Muito alarde, pouca mudança: o real impacto do 5G no mercado de IoT
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A chegada do 5G no Brasil será benéfica para diversos setores do país. Mas ao contrário do que se tem propagado, o mercado de Internet das Coisas (IoT) não será um dos mais impactados com essa nova realidade. Conexões entre dispositivos inteligentes já são difundidas em todo o país e os requisitos necessários para a sua expansão independe da presença do 5G por aqui.

De acordo com estimativa do Banco InterAmericano de Desenvolvimento, teremos 416 milhões de dispositivos IoT em uso no território nacional até 2023. Enquanto isso, a previsão da expansão do 5G não é muito animadora para boa parte do país.

De acordo com o cronograma da Anatel, somente em julho de 2029 é que teremos 100% das cidades com mais de 30 mil habitantes contando pelo menos com uma antena a cada 15 mil habitantes. Isso se os prazos forem cumpridos com rigor. Com esse cenário, é lógico chegarmos à percepção de que a expansão da IoT não pode depender apenas da chegada do 5G.

Atualmente, dispositivos com Internet das Coisas são utilizados em indústrias, mercado de varejo, transportes, saúde e em diversas outras áreas. Para um bom desempenho dos aparelhos é necessária uma conexão de boa qualidade, o que já é proporcionado por redes 4G e por protocolos desenvolvidos especificamente para aplicações de IoT como Sigfox, LoRaWAN e NB-IoT, todos dentro da categoria LPWan.

Chega a ser curioso percebermos que o maior benefício com a chegada do 5G no Brasil neste primeiro momento é o aumento da instalação de antenas de rede 4G.

De acordo com o relatório geral da Anatel publicado em dezembro de 2020, 1.928 municípios (35,43% do total) que possuem 4G não contam com cobertura urbana total. Essa situação impede que algumas cidades do país consigam vivenciar as vantagens da tecnologia IoT pelo simples fato de não haver conexão que permita o funcionamento dos dispositivos em determinadas áreas desses lugares

Outro assunto que está em alta com a chegada do 5G no Brasil é sobre dispositivos como carros autônomos e a possibilidade da realização de cirurgias remotas. De fato, essas melhorias poderão ser realizadas com o 5G no país, mas não de forma massiva. As questões que impedem esse avanço de forma exponencial envolvem desde custos altos até mesmo outras barreiras como questões legais e éticas.

Diante disso, é possível afirmar que houve certo exagero ao afirmar que o 5G marcará a trajetória da Internet das Coisas no Brasil, sendo possível fazer marcos históricos antes e depois de sua chegada. Haverá sim um aumento da velocidade de transmissão de dados entre os aparelhos com essa nova realidade de conexão, mas é algo ínfimo dentro de uma tecnologia que já trabalha com transmissão de poucos dados como é o caso da IoT.

Os dispositivos presentes no mercado e que podem ser consumidos de forma massiva – como aparelhos que medem a temperatura de alimentos em tempo real e dispositivos que indicam a disponibilidade de vagas de estacionamento em cidades inteligentes – já funcionam com o 4G e as outras tecnologias já citadas.

Portanto,  IoT já é uma realidade no Brasil. Setores da indústria, saúde, comércio, varejo e órgãos governamentais não devem esperar a expansão do 5G no Brasil para investir e adotar de vez soluções de Internet das Coisas para suas operações. Os benefícios são vantajosos e o melhor momento para usufruir dos mesmos é agora.

Guilherme Azevedo – Cofundador da Sigmais 

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