
Daniel Gadelha – A sintonia é uma construção, né? Os anos foram lapidando nossas conversas, criando atalhos e facilitando a comunicação. Começamos em 2017, e agora em 2021 temos um time bem coeso e que se conhece bem. A banda surgiu para resgatar um antigo projeto que eu tinha com o Álvaro Abreu (baterista), chamado Redoma. Ele me mostrou que as músicas desse trabalho eram mais atuais do que nunca e que valia a pena, pelo cenário brasileiro meio nebuloso que estamos passando, retomar o projeto e difundir a mensagem. Então o Rematte começa (ou recomeça) tendo como base canções de 14 ou 15 anos atrás, que vieram a compor nosso EP de 2018, e serviram como alicerce para composições mais atuais.
Daniel Gadelha – Os sons nacionais que mais tenho ouvido hoje são mais alternativos, do hip hop, por exemplo. Mas gosto muito de um trabalho aqui do Ceará chamado “Matheus Fazeno Rock”, que tem persistido a alguns meses na minha playlist. É uma fusão de MPB com rock e uma interpretação bem emocional, recomendo! De rock gringo, o Deftones e seu disco mais recente também me tocaram bastante, até pela pegada mais pop, que é diferente na trajetória deles, mas ainda com o peso característico!
Que dica você daria a músicos brasileiros da cena, que têm medo de experimentar e inventar coisas novas em suas músicas?
Daniel Gadelha – Encontre algo que seja seu, experimente sem pudor, teste, e quando achar que encontrou, milite nisso! Vá se relacionando com sua ideia e, dessa forma, sua narrativa autoral será rica, honesta e poderá contribuir no universo!
Daniel Gadelha – Como compositor, pela força da língua portuguesa, eu me animo muito a escrever graças ao trabalho do Chico Buarque, Belchior, Aldir Blanc, Caetano, enfim, os craques da MPB, sem esquecer de compositores mais modernos, como Chico Science e Marcelo Yuka. Já os frontmen, eu me animo a cantar ouvindo muito o Zack De La Rocha (RATM), Chris Cornell (Soundgarden, Audioslave), Chino Moreno (Deftones), Bob Marley e Noel Gallagher (Oasis). Cada um por motivos bem distintos. Não haveria apenas um.
Daniel Gadelha – É um misto. Eu gosto do acaso de improvisar coisas durante os ensaios, testar… E o que fica bom vai permanecendo. Não há um planejamento melódico organizado. É muito da interpretação do texto, da métrica, do que soa bem, do que se pronuncia bem. Muita tentativa e erro mesmo. Quando a melodia já tem um certo caminho, começo a escrever a letra. Mas também há vezes que vem os dois ao mesmo tempo. É feeling! Rsrsrs
Como a música surgiu em sua vida?
Daniel Gadelha – Surgiu desde o nascimento mesmo. Na minha família se ouvia muita música brasileira em geral: Jorge Ben, Gil, Caetano, Luiz Gonzaga, Chico, Fagner, Ednardo e mais tarde passei a ouvir muito Raimundos, Blur, Oasis e alguns sons pesados, como Metalica, Iron Maiden, nos anos 2000 o New Metal também teve bastante impacto, dentre outros sons. De forma que entendo a vida como períodos, com trilhas sonoras diferentes, e que hoje se somam com igual força na minha produção.
Qual foi o melhor show da história do Rematte para você? Conta pra gente.
Daniel Gadelha – Apesar de Festivais importante que tocamos, tenho um carinho especial pelos shows do Praxedes Bar (bar de Fortaleza, com uma vibe de pub, onde bandas undergrounds da cidade se apresentavam), pelo momento de retomada que eles
representaram. É um local acolhedor, onde tivemos oportunidade de produzir nossos shows e eu pude conhecer diversas bandas e me reconectar com a cena, já que fiquei fora por muito tempo.
Daniel Gadelha – Com certe “Sob o Luar”, pois é uma faixa mais recente, que traduz bem o que a banda se propõe a fazer agora. Um texto forte, uma lírica bem particular nossa, acho foda!
Quais os planos para 2021? Alguma previsão de lançar material inédito?
Daniel Gadelha – Sim! Em 2021 estamos planejando lançar um grupo de faixas. Não sabemos ainda qual o tamanho disso. Será um EP, ou um álbum, mas estamos em discussão. A ideia é começar a produzir o quanto antes!