Com apoio da FAPERJ, por meio do Programa PISTA, projeto será lançado dia 15 de agosto, sábado, na Igreja Metodista da Rocinha, com programação cultural e início da campanha de arrecadação de quimonos
Um material que seria descartado pode se transformar em oportunidade de trabalho, renda e preservação ambiental. Com apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), por meio do Programa PISTA – Conectando Territórios Inovadores, o Rocinha UP transforma quimonos de jiu-jítsu, tatames e resíduos têxteis em produtos de moda sustentável e artes visuais, unindo economia circular, inclusão produtiva e educação ambiental. O lançamento acontece no dia 15 de agosto, sábado, a partir das 11h, na Igreja Metodista da Rocinha, e marca o início de uma campanha de arrecadação de quimonos em academias do Rio de Janeiro.
A proposta é implantar toda a cadeia de produção na própria comunidade, onde costureiras, modelistas, pilotistas, designers e outros profissionais poderão transformar materiais destinados ao descarte em produtos de maior valor agregado por meio da técnica do upcycling. O projeto também prevê a implantação de postos de coleta no Rio de Janeiro e a capacitação de 30 ambientalistas locais, com aulas digitais de educação ambiental e upcycling disponibilizadas por meio de um Web App exclusivo.
As ações ambientais realizadas na Rocinha estarão integradas ao processo de capacitação e serão destinadas ao tratamento dos resíduos e à coleta dos materiais que serão utilizados na produção das peças. Dessa forma, o Rocinha UP pretende criar uma cadeia sustentável dentro do próprio território, conectando preservação ambiental, formação profissional, economia criativa e geração de renda.
O projeto também é realizado em parceria com o Lapidar Jiu-Jítsu Rocinha, que receberá 20% dos lucros da iniciativa. Além disso, 10% das vendas serão destinados a ações ambientais contínuas na Rocinha, criando um ciclo permanente de reaproveitamento de materiais e investimento no território.
O nome do projeto traduz sua essência. A sigla UP faz referência ao lema “Porque é Urgente Preservar”, reforçando a necessidade de agir diante da crise ambiental, e também ao conceito de upcycling, técnica que reaproveita materiais descartados para criar produtos de maior valor agregado, prolongando sua vida útil e reduzindo impactos ambientais.
Idealizadora do projeto, Paula Machado Maia explica que a iniciativa nasceu da vontade de conectar sustentabilidade, impacto social e valorização dos talentos da Rocinha.
O Rocinha UP mostra que aquilo que seria descartado pode voltar à sociedade com um novo significado. Mais do que produzir acessórios, o projeto gera oportunidades de trabalho, fortalece a economia criativa e prova que a Rocinha também é capaz de desenvolver soluções inovadoras para os desafios ambientais.
Campanha de arrecadação
A campanha de arrecadação de kimonos começa oficialmente no dia 15 de agosto. Os primeiros pontos de coleta serão a Escola de Jiu-Jítsu Lapidar e a sede do Rocinha UP, ambas na Rocinha. A expectativa é ampliar a rede de arrecadação para outras academias da cidade.
“Cada kimono doado representa muito mais do que matéria-prima. Ele ajuda a movimentar uma cadeia produtiva dentro da comunidade, gera trabalho, reduz resíduos e fortalece um modelo de desenvolvimento baseado na economia circular”, destaca a empreendedora.
A iniciativa pretende aproximar praticantes de artes marciais, academias, empresas, moradores e instituições de uma rede colaborativa de reaproveitamento. Quimonos, tatames e outros materiais que seriam descartados passam a ser utilizados como matéria-prima para a criação de novos produtos.
Primeiras peças
Durante o evento serão apresentadas as cinco primeiras peças desenvolvidas pelo projeto, mochila, pochete, ecobag, nécessaire e case para notebook, todas produzidas a partir de kimonos e outros resíduos têxteis.
A coleção será ampliada ao longo dos próximos meses com novos modelos, formando uma linha de dez produtos, que serão comercializados por meio da plataforma digital do Rocinha UP.
A proposta é que o comércio dos produtos contribua para movimentar a economia local, fortalecer profissionais da comunidade e manter o ciclo de reaproveitamento dos materiais. Parte dos recursos também será direcionada às ações previstas pelo projeto, incluindo as iniciativas ambientais contínuas no território.
Programação reúne sustentabilidade, formação e cultura
A programação inclui a palestra “O Lixo que Vale Ouro”, ministrada pela engenheira florestal Aurora Segall; a oficina “Transformação Têxtil”, com Rita de Cássia; a exposição dos produtos; uma feira colaborativa de artesãs locais, organizada pela Escoart em parceria com o Ateliê Metodista da Rocinha; e o lançamento da campanha de financiamento coletivo, criada para ampliar as ações da iniciativa.
Com mais de 20 anos de atuação em projetos de sustentabilidade, Aurora Segall é fundadora do Instituto Terra of Tomorrow e desenvolve trabalhos nas áreas de consultoria ambiental, recuperação de áreas degradadas, economia circular, ESG e crédito de carbono. Também é responsável pela plataforma @reciclereutilizeplante, dedicada à divulgação de práticas sustentáveis, e compartilhará com o público reflexões sobre como resíduos podem se transformar em oportunidades econômicas, sociais e ambientais.
Já a oficina “Transformação Têxtil” será conduzida por Rita de Cássia, costureira, modelista e pilotista. A atividade apresentará técnicas de costura criativa para transformar camisetas de malha em bolsas e outros objetos utilitários por meio do upcycling, demonstrando, de forma prática, como prolongar o ciclo de vida dos materiais têxteis e reduzir o descarte.
A programação será encerrada com um show do rapper Pyetrin, cria da Rocinha e um dos destaques da nova geração do rap da comunidade. Revelado nas batalhas da Roda Cultural da Rocinha, o artista representa a força da produção cultural local e reforça o propósito do Rocinha UP de valorizar talentos do território em diferentes expressões criativas.
Impacto ambiental e social
Entre as metas do Rocinha UP estão a capacitação de agentes ambientais, a oferta de cursos gratuitos, a realização de ações ambientais em diferentes áreas da Rocinha, o fortalecimento do Projeto Lapidar Jiu-Jítsu Rocinha e a consolidação da comunidade como referência nacional em inovação sustentável.
A iniciativa também busca beneficiar diretamente moradores por meio da formação profissional, da geração de renda e da valorização da criatividade produzida no território. A capacitação dos 30 ambientalistas locais, aliada às ações práticas de educação ambiental, pretende ampliar o conhecimento sobre reaproveitamento de resíduos e estimular novas possibilidades de trabalho ligadas à economia circular.
O projeto cria, assim, uma conexão entre esporte, sustentabilidade, moda, arte, tecnologia e desenvolvimento local. Um material que antes teria como destino o descarte passa a integrar uma nova cadeia produtiva, com participação de profissionais e empreendedores do território.
Para Paula Maia, o avanço dessas iniciativas depende da construção de redes colaborativas.
“sustentabilidade só se fortalece quando caminhamos juntos. Queremos ampliar parcerias com empresas, instituições e pessoas que acreditam nesse propósito, porque é dessa união que surgem soluções reais e transformadoras para o meio ambiente e para a sociedade”, encerrou Laura.