Inteligência artificial promete revolucionar a experiência em eventos esportivos
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A inteligência artificial (IA) está abrindo novas possibilidades para o mercado de eventos esportivos, desde a modernização dos sistemas de cronometragem até a criação de experiências personalizadas para atletas. A tecnologia também permite explorar novas oportunidades comerciais, aprimorar o relacionamento com os participantes e ampliar o potencial de negócios do setor.

A transformação é acompanhada de perto por profissionais que vivenciaram a evolução tecnológica da área. No fim de 2010, quando iniciou sua trajetória na cronometragem esportiva, João Marcos, CEO da ChronoMAX, empresa do segmento, encontrou um cenário em que os equipamentos de identificação por radiofrequência (UHF) e os chips descartáveis começavam a ganhar espaço no Brasil.

Na época, a mudança representou um avanço importante para a realização de provas com um número maior de participantes. Os chips reutilizáveis, além de caros, exigiam uma estrutura logística para distribuição e recolhimento, estavam sujeitos a extravios e podiam sofrer interferências. A montagem dos sistemas também demandava testes e ajustes de posicionamento dos equipamentos antes dos eventos.

Agora, segundo o executivo, o avanço da inteligência artificial está provocando uma nova transformação no setor: o desenvolvimento de soluções tecnológicas tornou-se mais acessível, permitindo que mais empresas criem equipamentos e aplicações para a cronometragem esportiva.

A popularização de ferramentas de IA tem reduzido barreiras técnicas que, até pouco tempo, dificultavam a integração entre hardware e software. Com isso, o desenvolvimento de equipamentos especializados, como as chamadas maletas de cronometragem, passou a estar ao alcance de um número maior de profissionais e empreendedores.

“Esse movimento amplia a concorrência e abre espaço para novas empresas no mercado brasileiro. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de diferenciação em um segmento no qual a qualidade do serviço vai além dos equipamentos utilizados”, contou o executivo.

De acordo com a avaliação do CEO da ChronoMAX, fatores como atendimento, confiança e credibilidade continuam sendo fundamentais para conquistar e manter clientes. Diante das mudanças, empresas do setor precisam rever estratégias, antecipar tendências e ampliar a oferta de soluções para organizadores de eventos.

Nesse contexto, a inteligência artificial pode contribuir não apenas para a operação técnica das provas, mas também para a análise de dados, a criação de oportunidades comerciais e o desenvolvimento de novas formas de publicidade, ativações de marca e vendas.

Além de criar ferramentas, é necessário demonstrar sua utilidade e convencer os clientes de que elas podem melhorar os resultados dos eventos. A construção dessa demanda, portanto, torna-se tão importante quanto o próprio desenvolvimento tecnológico.

Para o executivo, o papel da inteligência artificial depende da capacidade de identificar problemas concretos e transformar recursos tecnológicos em soluções que gerem benefícios reais para os clientes.

“Uma das principais tendências apontadas para o futuro dos eventos esportivos é a personalização da experiência dos atletas. A expectativa é que a comunicação com os participantes se torne cada vez mais individualizada, com mensagens, serviços e ofertas alinhados aos interesses e às necessidades de cada pessoa”, esclareceu João.

Essa transformação também pode integrar diferentes etapas da jornada esportiva em um único ecossistema digital. A experiência poderá começar na inscrição e incluir treinamentos personalizados, viagens, hospedagem, retirada de kits, informações médicas, resultados, histórico de participação, fotos, vídeos e benefícios após a prova.

A integração dessas informações tende a facilitar a vida dos atletas e ampliar as possibilidades de relacionamento entre participantes e organizadores. Para quem está começando a correr, por exemplo, a centralização dos serviços pode tornar o acesso às provas mais simples e acolhedor.

Embora a evolução tecnológica abra novas possibilidades para o setor, a expectativa é que sua presença se torne cada vez menos perceptível para os atletas.

“O objetivo é utilizar a inteligência artificial para simplificar processos e aprimorar serviços sem tirar o foco daquilo que motiva as pessoas a participar de um evento.A tendência aponta para provas mais conectadas, personalizadas e eficientes, nas quais a tecnologia atua nos bastidores para tornar a experiência mais fluida”, concluiu João.

No fim, a inovação deverá ser medida não apenas pela sofisticação dos equipamentos ou dos sistemas utilizados, mas pela capacidade de facilitar a jornada dos participantes e valorizar o propósito dos eventos esportivos: correr, aproveitar a experiência, viajar e celebrar a vida.

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