Créditos: Bruno Braz

Dando continuidade ao projeto “Brasuca”, após o lançamento do “Lado A” em 2025, o grupo vocal Ordinarius apresenta “Brasuca – Lado B”, novo EP que reafirma o desejo de valorizar os grandes compositores, os verdadeiros operários da canção, artistas que, tantas vezes longe dos holofotes, mantêm viva a tradição da música brasileira. Em vez de mirar em nomes mais óbvios, o sexteto volta seu olhar para a criação contemporânea e para autores de diferentes regiões do país, costurando um repertório que atravessa poéticas, sotaques e ritmos diversos.

O lançamento será celebrado em show no dia 24 de abril, sexta-feira, às 19h30, no Teatro Rival, no Rio de Janeiro, com participações de Coro Ordizão e Batucada de Roda.

Com arranjos e direção musical de Augusto Ordine e produção de Maíra Martins, o EP aprofunda o conceito de “Brasuca” ao mergulhar na produção de compositores atuantes e reafirmar o compromisso do Ordinarius em exaltar a diversidade da música popular brasileira. O grupo é formado por Antonia Medeiros, Augusto Ordine, Beatriz Coimbra, Fabiano Salek, Maíra Martins e Matias Correa. Futuramente, os dois EPs se unem em um álbum completo, que sai ainda este ano.

‘Brasuca’ é um disco que nasce desse desejo de lançar luz sobre quem sustenta a canção. São compositores que seguem inventando o Brasil em forma de música, cada um com sua paisagem, sua linguagem, seu ritmo e sua poesia”, resume Maíra Martins.

No Lado B, o Ordinarius aposta em arranjos vocais sofisticados e em leituras que preservam a essência de cada obra, ao mesmo tempo em que ampliam suas possibilidades sonoras com a identidade do grupo. O resultado é um repertório que percorre diferentes geografias musicais e revela, faixa a faixa, um país múltiplo, vivo e em permanente invenção.

Entre o lirismo, o balanço e a descoberta: conheça as faixas

A delicadeza abre caminho com “O trem, o tempo, o menino”, composição de Renato Frazão que carrega o lirismo das baladas do cancioneiro mineiro. Na leitura do Ordinarius, a canção ganha uma atmosfera contemplativa, em que melodia e palavra caminham lado a lado. “É uma música com um lirismo muito bonito, muito presente nessa tradição das baladas mineiras, e isso nos tocou desde o começo”, comenta Augusto Ordine.

Já “Do contra”, parceria de Iso Fischer com Lucina, chega em compasso de ijexá, com um arranjo que dialoga diretamente com a ideia dos contrapontos presentes na própria letra. O grupo explora esse jogo de tensões para acentuar o movimento da composição.

Em “Caminheiro”, maracatu assinado por Beto Lemos, o Ordinarius apresenta uma nova leitura para uma música que integrou o repertório do premiado espetáculo “Auê”, de A Barca dos Corações Partidos, grupo do qual o compositor faz parte. Ao ganhar nova versão no disco, a faixa reforça a força cênica e rítmica da escrita de Beto.

Um dos momentos mais desafiadores e surpreendentes do EP é “Mão de couro”, de Joãozinho Gomes e Val Milhomem, que mergulha em uma sonoridade tradicional do Amapá, o marabaixo. Para o grupo, a faixa representou uma saída da zona de conforto e um exercício real de escuta e pesquisa. “Foi uma das músicas mais fora da nossa linguagem habitual, e por isso mesmo muito estimulante. A gente quis entender melhor esse ritmo e se aproximar dessa sonoridade com respeito e curiosidade”, destaca Maíra.

Em outra direção, “Sempre tem céu azul”, de Matheus VK, traz frescor e leveza ao repertório. Já conhecida em outras gravações, a canção chega ao disco por sugestão do próprio compositor, amigo do grupo, e ganha no Ordinarius uma leitura luminosa.

Fechando o percurso, o samba de roda “Num ciúme só”, parceria de Vidal Assis com Hermínio Bello de Carvalho. Ao reunir um nome consagrado da canção brasileira e um compositor menos conhecido do grande público, a faixa sintetiza a essência de “Brasuca”: iluminar encontros, permanências e heranças. “Essa música traduz muito o espírito do projeto, porque fala justamente deste encontro entre trajetórias diferentes e dessa riqueza que sustenta a canção brasileira”, resume Augusto.

Gravado ao longo de 2024 e 2025, “Brasuca” marca mais um capítulo da sólida trajetória do Ordinarius, um dos grupos vocais mais ativos e premiados do país, com turnês por mais de 60 cidades brasileiras e 50 internacionais, prêmios como o Profissionais da Música (Grupo Vocal) e participações em festivais em países como Alemanha, França, Panamá, Chile, Portugal e Suíça.

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