Ansiedade, falta de descanso e alguns hábitos podem prejudicar os estudantes na reta final
Mais de cinco milhões de pessoas são esperadas para a primeira prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), em 8 de novembro. Na reta final dos estudos, trocar o sono por mais horas de revisão, exagerar no café ou usar medicamentos por conta própria pode comprometer a saúde e o desempenho dos candidatos. Além de dominar o conteúdo, é importante chegar ao exame em boas condições físicas e emocionais.
O cardiologista cooperado da Unimed-BH, Valério Trindade, explica que o sono participa da organização e da fixação das informações aprendidas. Dormir pouco pode prejudicar justamente as habilidades exigidas durante a prova, como memória, concentração e raciocínio. “Outro cuidado fundamental é evitar o uso excessivo de café e energéticos para compensar noites mal dormidas. Isso pode criar um círculo vicioso, em que o estudante dorme pouco, consome estimulantes para conseguir permanecer acordado e, depois, tem ainda mais dificuldade para dormir”, afirma.
Os energéticos merecem atenção especial por poderem conter grandes quantidades de cafeína e outros ingredientes estimulantes, como o guaraná. Segundo o médico, o consumo excessivo pode provocar aceleração dos batimentos cardíacos, aumento da pressão arterial, ansiedade, tremores. Esses efeitos são mais preocupantes entre pessoas que já apresentam ansiedade, dormem pouco ou têm doenças cardiovasculares. “É importante destacar que o consumo de energéticos não é recomendado para crianças e adolescentes”, ressalta.
Mesmo em um período de tensão, manifestações físicas não devem ser atribuídas automaticamente ao nervosismo. Trindade orienta procurar avaliação quando as palpitações são recorrentes, começam e terminam de forma repentina, são muito intensas ou aparecem durante exercícios. “Palpitações acompanhadas de desmaio, dor forte no peito ou dificuldade importante para respirar exigem atendimento médico imediato”, alerta.
Ansiedade e sinais que merecem atenção
Assim como os sintomas físicos precisam ser observados, é importante reconhecer quando a preocupação com o exame ultrapassa o nervosismo esperado. O psiquiatra cooperado da Unimed-BH, Leonardo Quintão, explica que a ansiedade, por si só, não significa um transtorno e pode contribuir na organização e no cumprimento de tarefas. “A ansiedade normal ajuda a chegar a tempo, pressiona por tomar decisões e concluir.”
Quando os sintomas comprometem o sono ou impedem o estudante de realizar a prova, porém, é necessário buscar avaliação profissional. O especialista destaca que algumas pessoas com transtornos de ansiedade podem precisar de tratamento, mesmo estando bem-preparadas.
Isso não significa recorrer a medicamentos por conta própria para estudar mais ou se acalmar. “Automedicação traz mais problemas. Ajuda profissional é importantíssima para orientar e tratar o que for necessário. Um fármaco não vai sozinho resolver problemas”, afirma Quintão.
Hábitos e apoio ajudam na reta final
O cuidado também passa pela organização da rotina, com espaço para descanso e atividades que ajudem a aliviar a tensão. “Regras básicas de higiene de sono, controlar o tempo de tela, técnicas de relaxamento, lazer saudável e atividade física, ajudam muito”, orienta o psiquiatra
Para o cardiologista, entre os períodos de estudo, pequenas pausas para levantar e caminhar ajudam a aliviar a tensão e o cansaço. Manter a hidratação e praticar exercícios físicos adequados à condição de cada pessoa complementam essas medidas. “Na véspera da prova, a melhor estratégia não é estudar até a exaustão, mas procurar dormir bem, alimentar-se adequadamente, manter-se hidratado e chegar ao exame em boas condições físicas e emocionais”, recomenda Valério Trindade
Ao lado desses hábitos, o apoio de familiares e professores pode ajudar o candidato a lidar com as expectativas. Leonardo Quintão destaca ai importância de reconhecer o valor de todo o percurso, sem restringi-lo à aprovação. “O aprendizado nessa trajetória não se perde. Sempre pode servir ao amadurecimento. Sucesso não é sempre passar na prova”, afirma o psiquiatra.
Cuidados para a reta final do Enem
• Preserve o sono. Evite trocar o descanso por mais horas de revisão.
• Cuidado com os estimulantes. Não use café ou energéticos para compensar noites mal dormidas. Energéticos não são recomendados para crianças e adolescentes.
• Não se automedique. Medicamentos para estudar ou se acalmar exigem orientação profissional.
• Faça pequenas pausas. Levante-se, caminhe e intercale os estudos com momentos de descanso.
• Mantenha a hidratação e a alimentação. Priorize a água ao longo do dia e alimente-se adequadamente.
• Reserve espaço para o bem-estar. Controle o tempo de tela e mantenha lazer e atividade física compatível com sua condição.
• Procure ajuda quando necessário. Ansiedade que compromete o sono ou impede a realização da prova merece avaliação profissional.
Sinal de alerta: palpitações acompanhadas de desmaio, dor forte no peito ou dificuldade importante para respirar exigem atendimento médico imediato.