Ex-BBB Natália Deodato volta a trabalhar como manicure e levanta debate: como reconstruir a carreira depois da fama?
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Especialista em gestão humanizada explica por que retomar uma antiga profissão não deve ser encarado como retrocesso e alerta para os desafios profissionais enfrentados após períodos de grande exposição

A passagem por um reality show pode transformar uma pessoa desconhecida em uma celebridade praticamente da noite para o dia. Convites, publicidade, eventos e milhares ou até milhões de seguidores criam a impressão de que aquela exposição será suficiente para sustentar uma nova carreira. O desafio aparece quando os holofotes diminuem e é preciso decidir qual caminho profissional seguir.

O assunto ganhou repercussão depois que a ex-BBB Natália Deodato mostrou sua rotina de trabalho como manicure, atividade que já exercia antes da participação no programa. O retorno a uma ocupação anterior à fama pode surpreender parte do público justamente porque ainda existe a ideia de que se tornar conhecido significa, necessariamente, abandonar definitivamente a antiga profissão.

Para Juliana Dandrade, especialista em gestão humanizada, essa percepção desconsidera a instabilidade que pode acompanhar carreiras construídas a partir da exposição.

“Existe uma expectativa de que, depois que alguém alcança a fama, sua trajetória profissional precisa seguir obrigatoriamente uma linha ascendente. Mas visibilidade não é sinônimo de estabilidade. A exposição pode abrir portas, gerar contratos e criar oportunidades, mas esse movimento também pode ser passageiro. Retomar uma profissão que a pessoa conhece e domina pode ser uma escolha estratégica para gerar renda, reorganizar a vida profissional e recuperar autonomia”, explica.

Segundo a especialista, um dos principais obstáculos nesse processo é lidar com o julgamento de quem interpreta a volta à antiga ocupação como sinal de fracasso.

“Voltar a fazer algo que você fazia antes não significa voltar para trás. Existe uma diferença entre status e trabalho. Se aquela pessoa possui uma habilidade, consegue gerar renda com ela e encontra uma oportunidade de negócio, utilizar esse conhecimento demonstra capacidade de adaptação. O problema é que socialmente ainda associamos sucesso à manutenção de determinado status”, afirma Juliana.

Para ex-participantes de realities e outras celebridades que experimentam períodos intensos de exposição, a transição pode exigir também uma reconstrução da identidade profissional. Afinal, a fama pode fazer parte da trajetória sem necessariamente precisar se transformar na única fonte de renda.

“A fama é uma circunstância que pode potencializar uma carreira, mas não deveria ser entendida como garantia profissional. Saber aproveitar a visibilidade e, ao mesmo tempo, manter competências, desenvolver novos projetos e reconhecer outras possibilidades de trabalho é uma forma muito mais sustentável de pensar a própria trajetória. Recomeçar, inclusive em uma profissão conhecida, também pode ser uma decisão de carreira”, conclui Juliana Dandrade, especialista em gestão humanizada.

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