Profissionais relatam que problemas psicossociais afetam diretamente seus desempenhos no trabalho durante a pandemia; papel da empresa é fundamental para alterar o quadro


A pandemia de COVID-19 tem sido cruel no mundo inteiro – especialmente, no Brasil. Com o aumento do número de casos e de mortes nos últimos dois meses, muitas pessoas se sentem extremamente abaladas com toda a situação. O esgotamento mental, sofrimento emocional e desânimo para fazer as tarefas do dia a dia e do trabalho são algumas coisas relatadas por muitas pessoas pelas redes sociais, indicando que a saúde mental se tornou um tópico fundamental durante a pandemia. De acordo com dados da American Psychological Association (APA), publicados em seu relatório anual, a saúde mental dos trabalhadores está entre as principais tendências da área da psicologia. 

O relatório ainda mostra que cerca de dois terços dos trabalhadores admitem que problemas psicológicos e emocionais prejudicam de maneira significativa o desempenho no trabalho durante a pandemia. Isso porque, além de toda a situação mundial e casos em que o trabalhador perde um ente querido para a doença, também há os problemas enfrentados no trabalho remoto, sobretudo para as mulheres, que acabam cuidando mais dos filhos e da casa. 

Uma pesquisa feita pela Lyra Health e pela National Alliance of Healthcare Purchaser Coalitions diz que o trabalho remoto também dificulta a detecção de problemas emocionais e psicológicos pela empresa, o que pode ser um obstáculo na hora de auxiliar o funcionário. A tendência é de que, nos próximos anos, as empresas passem a ampliar programas de conscientização e de atendimento à saúde mental de seus funcionários, para evitar que isso seja um problema constante, devido aos impactos da COVID-19 na vida das pessoas. 

Um relatório da Business Group on Health Survey aponta que quase metade das grandes empresas nos EUA já estão capacitando seu corpo gerencial para cuidar da saúde mental de suas equipes, e 54% pretendem oferecer consultas virtuais gratuitas. O departamento de Recursos Humanos das empresas, por exemplo, podem ser essenciais para que isso se torne realidade: boa parte é formada em uma faculdade de psicologia, e pode abordar os funcionários de uma maneira humanizada e, de fato, preocupada com o bem-estar deles. O ideal é que o RH sempre acompanhe as equipes, para que os trabalhadores se sintam acolhidos em seus locais de trabalho, além de oferecer programas de conscientização sobre saúde mental e momentos de descompressão, para ajudar a aliviar conflitos e tensões no trabalho. 

Amanda Mathias
Atua como assessora de imprensa, redatora e Link Builder na Conversion. Escreve sobre cidades, cotidiano, tecnologia, e-commerce e cultura.

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