No dia 29 de julho, às 18h30, o Centro Cultural Poder Judiciário do Rio de Janeiro (CCPJ RJ) recebe a apresentação única e gratuita do monólogo “O Julgamento de Zé Bebelo”. O espetáculo se apresentará no Edifício Desembargador Caetano Pinto de Miranda Montenegro, localizado na Rua Dom Manuel, 29, no Centro do Rio. A encenação ganhará um contorno ainda mais simbólico ao ser apresentada em uma sessão especial no antigo Tribunal do Júri do TJRJ.
Terceira parte da reconhecida Trilogia Grande Sertão: Veredas, a peça é um recorte do clássico do escritor mineiro João Guimarães Rosa. A trama transporta o público para a transição entre a República Velha e o início da Era Vargas, desenhando um panorama do sistema jagunço e do coronelismo. Na história, o chefe jagunço Zé Bebelo é derrotado em combate, mas, ao contrário da praxe violenta do sertão, exige um julgamento “correto e legal”. A partir desse impasse, surge uma teoria de justiça singular: o líder Joca Ramiro assume o papel de juiz e garante ao réu o direito à ampla defesa.
A apresentação no espaço do Poder Judiciário cria um diálogo raro entre a ficção literária e a realidade jurídica. Ao discutir temas como a busca pelo devido processo legal, a ética e a origem dos direitos em um sertão dominado pelas armas, a encenação aproxima a grande literatura brasileira das reflexões sobre a cidadania e o papel da justiça.
Fidelidade à palavra e linguagem minimalista
Realizado pelo ator Gilson de Barros e sob a direção de Amir Haddad, o trabalho reflete um estudo aprofundado da obra rosiana. A montagem aposta em uma encenação limpa para dar protagonismo absoluto à força do texto.
“A montagem preserva a especificidade da linguagem poética de Guimarães Rosa, utilizando técnicas de interpretação narrativa que permitem uma imersão profunda na história, respeitando a riqueza linguística do autor”, destaca o ator Gilson de Barros.
Para o diretor Amir Haddad, a escolha estética potencializa a experiência do público:
“O espaço cênico minimalista, com poucos elementos visuais e sonoros, foi concebido para não sobrecarregar a narrativa, criando um ambiente propício para que o espectador se entregue à força da história e às questões universais que permeiam a obra”, explica Amir Haddad.
Ficha Técnica
Recorte e atuação: Gilson de Barros
Direção: Amir Haddad
Cenário e direção de arte: José Dias
Iluminação: Aurélio de Simoni
Programação visual: Pedro Azamor
Produção e Assessoria de Imprensa: Júlio Luz – 21 981279366
Fotos: Renato Mangolin
Realização: Barros Produções Artísticas Ltda.