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É preciso gostar de cálculo para ser engenheiro?

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Neste ano, 14.733 candidatos são esperados para as provas da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), a fim de tentar vagas em uma das 16 faculdades de Engenharia da Universidade de São Paulo (USP). Dentre esses cursos, o mais concorrido foi o de Engenharia Aeronáutica, com 720 inscritos para 33 vagas.

Os aprovados, não importa em qual habilitação, irão se deparar com uma necessidade desde o início: estudar cálculo. Criado por Isaac Newton, a partir da álgebra e da geometria, esse ramo da matemática engloba conceitos como limites, derivadas, integrais, funções e uma série de variações e aplicações desses elementos. O volume de conteúdo e a carga de dedicação costuma assustar muitos estudantes, mesmo aqueles que têm afinidades com as ciências exatas.

Os especialistas orientam: o aprendizado do cálculo deve vir a partir da compreensão. Decorar fórmulas não solidifica o conhecimento necessário ao estudante para as demais disciplinas do curso que dependem dos conceitos iniciais.

Existe engenharia sem cálculo?

A resposta é não. As Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Graduação de Engenharia, instituídas pelo Conselho Nacional de Educação tornam obrigatório o estudo de matemática para a formação do estudante de engenharia.

Conforme o parágrafo 1º do artigo 9º da Resolução nº 2/2019 da Câmara de Educação Superior, “todas as habilitações do curso de Engenharia devem contemplar os seguintes conteúdos básicos: Administração e Economia; Algoritmos e Programação; Ciência dos Materiais; Ciências do Ambiente; Eletricidade; Estatística; Expressão Gráfica; Fenômenos de Transporte; Física; Informática; Matemática; Mecânica dos Sólidos; Metodologia Científica e Tecnológica; Química e Desenho Universal”.

O coordenador de Conteúdo do Responde Aí, Jorge Alberto Santos, ressalta que a obrigatoriedade de todas essas disciplinas deixa claro que, para se formar em uma das engenharias, o estudante precisa da matemática.

“É bem importante que o aluno goste de trabalhar com números, resolver problemas e se interesse por trabalhos analíticos, aliados à lógica e à criatividade. Durante o curso, grande parte das disciplinas são voltadas para a resolução de problemas usando a matemática, o que faz com que exista um foco grande nas disciplinas de cálculo e de física logo no início, nos primeiros semestres”, explica.

Santos aponta que não é obrigatório ingressar no curso sabendo tudo sobre cálculo ou ser um gênio com os números, mas se faz necessário estabelecer uma relação com a disciplina. “É difícil que o aluno consiga avançar pelo curso caso não tenha interesse algum pelas ciências exatas. Não é necessário que a pessoa domine todas as fórmulas e os assuntos. O importante é ter afinidade com esse ramo de estudo, gostar de ter os números como aliados, e ter bastante interesse por resolver problemas”, avalia.

Superando o medo do cálculo

O coordenador destaca que as ferramentas do cálculo, como os limites, as derivadas e as integrais, são amplamente utilizadas ao longo da formação universitária. “Estão presentes em diversas disciplinas, como mecânica, resistência dos materiais ou até mesmo probabilidade e estatística”, comenta.

A recomendação é enfrentar o receio e transformá-lo em um desafio, não em um tabu. “O primeiro passo para superar o medo do cálculo é saber que está tudo bem se o estudante não entender a explicação de primeira, se errar ou não souber uma fórmula ou uma equação”, aconselha Santos.

Outro ponto que ajuda o estudante é ir além da sala de aula e da lista de exercícios do professor. Livros, videoaulas, tarefas on-line ou provas antigas são formas de praticar e reforçar o aprendizado. “O ideal é entender a ideia central e depois fazer muitos exercícios. Dessa forma, o aluno vai conseguindo compreender os processos de resolução das questões e as coisas vão ficando bem mais leves”, resume.

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