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Equipe Olímpica de Refugiados segue competindo em Tóquio no caratê e maratona

Equipe Olímpica de Refugiados segue competindo em Tóquio no caratê e maratona
DKV/Brigitte Kraußer O atleta sírio Wael Shueb chegou a participar de campeonatos nacionais em seu país, mas estreou nos Jogos Olímpicos este ano

Últimos dias da Olimpíada de Tóquio 2020 conta com a estreia de três atletas refugiados que tentam a primeira medalha do time que compete pela Bandeira Olímpica

O caratê foi o que salvou o refugiado sírio Wael Shueb de uma vida repleta de dificuldades. Aos 33 anos, o sírio dividia seu tempo entre o emprego em uma fábrica têxtil na cidade de Damasco e como coach de artes marciais. Sua vida virou de cabeça para baixo quando, em 2015, ele teve que deixar o país devido ao agravamento dos conflitos na Síria.

O deslocamento forçado de Wael da Síria foi uma odisseia. Ele viajou durante quatro semanas até chegar à Alemanha, enfrentando jornadas em botes de borracha até a Turquia e longas pedaladas pela Macedônia do Norte.

Em um novo país, com uma nova cultura e um idioma desconhecido, foi o caratê que ajudou Wael a se adaptar à nova realidade. Treinando constantemente, o atleta se especializou na modalidade kata, que consiste em golpes com menos contato entre os adversários.

Atualmente, Shueb está entre os dez melhores da modalidade na Alemanha. No campeonato alemão em Hamburgo, realizado no início de 2020 – o último grande evento antes da pandemia do coronavírus – ele terminou em décimo lugar na competição individual. Em 2009, mais de 10 anos antes de ser classificado para sua primeira Olimpíada em Tóquio, o atleta foi campeão nacional da Síria.

“O esporte abre portas e fala todos os idiomas. O esporte é o campeão mundial da integração”, disse o atleta sírio ao Comitê Olímpico Internacional (COI) que, com o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), é responsável pela formação da Equipe Olímpica de Refugiados.

Em sua estreia nos Jogos, Wael espera trazer visibilidade às pessoas refugiadas em todo o mundo. “Eu tento dar força a eles, mostrando que pessoas refugiadas podem alcançar o que elas quiserem”, afirma.

A maratona Olímpica com participação de um atleta refugiado

O encerramento desta edição histórica dos Jogos Olímpicos Tóquio 2020 acontece no próximo fim de semana e a última participação da Equipe Olímpica de Refugiados em Tóquio será justamente a do maratonista Tachlowini Gabriyesos, que competirá no sábado (7).

Ele deixou a Eritreia quando tinha apenas 12 anos, mas nunca abandonou a paixão pela corrida. As jornadas por grandes distâncias começaram cedo: forçado a deixar seu país de origem pelas delicadas situações de conflito, percorreu desertos entre o Sudão e o Egito a pé até chegar em Israel. Aos 23 anos, Tachlowini treina diariamente no Emek Hefer, em Tel Aviv.

Corredor de médias e longas distância, Gabriyesos é a definição de resiliência, tendo enfrentado diversos obstáculos com resistência física, força mental e uma visão positiva.

Em 2019, ele foi um dos seis escolhidos para competir pela Equipe de Refugiados no Campeonato Mundial de Atletismo de Doha 2019, mas sofreu um grande golpe antes mesmo de chegar lá. Em uma escala de rotina em Istambul, ele foi obrigado a ficar no aeroporto turco durante 27 horas por conta de seu visto. No ano seguinte, Tachlowini foi mais uma vez impedido de viajar para a Polônia para uma meia-maratona mundial em Gdynia.

Equipe Olímpica de Refugiados segue competindo em Tóquio no caratê e maratona

Tachlowini Gabriyesos/Instagram Tachlowini Gabriyesos será o último atleta da Equipe Olímpica de Refugiados a competir em Tóquio

Em sua primeira Olimpíada, o maratonista quer mostrar ao mundo que tudo é possível. “Honestamente, foi muito difícil me manter motivado sem ter objetivos de curto prazo (durante a pandemia), mas você não pode desistir quando se trata dos Jogos Olímpicos”, disse o atleta ao World Athletics em maio deste ano.

Tachlowini, que foi um dos porta-bandeiras da Equipe Olímpica de Refugiados ao lado da nadadora síria Yusra Mardini competirá no sábado, a partir das 19h (horário de Brasília), encerrando a participação do time de refugiados neste ciclo Olímpico.

Confira os detalhes da agenda das competições dos atletas nos próximos dias, de acordo com o horário de Brasília:

Caratê | Hamoon Derafshipour: 05/08 (5ª feira), a partir das 22h

Caratê | Wael Shueb: 06/08 (6ª feira), a partir das 22h

Maratona | Tachlowini Gabriyesos: 07/08 (sábado), a partir das 19h

Clique aqui para acessar o texto no site oficial do ACNUR.