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Crescimento do setor de locação de veículos movimenta bilhões e amplia postos de trabalho no país


O aumento da circulação de turistas no princípio do ano está impulsionando a procura por veículos nas locadoras em todo o país. A projeção da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (ABLA) indica crescimento de 10% na demanda pelo serviço no período, movimento que reforça a trajetória de expansão observada nos últimos anos e amplia a geração de postos de trabalho em diferentes frentes da economia.

Para dimensionar o tamanho desse mercado, a associação estima que o faturamento bruto do setor tenha ultrapassado R$ 60 bilhões em 2025, acima dos R$ 52,9 bilhões registrados em 2024, quando foi realizado o último levantamento oficial. Neste ano, inclusive, o número de empresas ativas chegou a 31.487, avanço de 19,2% na comparação anual.

A abertura de novas locadoras também se reflete no emprego formal, que avançou 7,5%. Foi a primeira vez que o total de trabalhadores nas locadoras superou a marca dos 100 mil, alcançando 105.637 pessoas.

A ABLA observa que a evolução dos postos de trabalho vem ocorrendo de forma contínua nos últimos anos, inclusive durante o período de pandemia. Ao final de 2020, eram 77.240 trabalhadores registrados no segmento. Em 2021, houve alta de 10,7%, chegando a 85.494. Já em 2022, novo crescimento de 4,7% elevou o número para 89.550 vagas diretas.

Sobre a destinação dos automóveis, a entidade aponta que empresas privadas e públicas, somadas aos clientes de carro por assinatura, responderam por 54% da frota em 2024. O aluguel de curto prazo, modalidade associada principalmente ao turismo interno e à atuação de motoristas de aplicativos, o principal cliente da locadora Kovi, por exemplo, concentrou os 46% restantes.

Em entrevista à imprensa, o vice-presidente da ABLA, Paulo Miguel Júnior, afirmou que o maior volume de contratos ainda está ligado ao atendimento corporativo, incluindo terceirização de frotas e deslocamento de funcionários. Mas, além disso, ele também tem visto um movimento consistente de motoristas de aplicativo.

“Inclusive vou para a China com a 99. Queremos entender exatamente o modelo deles. Lá a maioria dos carros de motoristas de aplicativo são locados. Eles conseguem manter fidelidade maior e renovação de frota mais contínua”, destaca.

Cadeia de serviços acompanha crescimento do setor

O avanço do aluguel de veículos não se limita aos empregos formais dentro das locadoras. A ampliação da frota estimula uma engrenagem que envolve manutenção e gestão dos automóveis, além de empregos informais, como os motoristas de empresas como a Uber e a 99.

Para quem atua com carro de aplicativo em São Paulo, no Rio de Janeiro ou em outras grandes cidades, a locação surge como alternativa de entrada no mercado, especialmente pela transferência de custos como licenciamento, emplacamento, impostos e manutenção para a empresa responsável pelo automóvel.

A dimensão desse movimento aparece nos números da própria ABLA: mais de 300 mil carros atualmente atende motoristas de aplicativos, volume que representa entre 18% e 20% de todos os veículos pertencentes às locadoras no país. Apenas de 2021 a 2024, houve um crescimento de 76,5% nessa modalidade.

A necessidade de manter essa frota em circulação também movimenta muita gente, conforme reforça a presidente executiva da Associação Nacional de Empresas de Aluguel de Veículos e Gestão de Frotas (Anav), Roberta Marchesi, em seu perfil no LinkedIn.

“Cada carro adquirido movimenta uma série de serviços indiretos: manutenção, seguros, higienização, rastreamento, logística e revenda de seminovos — ativando uma cadeia produtiva ampla, desde a indústria até o setor de serviços locais”, afirma.

Em artigo assinado, o diretor executivo de Automóvel e Massificados da Allianz Seguros, David Beatham, reforça que a continuidade do crescimento do mercado de locação, especialmente com o avanço dos modelos de assinatura, indica também um potencial de expansão para o segmento de seguros voltado a frotas.

“Mesmo com desafios na popularização do serviço, como o alto valor das mensalidades, esse novo mercado oferece mais uma opção para que os corretores diversifiquem sua carteira. Aqueles que estiverem atentos fecharão cada vez mais negócios, ampliando sua área de atuação e crescendo no mercado”, conclui.

Calendário de feriados deve estimular a locação em 2026

O ano de 2026 aparece no radar do setor como um período favorável para o turismo, impulsionado por um calendário com muitos feriados e pontos facultativos. Em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, a combinação entre datas nacionais, estaduais e municipais pode resultar em até 21 dias potenciais de descanso, segundo estimativa da Abla.

Para a instituição, a predominância de feriados em dias úteis, especialmente segundas, quintas e sextas-feiras, tende a incentivar deslocamentos de curta e média distâncias, frequentemente realizados por via rodoviária. Com isso, a procura por locação por dois, três dias e até pela semana se torna aquecida.

A Abla também destaca o recorde na entrada de estrangeiros em 2025, que somou mais de nove milhões de visitantes e, se mantendo este ano, pode estimular ainda mais o setor.

“A locação de veículos é algo natural para quem vem de fora, principalmente da Europa e da América do Norte”, diz o vice-presidente, que conclui que os turistas já têm o hábito de incluir o aluguel do carro como alternativa para seus deslocamentos em viagens.

O executivo observa ainda que a expectativa de maior movimentação ao longo dos feriados prolongados amplia a importância do planejamento antecipado. Segundo ele, o aumento da procura pode reduzir a disponibilidade de veículos e pressionar os preços para quem deixa a reserva para mais perto da data.

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