A poucos dias das eleições, o médico ortopedista e candidato a deputado estadual Rafael Benoliel (Republicanos) voltou a colocar a crise da saúde pública do Amazonas no centro de seu discurso. Em entrevista concedida nesta quinta-feira (1º) ao programa Conexão Política, apresentado por Sharlot Antunes, ele criticou a gestões do governador Roberto Cidade (União Brasil) e do ex-governador Wilson Lima (União Brasil) , cobrando uma solução para pagamentos atrasados de profissionais médicos.
Benoliel afirmou que, ao assumir o governo, Cidade participou de uma reunião com representantes de empresas médicas e administradores e teria assumido o compromisso de buscar a regularização dos pagamentos referentes à própria gestão.
Para o candidato, porém, assumir o comando do Estado também significa administrar compromissos financeiros herdados de governos anteriores.
“Quando você assume algo da magnitude da cadeira de governador do estado, você é dono da dívida, não interessa quem a fez”, afirmou.
Pagamentos viram alvo de críticas
Questionado se Cidade efetivamente pagou os médicos, Benoliel disse que os anúncios feitos pelo governo não significaram necessariamente que os recursos chegaram integralmente aos profissionais.
Ele citou um vídeo em que o governador anunciou pagamento de R$ 84 milhões e outros recursos destinados à saúde. Na ocasião, Benoliel contestou a informação e argumentou que os repasses eram direcionados primeiro às organizações responsáveis pela gestão dos serviços.
“Não estou dizendo que não chegou às mãos de alguns médicos. Estou dizendo que às minhas não chegou, por exemplo, nem um centavo. Estou contando a minha história”, ressaltou.
A contestação sobre os repasses já havia sido feita publicamente pelo médico em agosto. Naquele período, Benoliel questionou os R$ 84 milhões anunciados pelo governo e afirmou que, até 12 de agosto, não havia recebido os valores que reivindicava.
Dívidas anteriores
Outro ponto levantado por Benoliel envolve valores referentes aos anos de 2024 e 2025, período da administração do ex-governador Wilson Lima.
O candidato afirmou que somente a empresa de ortopedistas à qual está ligado teria aproximadamente R$ 19 milhões a receber. Segundo ele, até agora não houve negociação para estabelecer um cronograma de quitação desse passivo.
Benoliel também questionou declarações recentes de Cidade sobre pagamentos superiores a R$ 400 milhões relacionados à saúde. Na avaliação do candidato, parte desses recursos corresponde a obrigações de 2026 que já estavam atrasadas.
“Estamos a cinco dias das eleições e o prometido não foi cumprido. pagou-se mal e porcamente o que foi possível pagar”, criticou.
Auditoria e prevenção
Além das críticas, Benoliel apresentou propostas para a saúde caso seja eleito deputado estadual. Entre elas está a realização de uma auditoria no setor para identificar contratos, despesas, dívidas e problemas administrativos acumulados.
O médico também defendeu que decisões dentro da rede estadual sejam orientadas por protocolos técnicos e que os hospitais avancem na modernização dos atendimentos.
Outra prioridade apresentada foi ampliar políticas preventivas. Benoliel propõe ações de educação nutricional nas escolas, acompanhamento mais próximo da população idosa e iniciativas capazes de reduzir doenças antes que pacientes precisem recorrer aos hospitais.
Na avaliação dele, investir em prevenção pode diminuir a pressão sobre unidades de emergência e contribuir para melhorar a utilização dos recursos disponíveis.
Recado aos eleitores
Na reta final da campanha, Benoliel também utilizou a entrevista para apresentar sua trajetória profissional. Ele contou ter recebido manifestações espontâneas de pacientes de vários municípios do interior do Amazonas.
Benoliel alertou os eleitores para que pesquisem as trajetórias dos candidatos antes das eleições.
“Acho muito importante, ao avaliarmos um candidato, analisar principalmente o que ele já fez pelo social, pela comunidade e que tipo de serviço prestou”, declarou.
Para Benoliel, o histórico de atuação pública e social oferece ao eleitor elementos para avaliar quem busca uma cadeira no Legislativo.
“Ele se colocou à frente, se importou, fez algo que mudou a vida das pessoas? Por quê, se não fez nada disso até agora, o que vai fazer com um cargo como esse?”, questionou.