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Fabrício Campolina: “nada será efetivo no combate à pandemia no se não houver uma política de Estado que opere em coordenação”

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No dia 8 de abril foi finalizada a Semana Mundial da Saúde, evento on-line promovido pela MV, líder nacional em desenvolvimento de softwares de gestão para a saúde, para debater os efeitos da pandemia no Brasil. Após três dias de informação e conteúdo, o evento se encerrou trazendo uma indagação para o futuro: “existirá um mundo pós-pandemia?”. O último painel contou com a participação de Paulo Magnus, presidente MV, Fabrício Campolina, Healthcare Transformation Officer na Johnson & Johnson Medical Latam, e Kléber Araújo, CMIO do Hospital Unimed Recife III.

Alceu Alves, vice-presidente da MV, foi responsável por mediar a conversa entre os especialistas e iniciou o assunto questionando quais são os aprendizados da pandemia. Fabricio Campolina acredita que este primeiro ano os ensinou a lidar com a deslocalização do cuidado com a saúde, pois o cuidado virtual se estabeleceu por meio da telemedicina. Além disso, o executivo destaca que houve um aumento da colaboração entre os atores do setor de forma amplificada, e aposta na evolução dessa troca para o modelo de ecossistemas, que vão se complementar, criando valor para o paciente, que está no centro.

Já Paulo Magnus reforçou o legado da tecnologia como agente transformador. “Eu sonho com a transformação digital da saúde no Brasil e, no último ano, tive um aliado indesejado: tratando-se de evolução tecnológica, essa pandemia fez em um intervalo de pouquíssimo tempo o que a gente vem tentando há anos. A tecnologia vai cada vez mais aproximar as pessoas e permitir que os médicos entendam, convivam e consigam ajudar as pessoas nos mais longínquos lugares. A telemedicina veio para ficar e precisamos aceitar que o ‘Big Brother’ da vida está monitorando tudo o fazemos”, relatou Magnus.

Kléber Araújo também acredita na eficácia da telemedicina e no uso de algoritmos de decisão para avaliação de pacientes. Ele afirma que “a inteligência artificial (IA) analisa os dados e ajuda a entender o quadro de cada paciente de maneira mais completa. Dessa forma, podemos direcioná-lo corretamente dentro da rede de cuidado. Acredito que a telemedicina democratiza o acesso à saúde a uma população que não teria a chance de chegar até o profissional (especialista) sem se deslocar muito”.

Nesse sentido, Paulo Magnus comenta que as tecnologias que vão interagir no cuidado preventivo são aquelas que permitem que as próprias pessoas imputem seus dados estando em suas próprias casas. “Celulares, televisões e wearables vão transformar casas  em consultórios virtuais. As tecnologias vão precisar integrar os dados do dia-a-dia da pessoa com uma plataforma que seja capaz de monitorar e cruzar esses dados por meio de IA. Assim também como as tecnologias dentro das unidades de saúde, que precisam evoluir cada vez mais para facilitar o trabalho dos médicos”.

Araújo ainda reforça que a possibilidade de ter os dados de saúde transitando de maneira tranquila e corriqueira, organizada e acessível, poderia nos colocar muito mais a frente na seara de análises e estudos, com uma abrangência muito mais ampliada de conhecimento e informação. Campolina também endossa que “a informação sem mudança de decisão não tem valor”.  E avalia que a internet do comportamento vai trazer um valor  gigantesco para a massa de informação que estamos coletando por meio de dispositivos conectados e wearables.

O executivo completa afirmando que a medicina baseada em evidência cada vez mais se mostra como o caminho a ser seguido: “precisamos valorizar a ciência e ter bom senso para se trabalhar com o que temos disponível no momento, além de fazer com que o conhecimento seja utilizado o mais rápido possível. Só a tecnologia pode fazer a gente avançar de maneira ainda mais dramática na busca por soluções”.

Sobre o futuro, Araújo entende que  tudo indica que ainda vamos conviver com a situação da Covid por bastante tempo. “Não é uma situação muito simples, não é um fenômeno só biológico, mas também social que vai definir quando estamos realmente seguros. A gente costuma conviver com ameaças e encontramos um ponto de equilíbrio, mas a  pandemia traz uma variabilidade nesta ameaça que nos deixa desconfortáveis a ponto de paralisar”.

E para controlar pandemias futuras, Campolina defende que é preciso ter uma clareza de coordenação entre entes federais, estaduais e municipais para poder comunicar de maneira precisa, negociar insumos e vacinas futuras. “Podemos buscar meios de alavancar a tecnologia para haver mais precisão na prevenção e enfrentamento de pandemias. Já existe essa competência, mas é preciso investir para desenvolvê-los e pensar em como reagir aos alertas que irão surgir. No futuro podemos criar modelos estatísticos para realizar estudos clínicos em um ambiente virtual de maneira infinitamente rápida, mas nada será efetivo se não houver uma política de Estado que opere em coordenação”.

Como argumento final, Alceu Alves fechou o painel com a seguinte reflexão: “começamos falando das tecnologias e terminamos falando do humano. A tecnologia é meio para o humano. Não duvidem da tecnologia, ela vai acontecer. A preocupação é como vamos conseguir, do ponto de vista de sociedade, acompanhar as transformações necessárias. Precisamos entender que não tem sentido que uns cresçam tanto e outros tão pouco. É inadmissível que as pessoas sejam miseráveis”.

A programação completa da Semana Mundial da Saúde pode ser acessada no canal do Youtube da MV: https://mla.bs/1d2f12e8.

 

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