Assessoria patrimonial aponta que muitos empreendedores confundem crescimento da empresa com segurança financeira, terminando dependentes do próprio negócio para manter o padrão de vida
O sonho de construir uma empresa de sucesso costuma estar associado à ideia de liberdade financeira. Na prática, porém, essa equação nem sempre se confirma. Muitos empresários passam anos expandindo operações, aumentando o faturamento, contratando equipes e reinvestindo constantemente no negócio, mas deixam em segundo plano a construção do patrimônio pessoal.
Esse fenômeno é definido pelo especialista em estratégia patrimonial Fill Borges, cofundador da Legado Capital, como “Efeito Império de Areia” — situação em que uma empresa parece sólida e bem-sucedida, mas toda a segurança financeira do empreendedor continua apoiada exclusivamente na operação do negócio. “A empresa gera renda, mas o patrimônio gera liberdade. São coisas diferentes. Muitos empresários constroem empresas extraordinárias, mas continuam dependentes delas para viver. Se a empresa desacelera, a vida financeira também desacelera”, afirma Fill.
A reflexão ganha ainda mais relevância diante da realidade do empreendedorismo brasileiro. Dados do IBGE mostram que apenas 37,9% das empresas abertas em 2017 permaneciam ativas cinco anos depois, evidenciando que todo negócio, independentemente do seu tamanho, está sujeito às oscilações do mercado.Segundo Fill Borges, o problema não está na dedicação ao negócio, mas na ausência de uma estratégia paralela de formação patrimonial. “Empresários aprendem a abrir empresas, vender, contratar, liderar pessoas e crescer. Mas poucos aprendem a transformar parte da renda gerada pelo negócio em patrimônio pessoal capaz de proporcionar independência financeira no futuro.”
Crescimento empresarial não significa liberdade financeira, afirma especialista
Na avaliação do especialista, existe uma confusão recorrente entre faturamento, renda e patrimônio. Enquanto o faturamento representa o volume de negócios da empresa e a renda depende da capacidade de geração de caixa, o patrimônio corresponde aos ativos acumulados que permanecem existindo independentemente da atividade empresarial. É justamente essa diferença que, muitas vezes, passa despercebida. “O empresário reinveste tudo na empresa porque acredita que ela será sua aposentadoria. Mas empresa é um ativo de risco. Patrimônio é aquilo que protege a família e garante liberdade de escolha”, explica.
Entre os sinais mais comuns identificados por Borges estão empresários que reinvestem praticamente todo o lucro na operação; possuem alto faturamento, mas poucos ativos pessoais; dependem exclusivamente do pró-labore ou da distribuição de lucros; adiam continuamente a construção patrimonial; acreditam que terão tempo para investir “mais tarde”.
Outro erro frequente observado é a mistura entre patrimônio empresarial e patrimônio pessoal. Pesquisa do Sebrae aponta que cerca de 61% dos empreendedores brasileiros realizam pagamentos da empresa utilizando contas pessoais, prática que compromete a organização financeira e dificulta o planejamento de longo prazo. Para Fill Borges, essa dependência excessiva da empresa aumenta a vulnerabilidade financeira do empreendedor. “Quando todo o patrimônio está concentrado dentro do negócio, qualquer crise operacional afeta diretamente a vida pessoal. O empresário passa a depender da empresa para manter sua renda, sua aposentadoria, sua segurança e o futuro da família.”
Foi a partir da observação recorrente desse cenário que a empresa desenvolveu um método de trabalho denominado M.I.D. (Mapeamento Patrimonial, Inteligência Estratégica e Desenvolvimento Patrimonial), voltado à organização de objetivos financeiros de longo prazo, análise da capacidade de investimento e acompanhamento da construção patrimonial ao longo do tempo.
A metodologia considera não apenas aspectos financeiros, mas também fatores comportamentais que influenciam decisões relacionadas a consumo, risco, disciplina e planejamento. Nesse processo, a cofundadora Marta Nudelman, doutora em Neurociência do Comportamento, contribui com análises sobre como padrões de decisão podem impactar a execução de estratégias patrimoniais. “Muitas pessoas têm renda suficiente para construir patrimônio, mas enfrentam dificuldades para manter consistência nas decisões financeiras ao longo dos anos. Por isso, o comportamento também precisa ser considerado no planejamento”, explica.
A abordagem adotada pela empresa trata instrumentos como financiamento, home equity, consórcio e crédito estruturado como possíveis recursos dentro de um planejamento mais amplo, e não como soluções isoladas. Segundo Fill Borges, a discussão deve começar pelos objetivos patrimoniais do cliente e pela viabilidade da estratégia antes da escolha das ferramentas financeiras. “A empresa gera renda. O patrimônio gera liberdade. O desafio é transformar parte do resultado produzido hoje em ativos que continuem existindo no futuro”, resume.
Sobre a Legado Capital Fundada em 2024 por Fill Borges e Marta Nudelman, a Legado Capital é uma assessoria especializada em estratégias de multiplicação patrimonial. A empresa atua na estruturação de planejamentos personalizados que integram crédito estratégico, ativos imobiliários, inteligência financeira e análise comportamental para ajudar empresários, investidores e profissionais de alta renda a transformar crescimento econômico em patrimônio sólido e de longo prazo. Seu posicionamento parte do princípio de que ferramentas financeiras são meios, e não fins: o foco está na construção de patrimônio com estratégia, segurança e visão de legado.