O que verificar nos rótulos antes de comprar suplementos
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No primeiro semestre de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) participou de uma operação que desarticulou um esquema de fabricação clandestina de suplementos alimentares em Minas Gerais. Entre as irregularidades identificadas estavam condições sanitárias inadequadas, indícios de uso de ingredientes não autorizados e a comercialização de produtos anunciados como medicamentos, com promessas de efeitos terapêuticos.

O caso chama a atenção para a segurança desses produtos, frequentemente presentes na rotina dos consumidores. Segundo a Pesquisa Nacional Suplementos Alimentares 2026, realizada pelo Instituto Febrafar de Pesquisa e Educação Corporativa (Ifepec), 65% dos entrevistados que consomem suplementos relatam utilizá-los diariamente ou quase todos os dias.

Para uma compra segura, a Anvisa recomenda adquirir suplementos em estabelecimentos físicos ou sites confiáveis e evitar produtos de procedência desconhecida. Também é importante verificar as informações dos rótulos, como ingredientes, concentrações, recomendações de uso e possíveis irregularidades.

Segundo o nutricionista Pedro Ferrão, responsável pelo embasamento científico dos suplementos Bigens, uma das principais dificuldades dos consumidores é a falta de clareza sobre a quantidade dos ingredientes por dose.

“O consumidor também pode se confundir ao olhar apenas as informações de destaque na frente da embalagem, sem consultar a tabela nutricional e a lista de ingredientes. Por isso, é importante verificar a composição completa antes de escolher um suplemento”, afirma.

Rótulos devem informar composição, dosagens e advertências

Desde a publicação da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 243, em 2018, os suplementos alimentares seguem exigências relacionadas à composição, segurança e rotulagem. Segundo a Anvisa, as embalagens devem apresentar a expressão “SUPLEMENTO ALIMENTAR”, em caixa alta, negrito e próxima à marca, acompanhada da forma de apresentação, como cápsulas, pó ou líquido.

A identificação pode incluir ainda os nomes dos nutrientes, substâncias bioativas ou enzimas presentes na fórmula, além de suas fontes. Já a tabela nutricional deve informar as quantidades dos componentes declarados, enquanto a lista de ingredientes permite conhecer a composição completa do produto.

Outras informações obrigatórias são a indicação do público ao qual o suplemento se destina, a quantidade e a frequência recomendadas de consumo, além das instruções de conservação. A embalagem também deve trazer advertências, como “Este produto não é um medicamento”, “Não exceder a recomendação diária de consumo indicada na embalagem” e “Mantenha fora do alcance de crianças”.

A leitura de todas essas informações permite identificar características que nem sempre ficam evidentes na frente da embalagem ou ainda entender rótulos que muitas vezes geram dúvidas. É o caso dos suplementos de ômega-3, que podem apresentar diferentes formas químicas e concentrações de ácidos graxos.

Quem pesquisa o que é ômega 3 tg, por exemplo, encontra uma apresentação em que os ácidos graxos estão ligados a triglicerídeos, estrutura naturalmente encontrada no óleo de peixe. Outra forma utilizada é a de ésteres etílicos (EE), obtida por processamento do óleo.

Além dessa distinção, é importante conferir a concentração de EPA e DHA indicada na tabela nutricional, pois as quantidades podem variar entre os produtos. Dessa forma, o consumidor consegue comparar o conteúdo oferecido por porção, sem considerar apenas as informações de destaque da embalagem.

A finalidade de cada ingrediente também precisa ser considerada. Conhecer a diferença entre colágeno e creatina, por exemplo, ajuda a compreender por que esses suplementos apresentam composições e aplicações distintas. Enquanto o colágeno é uma proteína estrutural presente em tecidos como pele e cartilagens, a creatina participa do fornecimento de energia para atividades musculares de alta intensidade.

Promessas de resultados milagrosos são sinais de alerta

Além das informações nutricionais, as alegações de benefícios presentes nas embalagens e propagandas devem ser analisadas com atenção. A Anvisa alerta que suplementos alimentares não são medicamentos e, portanto, não podem ser anunciados como produtos destinados a prevenir, tratar ou curar doenças.

Entre as alegações proibidas estão promessas de emagrecimento, aumento da imunidade, melhora do desempenho sexual e tratamento de condições como Alzheimer, Parkinson e câncer. Anúncios que oferecem soluções para ansiedade, queda de cabelo, insônia ou outros problemas de saúde também podem indicar propaganda irregular.

A agência explica que as alegações autorizadas devem ter comprovação científica e seguir os textos previstos na regulamentação. Em geral, aparecem expressões como “auxilia”, “contribui” ou “pode contribuir”, associadas a determinados benefícios, como a formação de ossos e dentes ou a manutenção da pele.

Outro cuidado é desconfiar de produtos anunciados como substitutos de uma alimentação equilibrada. Segundo a Anvisa, suplementos são destinados a complementar a dieta, não a substituir alimentos convencionais.

Regularização dos suplementos pode ser consultada na Anvisa

Verificar a situação sanitária do suplemento é outra medida recomendada antes da compra. A Anvisa mantém um sistema de consulta pública que permite identificar produtos regularizados e conferir informações sobre fabricantes e processos de regularização.

A embalagem de um suplemento registrado deve apresentar a expressão “Alimento registrado na Anvisa”, acompanhada do número correspondente. Já os produtos notificados devem trazer a identificação “Alimento notificado na Anvisa”, seguida do número do processo de notificação.

Para conferir essas informações, o consumidor pode acessar o sistema de consulta de alimentos da agência, selecionar a busca avançada e informar o número indicado na embalagem. Quando o resultado aparece como “ativo”, significa que o produto está regularizado. A situação “inativo” indica que ele não está regularizado.

As exigências de regularização foram atualizadas pela RDC nº 843/2024. Em setembro de 2026, terminou o prazo para que suplementos que foram incluídos nas regras de transição fossem notificados à Anvisa.

A agência ressalta, entretanto, que produtos devidamente comunicados à vigilância sanitária local até agosto de 2024 e fabricados até 1º de setembro de 2026 podem continuar sendo comercializados até o vencimento, mesmo sem a notificação. Por isso, a ausência desse número nem sempre significa irregularidade.

Além de verificar a regularização do suplemento, também é importante pesquisar sobre a empresa fabricante e seus processos de produção. Segundo o nutricionista Pedro Ferrão, a qualidade desses produtos depende da utilização de matérias-primas adequadas, da escolha de fornecedores confiáveis e da adoção de procedimentos padronizados de fabricação e controle.

O especialista ressalta ainda a importância de realizar análises do produto final para confirmar sua composição e garantir que as informações apresentadas nos rótulos correspondam ao conteúdo comercializado e às exigências regulatórias.

Orientação profissional é indispensável

A leitura dos rótulos e a consulta à regularização são importantes, mas não substituem a avaliação individual das necessidades nutricionais. De acordo com a Anvisa, o uso de suplementos deve considerar fatores como alimentação, condições de saúde, idade e prática de atividades físicas.

Por isso, a agência recomenda consultar um profissional de saúde antes de iniciar a suplementação, lembrando que mesmo os suplementos regularizados podem oferecer riscos quando utilizados de maneira inadequada. Médicos e nutricionistas podem avaliar a necessidade do produto e orientar sobre dosagem, frequência e duração do consumo.

Depois da compra, o consumidor deve respeitar as recomendações de uso e ficar atento a possíveis reações inesperadas. Caso perceba algum efeito adverso, a Anvisa recomenda procurar um profissional de saúde para receber novas orientações.

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