O financiamento imobiliário é o crédito de longo prazo que permite comprar um imóvel pagando à instituição financeira em parcelas mensais, com o próprio bem em garantia.
Quem assina um contrato desse tipo assume uma dívida que costuma acompanhar o comprador por décadas, e a aprovação depende menos da vontade de comprar do que da renda comprovada, do histórico de crédito e da situação dos documentos do imóvel e do vendedor.
Este guia percorre o caminho inteiro, da simulação inicial até o registro em cartório, porque a operação só termina quando o crédito é registrado na matrícula do imóvel.
Também trata do que raramente aparece nas simulações: os custos que não cabem na parcela e as situações em que financiar é a pior escolha disponível.
- O que é financiamento imobiliário e como ele funciona na prática?
- Quem paga o que: o papel do banco, do comprador e do vendedor
- Entrada, percentual financiado e prazo
- Alienação fiduciária: por que o imóvel fica no nome do credor
- Quanto de renda é preciso comprovar para financiar um imóvel?
- A regra de comprometimento de renda
- Composição de renda com cônjuge ou outra pessoa
- O que a instituição analisa além do salário
- Quais linhas de crédito habitacional existem no Brasil?
- Sistema Financeiro da Habitação (SFH)
- Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI)
- Programa habitacional federal e faixas de renda
- Como o FGTS pode reduzir o valor das parcelas?
- Uso do FGTS na entrada e na amortização do saldo devedor
- Requisitos do trabalhador para ter direito ao saque
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O que é financiamento imobiliário e como ele funciona na prática?
O financiamento imobiliário é o empréstimo de longo prazo em que a instituição paga o vendedor à vista e o comprador quita em parcelas.
A operação envolve três posições distintas, porque a instituição financeira entrega o dinheiro ao vendedor no ato da compra, o comprador assume o compromisso mensal com juros e correção, e o imóvel permanece vinculado ao contrato como garantia até que a última parcela seja paga.
Quem paga o que: o papel do banco, do comprador e do vendedor
Na prática, a instituição financeira antecipa o valor combinado, o vendedor recebe à vista e o comprador passa a dever ao credor.
Essa separação explica por que a negociação do preço acontece entre comprador e vendedor, enquanto a análise de risco, o prazo, a taxa e a liberação do dinheiro ficam sob critérios da instituição financeira que assume o papel de credora na operação.
O vendedor sai da relação assim que recebe. A partir daí, qualquer atraso, renegociação ou quitação antecipada envolve apenas comprador e credor.
Cooperativas de crédito, bancos públicos e bancos privados operam nesse mercado com regras próprias de análise, o que faz a mesma pessoa receber respostas diferentes em instituições diferentes.
Entrada, percentual financiado e prazo
A entrada é a parte do preço paga com recursos próprios, e o restante é o valor efetivamente financiado.
Nenhuma instituição financia o preço integral por padrão, de modo que o comprador precisa reunir uma quantia inicial que costuma ser expressa como percentual do valor de avaliação do imóvel, e não do valor pedido pelo vendedor na negociação.
A diferença entre esses dois valores é uma das causas mais comuns de frustração. Quando a avaliação da instituição financeira vem abaixo do preço negociado, o comprador precisa cobrir a diferença do próprio bolso.
O prazo alonga a dívida e reduz a parcela, mas aumenta o total pago em juros ao longo do contrato. Prazos longos costumam ser a única forma de encaixar a parcela no limite de renda exigido.
Alienação fiduciária: por que o imóvel fica no nome do credor
Alienação fiduciária é o mecanismo pelo qual a propriedade do imóvel fica registrada em nome do credor até a quitação.
O comprador tem a posse e mora no imóvel normalmente, mas a titularidade plena só é transferida quando a dívida acaba, arranjo que reduz o risco da operação e é o que torna possível oferecer prazos longos com juros menores do que os de um empréstimo pessoal.
Funciona como o penhor de um objeto de valor: quem empresta fica com a garantia até receber de volta. A diferença é que aqui o bem continua sendo usado por quem deve.
Esse desenho tem uma contrapartida dura.
O rito de retomada do imóvel em caso de inadimplência é mais rápido do que em contratos antigos com hipoteca, o que torna o atraso prolongado um risco concreto de perda do bem.
Quanto de renda é preciso comprovar para financiar um imóvel?
A renda define o teto da parcela, e o teto da parcela define quanto o comprador consegue financiar.
Instituições financeiras trabalham com um limite de comprometimento da renda mensal familiar, calculam a parcela máxima que cabe nesse limite e, a partir dela, chegam ao valor de crédito possível, invertendo a lógica de quem começa escolhendo o imóvel e só depois descobre quanto o próprio orçamento realmente suporta.
A regra de comprometimento de renda
O comprometimento de renda é o percentual do rendimento mensal que a parcela pode ocupar.
Esse percentual funciona como uma trava de segurança para as duas partes, porque protege a instituição financeira do risco de inadimplência e evita que o comprador assuma uma prestação que inviabiliza o orçamento doméstico em qualquer imprevisto de saúde ou de emprego.
O cálculo considera a renda bruta familiar comprovada, não o que sobra no fim do mês. Por isso quem tem outras dívidas costuma ver o limite encolher.
Vale simular a parcela antes de procurar o imóvel. Descobrir o teto primeiro evita meses de busca em uma faixa de preço inalcançável.
Composição de renda com cônjuge ou outra pessoa
Composição de renda é a soma dos rendimentos de duas ou mais pessoas para elevar o limite de crédito.
O recurso amplia a capacidade de compra, mas cria uma obrigação solidária, o que significa que todos os participantes respondem pela dívida inteira e o histórico de crédito de qualquer um deles pode derrubar a aprovação da operação inteira.
A composição costuma incluir cônjuge, companheiro, parentes ou terceiros, conforme a política de cada instituição. Sair da composição depois de assinado exige refazer o contrato, o que nem sempre é aceito.
O que a instituição analisa além do salário
Além da renda, entram no cálculo o histórico de crédito, as dívidas em aberto e a estabilidade da ocupação.
Registros de inadimplência, uso intenso de crédito rotativo e vínculos recentes de trabalho pesam na decisão, e profissionais autônomos costumam precisar de documentação adicional para comprovar rendimento, como extratos bancários e declarações contábeis de vários meses.
A idade do proponente também importa, porque o prazo do contrato somado à idade atual tem limite. Quanto mais velho o comprador, menor o prazo máximo disponível.
Quais linhas de crédito habitacional existem no Brasil?
O crédito habitacional brasileiro se organiza em dois sistemas principais, além dos programas públicos voltados a faixas de renda específicas.
Cada sistema tem regras próprias de teto de valor do imóvel, origem dos recursos e possibilidade de uso do fundo de garantia, e conhecer essa divisão ajuda a entender por que a mesma proposta muda de condição conforme o preço do bem escolhido.
Sistema Financeiro da Habitação (SFH)
O SFH reúne as operações com recursos da poupança e do fundo de garantia, sujeitas a teto de valor do imóvel.
Suas regras vêm do Conselho Monetário Nacional e são acompanhadas pelo Banco Central, que mantém aberto o conjunto de dados sobre a taxa média de juros do crédito imobiliário contratado por pessoas físicas e publica as séries de crédito habitacional do país.
Enquadrar a compra no SFH costuma significar juros menores e permissão para usar o fundo de garantia. Em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, porém, muitos imóveis ultrapassam o teto.
Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI)
O SFI atende operações fora dos limites do SFH, com condições livremente pactuadas entre as partes.
É o caminho usado quando o valor do imóvel supera o teto do sistema tradicional ou quando o comprador não cumpre algum requisito de enquadramento, e a contrapartida costuma ser um custo total mais alto, já que as taxas não seguem a mesma regulação de teto.
Imóveis comerciais, terrenos e compras de investidores também transitam por esse sistema. A negociação individual ganha peso, e comparar propostas passa a valer ainda mais.
Programa habitacional federal e faixas de renda
O programa habitacional federal organiza o crédito por faixas de renda familiar, com subsídios para as menores.
As condições, os limites de renda e as regras de contratação são publicados nos canais oficiais do governo federal em gov.br, e mudam com alguma frequência, o que torna a consulta direta à fonte oficial mais confiável do que qualquer resumo publicado por intermediários do mercado.
Nas faixas iniciais, o subsídio reduz o valor financiado e a taxa de juros. Há exigência de renda familiar dentro do limite e ausência de imóvel residencial registrado em nome do comprador.
Como o FGTS pode reduzir o valor das parcelas?
O FGTS pode entrar na entrada, na amortização do saldo devedor ou no pagamento de parte das parcelas.
O uso é regulado por condições específicas de tempo de trabalho, situação patrimonial do trabalhador e valor de avaliação do imóvel, e as regras oficiais são publicadas pelos canais do governo federal em gov.br, que consolida os requisitos de utilização do fundo na moradia própria.
Uso do FGTS na entrada e na amortização do saldo devedor
O saldo do fundo pode compor a entrada na assinatura ou abater o saldo devedor durante o contrato.
Usar o recurso na entrada aumenta o valor pago à vista e reduz o montante financiado, enquanto o uso posterior na amortização derruba o saldo devedor e permite escolher entre encurtar o prazo do contrato ou diminuir o valor das parcelas seguintes.
Encurtar o prazo reduz mais os juros totais. Diminuir a parcela alivia o orçamento imediato. A escolha depende do que aperta mais no momento.
Há intervalo mínimo entre uma utilização e outra, o que exige planejamento de quem pretende amortizar de forma recorrente.
Requisitos do trabalhador para ter direito ao saque
O trabalhador precisa cumprir tempo mínimo sob o regime do fundo e não ter financiamento ativo no sistema habitacional.
Também não pode ser proprietário de imóvel residencial no município onde mora ou trabalha, incluindo cidades vizinhas e da mesma região metropolitana, condição que costuma surpreender quem já tem um bem herdado ou uma fração de imóvel registrada em seu nome.
O imóvel comprado precisa ser residencial e urbano, destinado à moradia do titular. Uso para veraneio ou renda de aluguel fica fora das regras.
Limites de valor do imóvel que permitem o uso do fundo
Existe um teto de valor de avaliação acima do qual o imóvel deixa de aceitar recursos do fundo.
Esse limite é revisado periodicamente pelo conselho gestor do fundo e vale para o valor de avaliação, não para o preço negociado, detalhe que faz diferença quando comprador e vendedor combinam um valor e a instituição financeira chega a outro na vistoria técnica.
Antes de contar com o recurso, vale confirmar o teto vigente na fonte oficial. Planejar a compra com base em um limite desatualizado desmonta o orçamento na reta final.
Que documentos o comprador, o vendedor e o imóvel precisam ter?
A liberação do crédito depende de três frentes documentais: a pessoa que compra, a pessoa que vende e o próprio imóvel.
Falhas em qualquer uma delas travam o desembolso mesmo com o crédito já aprovado, e essa é a etapa em que a maior parte das compras atrasa, porque o comprador costuma acompanhar apenas os próprios papéis e ignora a situação da matrícula do bem.
Documentos pessoais e comprovação de renda exigidos do comprador
O comprador apresenta documento de identificação, comprovante de estado civil, comprovante de residência e as provas de renda.
A forma de comprovar rendimento muda conforme o vínculo, já que assalariados costumam apresentar holerites e declaração de imposto de renda, enquanto autônomos e profissionais liberais reúnem extratos bancários, contratos de prestação de serviço e demonstrativos contábeis assinados.
Certidões de regularidade fiscal também podem ser solicitadas. A lista varia entre instituições, e conferir a relação completa antes de assinar a proposta economiza semanas.
Certidões do vendedor que a instituição solicita antes de liberar
Do vendedor, a instituição financeira pede certidões que mostrem se existe processo capaz de atingir o imóvel.
O objetivo é descobrir dívidas, ações trabalhistas, execuções fiscais ou disputas de família que possam anular a venda depois de concluída, situação conhecida como fraude à execução e que transformaria a garantia do contrato em um ativo contestável na Justiça.
Vendedor pessoa jurídica exige documentação societária adicional. Quando há mais de um proprietário, cada titular precisa apresentar o próprio conjunto de certidões.
Documentação do imóvel e pendências que travam o desembolso
A matrícula atualizada do imóvel é o documento central, porque nela constam proprietário, ônus e restrições.
Divergência de área, construção sem averbação, inventário não concluído, penhora registrada ou usufruto ativo aparecem justamente nesse documento, e qualquer uma dessas pendências suspende a liberação do dinheiro até que a situação dos papéis esteja resolvida no cartório competente.
Resolver essas pendências exige um trabalho de regularização imobiliária nos papéis do imóvel e do vendedor, que costuma envolver averbação de construção, retificação de área ou encerramento de inventário antes que a instituição libere o crédito.
Quem descobre o problema na véspera da assinatura perde prazo de proposta e, às vezes, o próprio negócio. Pedir a matrícula atualizada logo no início da negociação é a checagem mais barata de toda a compra.
Quais custos aparecem além da parcela mensal?
Além das prestações, a compra financiada envolve tributo municipal, custas de cartório, taxa de avaliação e seguros embutidos no contrato.
Esses valores são pagos em momentos diferentes e quase nunca aparecem nas simulações de parcela, o que faz muitos compradores chegarem à assinatura sem reserva suficiente para cobrir a etapa final da operação, justamente quando o desembolso precisa acontecer rápido para não travar o registro.
| Custo | Quando aparece | Quem costuma pagar |
|---|---|---|
| ITBI (imposto de transmissão) | Antes do registro da compra | Comprador |
| Escritura ou instrumento do contrato | Na formalização da compra | Comprador |
| Registro na matrícula do imóvel | Após a assinatura, no cartório | Comprador |
| Avaliação do imóvel | Na análise da proposta | Comprador |
| Seguros obrigatórios do contrato | Diluído nas parcelas | Comprador |
| Certidões do vendedor e do bem | Durante a análise documental | Varia conforme a negociação |
ITBI: o que é, quem paga e como é calculado
O ITBI é o imposto municipal cobrado sobre a transmissão do imóvel entre vivos.
A alíquota e a base de cálculo são definidas por cada município, o que faz o mesmo tipo de compra custar valores diferentes em cidades vizinhas, e o pagamento é condição para que o cartório registre a transferência na matrícula do bem.
Sem o comprovante do imposto, não há registro. Sem registro, a propriedade continua formalmente com o vendedor.
O custo recai sobre o comprador na prática de mercado, salvo acordo diferente em contrato. Alguns municípios oferecem redução para a primeira aquisição dentro de programas habitacionais.
Escritura e registro em cartório: valores, responsabilidade e momento
O registro é o ato que transfere a propriedade, e a escritura é o instrumento que formaliza o negócio.
Em compras financiadas, o contrato firmado com a instituição financeira costuma substituir a escritura pública lavrada em tabelionato, mas o registro na matrícula continua obrigatório e é justamente ele que consolida a transferência do bem.
As custas seguem tabelas estaduais e variam conforme o valor do imóvel. São pagas de uma vez, no fechamento, e por isso precisam entrar no planejamento junto com a entrada.
Avaliação do imóvel e seguros obrigatórios embutidos no contrato
A instituição contrata uma avaliação técnica do imóvel e embute seguros obrigatórios nas parcelas.
A avaliação define o valor que serve de base para o crédito e é cobrada do comprador como tarifa, enquanto os seguros cobrem morte e invalidez do devedor e danos físicos ao imóvel, protegendo tanto a família quanto a garantia da operação.
O prêmio dos seguros muda conforme idade e valor financiado. Em contratos longos, esse componente pesa mais do que a maioria dos compradores imagina no início.
Como comparar propostas de crédito imobiliário de instituições diferentes?
A comparação honesta usa o custo efetivo total, não a taxa de juros anunciada na vitrine.
Duas propostas de financiamento imobiliário com a mesma taxa nominal podem ter custos bem diferentes quando entram tarifas, seguros e a forma de correção do saldo, e é por isso que a decisão exige olhar o documento completo da simulação, não o número da propaganda.
Custo Efetivo Total (CET) versus a taxa de juros anunciada
O CET reúne juros, tarifas, seguros e demais encargos em um único percentual anual.
A taxa nominal informa apenas o juro cobrado sobre o saldo, o que deixa de fora componentes que o comprador paga de qualquer forma, e comparar propostas por ela é como comparar passagens aéreas ignorando bagagem, taxa de embarque e remarcação.
Instituições são obrigadas a informar o CET antes da contratação. Pedir esse número por escrito, em todas as propostas, é o passo que mais economiza dinheiro na fase de escolha.
Dados de mercado sobre volume e perfil das operações contratadas no país aparecem nos indicadores de financiamento imobiliário publicados pela Abecip, associação que reúne as instituições de crédito imobiliário e acompanha a evolução do setor.
Indexadores disponíveis e o risco de cada um
O saldo devedor pode ser corrigido pela TR, pelo IPCA, pelo rendimento da poupança ou ficar em taxa prefixada.
Cada indexador transfere um risco diferente para o comprador, porque a correção pela inflação tende a começar com parcela menor e subir conforme o índice avança, enquanto a taxa prefixada entrega previsibilidade em troca de um custo inicial mais alto.
Contratos corrigidos pela inflação são mais sensíveis a choques de preços. Quem tem renda estável e horizonte longo costuma preferir previsibilidade a economia inicial.
Não existe indexador melhor em abstrato. Existe o que combina com a tolerância a variação de quem vai pagar a conta por décadas.
Portabilidade do financiamento: quando e como trocar de instituição
Portabilidade é a transferência da dívida para outra instituição que ofereça condições melhores.
O processo é um direito do consumidor de crédito e envolve a instituição original informar o saldo devedor, a nova instituição apresentar proposta formal e o contrato ser registrado novamente na matrícula do imóvel, o que gera custas adicionais.
A conta só fecha quando a economia com juros supera os custos da troca. Vale simular com o saldo atual, não com o valor original da compra.
Qual a diferença entre o sistema SAC e a Tabela Price?
O SAC amortiza o mesmo valor de principal todo mês e tem parcelas decrescentes, enquanto a Tabela Price mantém a parcela fixa.
A escolha muda o tamanho da primeira prestação, a velocidade com que o saldo devedor cai e o total de juros pago ao longo do contrato, e por isso pesa tanto quanto a taxa na decisão de quem vai conviver com essa prestação por muitos anos.
| Característica | SAC | Tabela Price |
|---|---|---|
| Valor da parcela | Decrescente ao longo do contrato | Fixa em termos nominais |
| Primeira prestação | Mais alta | Mais baixa |
| Amortização do principal | Constante desde o início | Cresce ao longo do tempo |
| Queda do saldo devedor | Mais rápida | Mais lenta |
| Juros totais do contrato | Tendem a ser menores | Tendem a ser maiores |
| Perfil que costuma preferir | Quem suporta parcela inicial maior | Quem precisa de previsibilidade imediata |
Como cada sistema calcula a amortização
Amortização é a parte da parcela que abate o saldo devedor, separada da parte que paga juros.
No SAC, essa fatia é constante e os juros incidem sobre um saldo que cai de forma linear, enquanto na Tabela Price a parcela fixa começa concentrada em juros e só depois passa a abater o principal com mais força.
A consequência aparece em quem pretende quitar antes do fim. No SAC, o saldo devedor no meio do contrato é menor.
Parcela inicial e evolução ao longo do tempo
O SAC exige mais no começo e alivia com o tempo, ao passo que a Price mantém o valor estável.
A parcela inicial maior do SAC reduz a capacidade de financiamento, porque o limite de comprometimento de renda é medido sobre a primeira prestação, e isso faz muitos compradores acabarem na Price por necessidade, não por preferência.
Na Price, a correção do saldo pelo indexador ainda altera o valor nominal ao longo do tempo. Parcela fixa não significa parcela imune a reajuste.
Em qual perfil de comprador cada sistema tende a ser mais vantajoso
O SAC costuma servir a quem tem folga no orçamento inicial e pretende amortizar ou quitar antes do prazo.
A Tabela Price tende a fazer mais sentido para quem precisa do maior valor de crédito possível dentro do limite de renda ou para quem prefere previsibilidade no orçamento doméstico, aceitando um custo total mais alto em troca dessa estabilidade.
Quem espera receber recursos do fundo de garantia com frequência ganha mais com o SAC, porque o saldo devedor menor multiplica o efeito de cada amortização.
O que acontece depois que o crédito é aprovado?
Aprovado o crédito, começa a fase que decide a compra: avaliação, análise documental, assinatura e registro em cartório.
O dinheiro do financiamento imobiliário só chega ao vendedor quando o contrato é registrado na matrícula do imóvel, o que significa que a aprovação da proposta é o meio do caminho, e não o fim da operação, como muitos compradores descobrem tarde demais no cronograma da mudança.
Sequência de passos entre a aprovação e a liberação do dinheiro
A ordem costuma ser avaliação do imóvel, análise jurídica dos documentos, emissão do contrato, assinatura e registro.
Cada etapa depende da anterior e tem prazo próprio, o que faz o intervalo entre aprovação e recebimento variar bastante conforme a agilidade do cartório, a complexidade da documentação e a rapidez com que vendedor e comprador entregam o que foi pedido.
A proposta de crédito tem validade. Quando o prazo estoura, a análise precisa ser refeita e as condições podem mudar.
Papel do cartório de registro de imóveis
O cartório de registro de imóveis é quem torna pública a transferência e a garantia do contrato.
Serviços como emissão de certidão digital e visualização de matrícula estão disponíveis pelo sistema de registro de imóveis eletrônico mantido pelo Operador Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis, o que encurta a checagem que antes exigia deslocamento presencial.
Sem registro, o contrato existe entre as partes, mas não vale contra terceiros. É por isso que a instituição financeira condiciona o pagamento a esse ato.
Pendências comuns que atrasam ou bloqueiam a liberação
Divergência de área, construção não averbada, inventário aberto e certidão com restrição lideram os travamentos.
Também aparecem dívidas de tributo municipal, taxas condominiais em aberto e diferenças cadastrais entre a prefeitura e o cartório, situações que exigem correção formal antes do registro e costumam consumir semanas que ninguém previu no cronograma da mudança.
Antecipar a análise documental resolve a maior parte desses casos. Pedir matrícula e certidões antes de assinar a proposta muda o jogo.
Quando o financiamento imobiliário não é o melhor caminho?
Financiar é a pior escolha disponível quando a renda é instável, o horizonte de permanência é curto ou a entrada compromete toda a reserva.
Esse contraponto raramente aparece em conteúdo do setor, mas ignorá-lo custa caro, porque a dívida é longa, os custos de saída são altos e desfazer a operação no meio do caminho quase sempre significa vender com pressa e receber menos do que o imóvel vale.
Renda instável e horizonte curto de permanência no imóvel
Contrato longo com renda incerta transforma qualquer oscilação de faturamento em risco de perder o bem.
Quem tem renda variável, trabalha por projeto ou está em transição de carreira precisa considerar que a parcela não negocia, e que o rito de retomada em contratos com alienação fiduciária é mais rápido do que a maioria das pessoas imagina ao assinar.
O horizonte de permanência também pesa. Quem pretende mudar de cidade em poucos anos paga custos de entrada e de saída que dificilmente são recuperados na revenda.
Nesses casos, alugar e manter liquidez costuma ser a decisão mais defensável, ainda que menos celebrada socialmente.
Consórcio imobiliário e outras alternativas
Consórcio, poupança programada e compra com recursos próprios são caminhos alternativos, cada um com uma limitação clara.
O consórcio dispensa juros e cobra taxa de administração, mas não entrega o imóvel em data conhecida, o que o torna adequado a quem planeja a compra sem urgência e inadequado a quem precisa sair do aluguel dentro de um prazo definido.
Comprar à vista elimina juros e custos de contrato, porém imobiliza capital que poderia render em aplicações. A escolha depende do custo do crédito frente ao retorno das alternativas.
O custo de oportunidade da entrada
A entrada é dinheiro que sai da reserva e deixa de render, e esse efeito raramente entra na conta.
Quem esvazia a reserva de emergência para aumentar a entrada reduz a parcela, mas fica sem proteção contra desemprego, doença ou reparo urgente, situação que costuma terminar em crédito caro justamente para cobrir o buraco que a compra abriu.
Manter reserva equivalente a alguns meses de despesa antes de assinar é mais defensável do que financiar menos. A parcela um pouco maior compra tranquilidade.
Este texto tem caráter informativo. Consulte um profissional licenciado, como advogado especializado em direito imobiliário ou planejador financeiro certificado, para orientação sobre o seu caso.
Perguntas frequentes sobre financiamento imobiliário
Reunimos as dúvidas que mais aparecem em quem está prestes a contratar um financiamento imobiliário, com respostas diretas e baseadas nas regras oficiais dos órgãos que regulam o crédito habitacional no país.
Quem paga os custos de cartório e registro do imóvel?
O comprador paga, na prática de mercado brasileira, as custas de registro e o imposto municipal de transmissão. O contrato pode prever divisão diferente, mas isso precisa estar escrito. As tabelas de custas são estaduais e variam conforme o valor do imóvel.
Quais documentos são necessários para contratar o financiamento?
São três conjuntos: identificação e comprovação de renda do comprador, certidões pessoais do vendedor e a documentação do imóvel, com matrícula atualizada. Cada instituição financeira acrescenta itens à lista. Pedir a relação completa por escrito antes da proposta evita retrabalho.
É possível financiar um imóvel sem entrada?
Não é o padrão do mercado. Instituições financiam um percentual do valor de avaliação e exigem que o comprador cubra o restante. Algumas linhas de programas habitacionais reduzem bastante essa exigência para faixas de renda menores, com subsídio público.
O que acontece se o imóvel tiver pendência na documentação?
A liberação do dinheiro fica suspensa até a correção. Pendências como área divergente, construção sem averbação ou inventário aberto precisam ser resolvidas no cartório de registro de imóveis. A proposta de crédito tem validade, e o atraso pode obrigar a refazer a análise.
Dá para usar o FGTS se eu já tenho um imóvel no meu nome?
Em regra, não. O trabalhador não pode ser proprietário de imóvel residencial no município onde mora ou trabalha, incluindo cidades vizinhas e da mesma região metropolitana. As condições completas são publicadas nos canais oficiais do governo federal.