O encerramento de setembro inicia uma nova fase de preparação das micro e pequenas empresas para a Reforma Tributária. Até dezembro, os empresários precisarão adaptar procedimentos internos, testar sistemas, projetar impactos financeiros e revisar contratos para chegar a 2027 com a operação ajustada às novas regras.
As definições tomadas no período anterior estabeleceram que as empresas regularmente enquadradas no Simples Nacional que não optaram pelo recolhimento de IBS e CBS pelo regime regular continuarão com esses tributos dentro da sistemática do Simples no primeiro semestre de 2027. Para quem escolheu o modelo híbrido, ainda existe a possibilidade de desistência até 30 de novembro. Uma nova opção pelo regime regular será aberta em março de 2027, com validade para o segundo semestre.
Na avaliação de Anderson Diogenes Pavanello, CEO do Meu Contador Online, deixar a preparação para janeiro pode significar começar tarde demais. “O maior erro é acreditar que a Reforma Tributária começa em janeiro de 2027. Janeiro é apenas uma data no calendário. Para a empresa que chegar despreparada, os problemas terão começado muito antes.”
Para os últimos meses de 2026, Pavanello aponta três frentes que devem receber atenção dos pequenos negócios.
1. Colocar sistemas e emissão de notas à prova
A primeira mudança prática ocorre em 1º de novembro de 2026. A partir dessa data, microempresas e empresas de pequeno porte do Simples Nacional que prestam serviços sujeitos à emissão de NFS-e deverão utilizar o padrão nacional por meio do Emissor Nacional. O procedimento poderá ser realizado pela aplicação web ou mediante integração via API.
No domingo (28), uma atualização publicada pelo Portal da NFS-e informou que os optantes pelo Simples estarão habilitados a utilizar os emissores nacionais a partir de 1º de novembro, independentemente da opção adotada pelo município.
Com isso, outubro deve ser utilizado para verificar cadastros, integrações e sistemas, além de executar testes antes da entrada em vigor da mudança.
“Às vezes, uma enorme mudança tributária se apresenta ao empresário de uma maneira muito pequena: uma nota fiscal que simplesmente não sai.”
O impacto de uma falha desse tipo pode ultrapassar a questão tributária e alcançar diretamente o faturamento.
“Não espere novembro para descobrir se novembro funciona. Teste em outubro.”
2. Projetar efeitos sobre impostos, margens e caixa
Também será necessário construir projeções para 2027 levando em conta mais do que o valor dos tributos. Créditos, fornecedores, perfil dos clientes, preços praticados, margens, prazos de recebimento e capital de giro precisam fazer parte das contas.
A necessidade é ainda mais imediata para quem escolheu, em setembro, o recolhimento regular de IBS e CBS, já que essa decisão poderá ser revertida até 30 de novembro.
A orientação de Pavanello é comparar cenários e observar como cada alternativa poderá repercutir na rotina financeira da empresa.
“A pergunta deixa de ser apenas ‘quanto imposto vou pagar?’ e passa a ser ‘quanto dinheiro vai sobrar na minha empresa depois que tudo acontecer?’”
3. Conferir contratos e formação de preços
Os contratos firmados em 2026 poderão permanecer válidos durante o período de implementação das novas regras. Por isso, é necessário avaliar antecipadamente valores, margens, cláusulas e condições comerciais.
“O papel não sabe que houve uma Reforma Tributária. O empresário precisa saber.”
A análise ganha relevância em contratos de médio e longo prazo e nas negociações de preços para 2027. O objetivo é verificar se os acordos estabelecidos atualmente continuarão compatíveis com a realidade tributária e financeira da empresa no próximo ano.
Novembro marca a primeira prova prática
A obrigatoriedade da NFS-e nacional transforma novembro no primeiro marco concreto dessa etapa de preparação. Já as regras de IBS e CBS para os optantes pelo Simples passarão a produzir efeitos em 1º de janeiro de 2027.
O Meu Contador Online acompanha esse processo e orienta sua base de aproximadamente 4,7 mil empresas ativas. Desse total, 3.943 estão enquadradas no Simples Nacional.
Para Pavanello, os próximos três meses podem estabelecer diferenças na maneira como as empresas enfrentarão a transição.
“30 de setembro fecha uma porta, mas não fecha a Reforma. Outubro abre outra: a porta da vida real da empresa.”
“A Reforma vai chegar para todos. A diferença é que alguns empresários vão encontrá-la depois de três meses de testes, contas e negociações; outros vão conhecê-la quando ela já estiver batendo no caixa.”
A recomendação para o último trimestre é direta: “Não espere 2027 para começar a viver 2027.”
Sobre o Meu Contador Online
A trajetória do Meu Contador Online tem origem na tradição contábil iniciada em 1966, em Santo André (SP). Atualmente, a empresa reúne experiência, tecnologia e atendimento humano e conta com aproximadamente 4,7 mil clientes ativos em 558 municípios de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal.
A companhia possui cerca de 80 profissionais e atende principalmente micro e pequenas empresas. Os optantes do Simples Nacional representam 84,4% da carteira. A atuação é concentrada especialmente em prestadores de serviços e inclui abertura de empresas, troca de contabilidade, migração de MEI para ME e atividades contábeis, fiscais e trabalhistas.
A operação combina recursos tecnológicos para simplificar processos com contato direto entre os empresários e os profissionais responsáveis por suas empresas.