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“Colocar um pouquinho de esperança em nossos alunos”. Este é o lema seguido por professores, como Rita de Cássia, para continuar ensinando mesmo diante dos desafios criados pela pandemia da Covid-19. E o esforço – compartilhado por colegas, familiares dos estudantes e pelos próprios alunos – pode ser visto no filme que será lançado pela Bracell nesta quinta-feira, 25.  O minidocumentário, disponível no canal da empresa no YouTube e nas redes sociais, é uma homenagem a quem está na linha de frente da educação na região do Litoral Norte e Agreste da Bahia, onde a empresa capacita gestores e educadores da rede pública de ensino, por meio do projeto de Educação Continuada.

No vídeo, a pró Rita, como é carinhosamente chamada pelos alunos, conta um pouco de seus esforços para continuar educando na crise sanitária, principalmente na zona rural. O campo, segundo a docente, sofre ainda mais por conta das dificuldades de acesso às tecnologias usadas no ensino a distância e com o estigma de analfabetismo desta população, enraizado no imaginário de quem não conhece esta realidade.  “Quando se pensa em zona rural, vem logo à cabeça que o analfabetismo mora ali. E esse estigma é cruel, porque os alunos da zona rural precisam de incentivo, de bons professores, e não de preconceito”, afirma a professora, hoje vice-diretora da Escola Municipal Manoel Alcântara, na zona rural de Itanagra.

Rita não está só nesta luta por um ensino de qualidade e acessível a todos. Com ela, há outros que abraçam a função de educar como missão de vida. É o caso de Auciléia Santiago, que, durante a pandemia, teve que lecionar uma turma multisseriada em Esplanada. Para superar ainda mais este obstáculo, ela e os colegas criaram, junto com as famílias dos alunos, estratégias de ensino virtual com foco na realidade desses pequenos moradores da área rural. “Não posso planejar uma aula para os alunos do campo igual planejo para os da zona urbana. Tenho que ver seu dia a dia, tenho que observar se realmente aquela aula vai servir para ele, porque não posso fugir da realidade deste aluno e de sua família”, diz ela, que leciona para crianças de 4 e 5 anos, da educação infantil I e II.

E essa nova maneira de educar ganhou apoio dos pais dos estudantes, que, assim como os professores, passaram a ter papel determinante no processo de aprendizado dos filhos durante a pandemia.  “A Pró Auciléa sempre fala: mãe, se tiver dúvida, me procure. Este apoio foi ótimo, porque pude ajudar meu filho a aprender a formar as palavras”, alegra-se a agricultora Cleide, que acompanha as aulas com o filho por meio do celular. “Me dediquei bastante para poder ajudá-lo”, complementa ela. Segundo a mãe, só após o fim das tarefas virtuais do filho, é que eles vão à roça, de onde a família tira o ganha-pão.

Ampliando o acesso

Maria José Pereira é outro exemplo de educadora dedicada a minimizar o impacto da pandemia na vida dos estudantes. Ela conta que, por conta da falta de estrutura tecnológica, muitos alunos ficaram, inicialmente, sem poder acompanhar as aulas, mas isso foi resolvido com o esforço coletivo. “Percebemos que não estávamos conseguindo chegar a todos os alunos, porque alguns não tinham internet, celular, computador, e isso não era aceitável”, relata. Junto com outros professores, ela começou a imprimir as atividades e a disponibilizá-las para que os pais pudessem retirar o conteúdo na escola para seus filhos.

Por conta das dificuldades, nem todos iam buscar o material. Foi aí, então, que os professores começaram a entregar as atividades nas casas e até mesmo nos locais de trabalho dos responsáveis pelos estudantes.  “Quando não conseguimos que todos fossem ao colégio, a gente ia nas casas dos pais. Nós insistíamos para entregá-las, até mesmo na feira, para que os alunos tivessem acesso à educação. No final das contas, nossa ação conseguiu alcançar 98% dos alunos”, festeja Maria José, diretora da Escola João Pereira dos Santos, na comunidade de Catuzinho, em Aramari.

Educação continuada

Os primeiros passos para a mudança desta realidade foram dados com o treinamento recebido pelos professores, por meio do projeto de Educação Continuada – idealizado e realizado pelo Bracell Social –, que oferece orientação pedagógica para gestores e educadores da rede pública no Litoral Norte e Agreste da Bahia, estimulando o desenvolvimento de crianças e o retorno de jovens e adultos à sala de aula. “Este treinamento fortalece nosso conhecimento e estimula a criar novas estratégias pedagógicas para enfrentar obstáculos, como o ensino na pandemia”, afirma Maria José.

Desenvolvido desde 2015, o projeto tem ajudado a melhorar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). É o caso de Itanagra, por exemplo, cujo Ideb passou de 4,0 – em 2017 – para 5,5 – em 2019. A iniciativa, realizada com suporte técnico do Instituto Chapada de Educação e Pesquisa (Icep), qualificou diretamente, só no ano passado, 2.252 educadores de 273 escolas, beneficiando 45.455 pessoas nos municípios de Alagoinhas, Aramari, Cardeal da Silva, Conde, Entre Rios, Esplanada, Inhambupe e Itanagra.

Mouana Fonseca, gerente de Relações Institucionais e Responsabilidade Social da Bracell BA, diz que o fortalecimento da educação básica é o caminho para transformar a realidade de vulnerabilidade que muitos se encontram. “Para a Bracell, a educação de qualidade é um direito de todos e, com a pandemia, a empresa reforçou o suporte que dá aos gestores e educadores da rede pública de ensino na região onde atua. E essa parceria pela educação continuará esse ano, porque acreditamos que somente juntos podemos superar esse momento”, afirma.

Bracell

A empresa é uma das maiores produtoras de celulose solúvel e celulose especial do mundo, com duas principais operações no Brasil, sendo uma em Camaçari, na Bahia, e outra em Lençóis Paulista, em São Paulo. Além de suas operações no Brasil, a Bracell possui um escritório administrativo em Cingapura e escritórios de vendas na Ásia, Europa e Estados Unidos.

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