a Grande Final, com apenas quatro seleções. O troféu será organizado a cada quatro anos pela Sailing Athletes Foundation (SAF).

Confira os países em disputa no Qualificatório da SSL Gold Cup em: https://goldcup.starsailors.com/schedule/

Assim como no futebol, cada time contará com 11 atletas. A bordo do SSL Team Brazil estarão as bicampeãs olímpicas Martine Grael e Kahena Kunze, ao lado de Henrique Haddad, Gabriel Borges, Henry Boening, Juninho de Jesus, Joca Signorini, Alfredo Rovere e Mário Trindade.

Os velejadores serão liderados pelo multicampeão Robert Scheidt, dono de cinco medalhas olímpicas e capitão da equipe. O CEO do SSL Team Brazil é Bruno Prada, que tem duas medalhas olímpicas ao lado de Scheidt na classe Star: uma prata em Pequim 2008 e um bronze em Londres 2012.

O SSL Team Brazil

1 – Alfredo Rovere – proa

2 – Martine Grael – estratégia & grinder

3 – Henry Boening ‘Maguila’ – Grinder

4 – Kahena Kunze – segundo trimmer e grinder

6 – Juninho de Jesus – pit & runners

7 – Gabriel Borges – trimmer & jib/gennaker

8 – Mário Trindade: trimmer & grande/trav

9 – Joca Signorini – tática e grinder

10 – Robert Scheidt – timoneiro

20 – Henrique Haddad (Giga) – tripulante, coach e observador.

CEO: Bruno Prada

Confira o ranking completo em https://www.starsailors.com/ranking.

Sobre a SSL Gold Cup

A SSL Gold Cup reunirá 56 nações entre os membros da World Sailing para coroar a melhor nação da vela a cada dois anos. Em um esporte mecânico em que a corrida pela tecnologia pode atrapalhar a corrida pela glória, a SSL busca uma competição igualitária, em que o talento dos velejadores está na vanguarda, e os campeões se tornam heróis inspiradores de novas gerações. A SSL é um evento especial da World Sailing desde 2017.

Como na Copa do Mundo de futebol, as primeiras rodadas de qualificação selecionam os times que avançam para as fases eliminatórias. Todas as regatas são disputadas com flotilhas de quatro barcos em cada, até as quartas de final. As equipes serão colocadas em chaves, com os oito primeiros colocados garantidos nas quartas-de-final.

Duas flotilhas de quatro competem nas quartas-de-final para selecionar as quatro equipes que participam da única regata da Grande Final. O vencedor da Grande Final será coroado como a Melhor Nação da Vela. A SSL criou um formato inovador. E os fogos de artifício ao final do evento prometem dar um desfecho dramático para esta incrível competição global.

 

Katarine Monteiro
Katarine Monteiro é jornalista especializada em esportes olímpicos e em saúde. Com cobertura de grandes eventos internacionais, como Jogos Pan-Americanos em Lima 2019, Qatar Total Open 2020, Qatar ExxonMobil Open 2019 - tênis em Doha (QT), Semana de Vela de Ilhabela, Transat Jacques Vabre 2019 (França-Brasil), L'Étape Brasil by Tour de France, também já fez coberturas de natação, maratona aquática, vôlei, polo aquático, Fórmula E, vela, skate e boxe, além de eventos esportivos como assessora de imprensa, relações públicas e social media.