José Guilherme Caldas leva campanha de prevenção ao AVC à regata transatlântica Route du Rhum
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A conscientização sobre o Acidente Vascular Cerebral (AVC) ganha projeção internacional com a participação do médico e velejador José Guilherme Mendes Pereira Caldas na campanha “Cada Minuto Conta”. Referência em neurorradiologia intervencionista e professor livre-docente da Universidade de São Paulo (USP), ele utiliza a vela oceânica para divulgar informações sobre prevenção, identificação dos sintomas e tratamento da doença. A iniciativa terá continuidade na Route du Rhum – Destination Guadeloupe, cuja largada está prevista para domingo (1º), na França.

O AVC provoca aproximadamente 12 milhões de novos casos e 7,2 milhões de mortes por ano no mundo, segundo a World Stroke Organization (WSO). A mobilização ganhou destaque em 29 de outubro, Dia Mundial do AVC, mas segue com ações voltadas à conscientização da população sobre a importância de reconhecer rapidamente os sinais da doença e procurar atendimento médico.

Um dos pioneiros no desenvolvimento de materiais e técnicas para o tratamento do AVC, Caldas também é comandante do Barco Brasil. Sua atuação reúne medicina, pesquisa e esporte, utilizando a experiência nas competições oceânicas como plataforma para ampliar o alcance da campanha.

Dados do Global Stroke Fact Sheet 2025 revelam a dimensão do problema. Em 2021, 93,8 milhões de pessoas conviviam com consequências ou histórico de AVC. A doença ocupou a terceira posição entre as principais causas de morte e incapacidade combinadas no mundo, provocando a perda de mais de 160 milhões de anos de vida saudável.

Entre 1990 e 2021, o número absoluto de novos casos aumentou 70%, enquanto as mortes cresceram 44%. A estimativa é que uma em cada quatro pessoas com mais de 25 anos tenha um AVC ao longo da vida. Embora a incidência seja maior entre idosos, aproximadamente 15% dos episódios acontecem em pessoas de 15 a 49 anos.

O AVC pode ocorrer de duas maneiras: pela obstrução de uma artéria cerebral, caracterizando o tipo isquêmico, ou pelo rompimento de um vaso sanguíneo, no caso hemorrágico. Em 2021, aproximadamente 65% dos episódios registrados mundialmente foram isquêmicos.

Hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, colesterol elevado, obesidade, sedentarismo e fibrilação atrial estão entre os principais fatores de risco. O acompanhamento e o controle dessas condições são medidas fundamentais para diminuir a possibilidade de ocorrência da doença.

Avanços médicos ampliam as possibilidades de tratamento

A evolução das técnicas médicas permitiu ampliar as alternativas terapêuticas para pacientes com AVC. Nos casos isquêmicos, a trombólise intravenosa pode dissolver coágulos em pacientes selecionados, geralmente dentro de quatro horas e meia após o início dos sintomas.

Outra possibilidade é a trombectomia mecânica, procedimento realizado com cateteres para remover obstruções em grandes artérias cerebrais. Dependendo das condições clínicas e dos resultados dos exames de imagem, a intervenção pode ser indicada em situações específicas até 24 horas depois do início do quadro.

Esses prazos, entretanto, não devem ser interpretados como motivo para adiar a procura por atendimento. Quanto mais rápido o paciente receber avaliação médica, maiores serão as possibilidades de intervenção adequada.

Para facilitar a identificação dos sintomas, a campanha “Cada Minuto Conta” utiliza o método “VÁ DE SAMU”, que reúne os principais sinais de alerta:

  • VA – Visão alterada: perda súbita da visão ou embaçamento.

  • DE – Desequilíbrio: tontura repentina ou dificuldade para caminhar.

  • S – Sorriso: boca torta ou assimetria facial.

  • A – Abraço: fraqueza ou perda de movimento em um dos braços.

  • M – Mensagem ou música: dificuldade para falar ou compreender frases.

  • U – Urgência: ligar imediatamente para o SAMU, pelo número 192.

Mesmo quando os sintomas desaparecem espontaneamente, é indispensável procurar atendimento médico com urgência. O episódio pode representar um ataque isquêmico transitório (AIT), condição associada ao risco de ocorrência de um AVC.

Trajetória internacional na medicina e na pesquisa

José Guilherme Caldas é chefe do Serviço de Neurorradiologia Intervencionista do Hospital das Clínicas da USP e coordenador médico do Hospital Sírio-Libanês. Professor Livre-Docente do Departamento de Radiologia da Universidade de São Paulo, desenvolve atividades relacionadas a procedimentos endovasculares, pesquisa e formação de especialistas.

Nascido em Angola, deixou o país aos 15 anos em razão da guerra civil e estabeleceu-se no Brasil. Em 2005, voltou à terra natal em uma travessia marítima de 31 dias, experiência que deu origem ao livro “Mussulo, um abraço à vela”.

O médico também participou da construção de uma parceria acadêmica entre Angola e a USP, responsável por viabilizar a formação de aproximadamente 30 profissionais angolanos em neurorradiologia.

Outro compromisso de sua trajetória científica será a presidência do próximo Congresso da Federação Mundial de Neurorradiologia Intervencionista e Terapêutica (WFITN), programado para 2028, no Rio de Janeiro.

Da Globe40 à Route du Rhum: campanha segue pelo Atlântico

No esporte, José Guilherme Caldas conquistou, ao lado de Luiz Bolina, o título da categoria Sharp da Globe40 2025/2026, competição de volta ao mundo disputada em duplas.

A experiência resultou no livro e no documentário “Cada Minuto Conta”. A produção audiovisual teve exibições para convidados durante a 53ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela, realizada em Ilhabela (SP).

Agora, a mobilização chega à Route du Rhum – Destination Guadeloupe. O Barco Brasil Class40 151 será conduzido pelo velejador belga Gaëtan Thomas em um percurso de aproximadamente 6.560 quilômetros, entre Saint-Malo, na França, e Guadalupe, no Caribe.

A ação ocorre em associação com a France AVC. No território francês, a iniciativa conta com o Fonds de dotation France AVC, organização vinculada a projetos de pesquisa, inovação e assistência a pacientes e familiares. Parte dos recursos obtidos pela campanha será direcionada à entidade.

Gaëtan Thomas destacou a continuidade do trabalho iniciado pelos brasileiros e a dimensão internacional da mensagem transmitida pelo projeto.

“José Guilherme e Luiz Bolina levaram essa causa ao redor do mundo. Agora, continuo essa história na França. Um skipper belga, um barco brasileiro e uma mensagem que é universal: cada minuto conta”, afirmou.

A partida está programada para domingo (1º), com estimativa de 15 a 20 dias de navegação.

Sobre o Barco Brasil

O Barco Brasil é um projeto de vela oceânica criado por José Guilherme Caldas e Luiz Bolina. Suas atividades incluem participação em competições internacionais, formação de velejadores e iniciativas de conscientização sobre o Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Caldas é professor livre-docente do Departamento de Radiologia da Universidade de São Paulo (USP), chefe do Serviço de Neurorradiologia Intervencionista do Hospital das Clínicas da USP e coordenador médico do Hospital Sírio-Libanês. Luiz Bolina trabalha como professor de wingfoil e vela oceânica, além de desenvolver atividades de day charter.

O projeto conta com quatro embarcações: Barco Brasil Class40 151, Mussulo 50, Tutatis e HPE25. Entre as metas futuras está preparar tripulantes brasileiros para competições oceânicas e para a Globe40 2028/2029.

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