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Foto: Geraldo Moniz/MAM

Pela primeira vez depois de 62 anos da criação do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-Bahia), finalmente os baianos, turistas, pesquisadores e admiradores da arquiteta, designer, cenógrafa, jornalista e curadora de arte ítalo-brasileira Lina Bo Bardi (Roma, 1914 — São Paulo, 1992) terão um espaço em Salvador dedicado a ela e ao seu pensamento. No próximo sábado (15) a partir das 12h, será inaugurado o ‘Espaço Lina’ nas dependências do museu, que é vinculado ao Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac).

“Norteamos essa gestão do museu aprendendo com experiências dos gestores anteriores, mas, principalmente, a partir do pensamento, das propostas fundacionais e inovadoras de Lina, que foi a primeira diretora e a mentora do MAM [1959-1964], além de ter criado e gerido o projeto de restauro do Solar do Unhão, que se tornou referência para recuperação de prédios históricos no Brasil”, afirma o diretor do MAM-Bahia, Pola Ribeiro. Ele explica que por isso também foi buscar a parceria e o apoio do Instituto Bardi/Casa de Vidro de São Paulo, responsável por todo o acervo pessoal deixado por Lina depois da sua morte, em 1992.

O acordo de cooperação técnico-científica entre o instituto e o MAM foi assinado em novembro 2021. Nesse período, o diretor Pola e o curador do MAM, Daniel Rangel, visitaram a Casa de Vidro, residência de Lina projetada e construída por ela no bairro do Morumbi, em São Paulo. A casa foi transformada no instituto por ela, juntamente com o marido, Pietro Maria Bardi (1900—1999). “Na visita, conhecemos exposições e a imensa reserva técnica do instituto, ou seja, as possibilidades de colaboração entre o MAM e a Casa de Vidro são inúmeras”, relata Pola Ribeiro.

Professor da Universidade de São Paulo (USP), pesquisador e conselheiro do Instituto Bardi, Renato Anelli estará na abertura de sábado (15), em Salvador, e garante que as ações com o MAM reafirmam a importância de Lina. “O acordo inclui o desenvolvimento de projetos culturais, dentre os quais está o Espaço Lina”, diz Renato.

Lina Bo Bardi
Foto: Instituto Bardi

O conselheiro completa que “Lina teve dois fortes períodos de atuação em Salvador, que marcam sua trajetória com obras de grande relevância para a arquitetura contemporânea”. Para ele, no primeiro (1958 a 1964) destacam-se as cenografias com Martim Gonçalves, o restauro do Unhão e a pesquisa/exposição Nordeste na 5ª Bienal de São Paulo. “E o segundo (1986 e 1988) foi dedicado aos projetos no Centro Histórico de Salvador”, finaliza Anelli.

Núcleo dialógico

O curador do MAM, Daniel Rangel, informa que “o Espaço Lina é um núcleo dialógico que abrigará exposições, com distintos recortes sobre o legado e os reflexos da produção de Lina, servindo de ponto de encontro para pesquisas e investigações, por meio de eventos que possibilitem trocas de saberes e fazeres diversos”.

O curador acrescenta que o espaço já abre com a exposição ‘Lina do tempo Bo Bardi’. “Trata-se de uma linha do tempo tríplice que se inicia em 1914 e termina em 1992. São três histórias paralelas que muitas vezes se intercruzam: a biográfica sobre Lina e outras duas que ressaltam fatos históricos e artísticos relacionados ao contexto no qual a arquiteta estava inserida”.

A primeira mostra do Espaço Lina terá ainda a icônica fotografia que Bob Wolfenson realizou de Lina (1970), que integra o acervo do MAM, objetos de arte popular como candeeiros da coleção formada por Lina no começo dos anos 1960, e um documentário audiovisual de 50’ (cinquenta minutos) produzido sobre a exposição ‘O Museu de Dona Lina’. “Vitrines com documentos históricos pertencentes ao acervo documental do MAM, publicações sobre Lina e cadeiras desenhadas por ela, completam a primeira mostra do ‘Espaço Lina’”, conta Daniel Rangel.

Identidade cultural

Parte da ‘linha do tempo tríplice’ foi realizada pelo professor e pesquisador Renato Anelli, enquanto o Instituto Bardi cedeu os direitos de uso desses textos e as imagens apresentadas na cronologia. “Com a abertura do Espaço Lina, o MAM celebra sua primeira diretora, ao valorizar seus pensamentos/projetos e ao reconhecer o papel fundamental de uma arquiteta mulher na formação cultural baiana e brasileira”, enfatiza o curador do museu.

“A união do popular e do erudito, proposta e enxergada por Lina, é uma das bases da formação de nossa identidade cultural, com desdobramentos diretos na arquitetura, no restauro de patrimônios, no design industrial, nas artes visuais, na música, na literatura e tantas outras vertentes artísticas e culturais”, finaliza Daniel Rangel.

Funcionamento

A exposição ‘O Museu de Dona Lina’ está aberta ao público de terça a domingo, das 13h às 17h, e também está na internet. O MAM disponibiliza uma ‘Galeria de Artistas e Obras’ com fotos e minibiografias.

O Cinema do MAM, Café Saladearte e Pátios externos funcionam das 12h às 20h. O projeto de gastronomia e música ‘Sollar Baía’ (@sollarbaia) fica aberto de quarta a domingo, das 16h à 00h. Mais informações podem ser encontradas no site do MAM, redes sociais (instagram e facebook) ou telefone (71) 31176132 (segunda a sexta, 9h às 12h e 13h às 15h). O museu é um equipamento da Secretaria de Cultura do Estado (Secult).

Fonte: Ascom/MAM



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Redação
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