Da superação ao reconhecimento internacional: ANCR consolida avanços que transformaram a Rédeas brasileira
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Superar os impactos de uma pandemia, enfrentar a destruição de estruturas fundamentais para as competições e, ao mesmo tempo, construir condições para que a Rédeas brasileira avançasse em organização, infraestrutura e presença internacional. A trajetória recente da Associação Nacional do Cavalo de Rédeas (ANCR) reúne desafios que exigiram dedicação da diretoria, capacidade de mobilização e continuidade de trabalho. Entre 2021 e 2026, esse esforço se traduziu em realizações que ajudam a explicar o espaço conquistado pelo Brasil no cenário mundial da modalidade.

Para o presidente Francisco Moura, compreender esse crescimento exige reconhecer tanto o empenho da diretoria que atuou até aqui, quanto a contribuição das gestões anteriores e de toda a comunidade da Rédeas.

“Sempre me lembro de uma frase do ex-presidente Peter Christians: ‘A ANCR é de todos’. Essa ideia resume a responsabilidade de quem está à frente da associação. Recebemos um legado, trabalhamos para ampliá-lo e temos o dever de deixar condições melhores para quem vier depois. Cada conquista pertence aos associados, aos criadores, aos competidores, aos profissionais, aos patrocinadores e a todos que ajudam a construir a nossa modalidade”, afirma Moura.

Essa visão de continuidade encontra respaldo na própria história da entidade. Durante a gestão de Peter Christians, iniciativas como o fortalecimento dos núcleos, a Copa Internúcleos, as competições organizadas em níveis, a nominação de potros e a estruturação do Comitê de Juízes contribuíram para estabelecer bases esportivas e institucionais sobre as quais as diretorias seguintes puderam avançar.

Essa construção, resultado do trabalho de diferentes gestões ao longo dos anos, também é destacada por Jefferson Abbud, que acompanha a trajetória do cavalo de Rédeas e da ANCR há décadas. Com 48 anos de criação de Quarto de Milha (QM) e integrante dos Hall da Fama da ABQM e da ANCR, ele ressalta o trabalho desenvolvido pela atual Diretoria e o ambiente de confiança e respeito entre seus integrantes. “O desempenho e a entrega da atual Diretoria da ANCR é um marco na história da Rédeas. Fato que só foi possível pelo esforço, dedicação, generosidade e, especialmente, pelo ambiente amistoso, de confiança e respeito entre os Diretores e Conselheiros. Sensação de dever cumprido e de um legado para as próximas gerações, que, com muito orgulho, meus filhos fazem parte”, afirma.

Nos anos recentes, o compromisso de preservar e desenvolver esse patrimônio coletivo foi colocado à prova. Em 2021, ainda sob os efeitos da pandemia, a ANCR mobilizou a comunidade para a retomada das competições. O Campeonato Nacional e Potro do Futuro daquele ano reuniu 350 cavalos e mais de 800 inscrições, com premiação total superior a R$ 600 mil, considerando dinheiro e demais prêmios. O resultado demonstrou a disposição de criadores, proprietários e atletas para recolocar a modalidade em movimento.

Com 35 anos de atuação como profissional e diretor técnico da ANCR, Paulo Koury acompanhou diferentes momentos dessa trajetória e destaca o caminho percorrido até o atual estágio da entidade. “Competindo e participando de várias diretorias da ANCR desde sua criação até hoje, é inimaginável enxergar o patamar que atingimos. Poucos sabem os difíceis caminhos percorridos para chegarmos onde estamos. Penso que isso é resultado de muito trabalho, seriedade, transparência e confiança por parte de todos que participaram dessa longa trajetória, desde diretores, treinadores, competidores e associados em geral, assim como de todos os segmentos envolvidos nas parcerias que tornaram realidade essa linda e vencedora história da ANCR. Particularmente, é um orgulho fazer parte desta associação. Sem dúvidas, existe um legado a ser desfrutado no futuro, assim como novos desafios para que a ANCR permaneça unida e crescendo”, afirma.

O passo seguinte também apontou para fora do país. Em 2022, Avaré recebeu a primeira edição da World Youth Reining Cup, realizada em conjunto pela ANCR, pela National Reining Horse Association (NRHA) e pela Reining Horse Foundation (RHF). O brasileiro Gabriel Cordeiro Martins conquistou o título inaugural, em uma competição que aproximou jovens de diferentes países e colocou o Brasil no centro de uma iniciativa internacional voltada ao futuro do esporte.

A articulação internacional contou com a participação de João Marcos de Arruda Pires, cujo trabalho foi reconhecido por Moura no balanço daquela edição. Receber o mundial exigiu organização e colaboração, inclusive de proprietários brasileiros que cederam cavalos aos participantes estrangeiros. A realização mostrou como o relacionamento institucional pode se transformar em oportunidades concretas para a modalidade.

“Respeito internacional se conquista com trabalho, relacionamento e capacidade de realizar. Nossa diretoria se dedicou a fortalecer essas relações e a mostrar que o Brasil tem pessoas comprometidas, cavalos de qualidade e condições de receber grandes competições. Esse reconhecimento também valoriza quem cria, treina, compete e investe aqui”, destaca o presidente.

A valorização esportiva ganhou outra expressão em 2023, quando o Potro do Futuro ultrapassou R$ 1 milhão em premiações, somando dinheiro e bens oferecidos aos vencedores. O marco reforçou a importância das parcerias e dos mecanismos de incentivo para reconhecer o trabalho de atletas, treinadores, criadores e proprietários.

Mas o mesmo ano reservava um dos maiores desafios dessa trajetória. Em 3 de novembro, um temporal atingiu Avaré e destruiu estruturas utilizadas pelas competições equestres no Parque de Exposições Fernando Cruz Pimentel. As imagens das coberturas retorcidas expuseram a dimensão dos prejuízos e a necessidade de reorganizar os planos para o complexo.

Conforme o levantamento institucional da ANCR, mesmo diante desse cenário, o Super Stakes de 2023 foi realizado. A mobilização para colocar a competição em pista foi acompanhada por um compromisso mais amplo: reconstruir e criar uma estrutura capaz de atender às próximas etapas de desenvolvimento da modalidade.

A evolução da modalidade também é percebida por José Roberto van Cleef de Almeida Santos, que ingressou na Rédeas em 2020 e, desde então, passou a acompanhar de perto o desenvolvimento do esporte e do mercado ligado ao cavalo de Rédeas no Brasil. “A constante evolução da modalidade, protagonizada pela ANCR, reflete a força e o crescimento do mercado do cavalo de Rédeas no Brasil.

“É evidente o aumento do número de praticantes, treinadores, centros de treinamento e criadores nos últimos anos. Da mesma forma, a qualidade técnica e organizacional das provas tem evoluído significativamente a cada temporada.

“O trabalho árduo e a dedicação de todos os membros da Diretoria são fatores que refletem diretamente o momento positivo vivido pela modalidade em nosso país. Diante de todo o legado construído pela atual Diretoria até aqui, tenho plena convicção de que os próximos anos serão ainda mais promissores para o esporte”, afirma Santos.

Esse crescimento também pode ser dimensionado pela perspectiva de quem acompanha a Rédeas brasileira desde os primeiros anos de sua expansão. Alexandre Ramos está na modalidade desde 1989, fez sua primeira prova em 1990 e participou da diretoria e do Conselho da ANCR em diferentes gestões.

“Estou na modalidade desde 1989 e fiz minha primeira prova em 1990. Posso dizer que tive o privilégio de acompanhar a Rédeas praticamente desde o seu começo no Brasil e, ao longo de todos esses anos, ver de perto uma transformação enorme.

“Vi tempos em que tínhamos cinco ou seis competidores no Amador e cerca de 20 na Aberta de um Potro do Futuro. Meu pai foi presidente da ANCR por dois mandatos, e eu também tive a oportunidade de participar da diretoria e do Conselho em diferentes gestões. Com certeza, desde 1989, a Rédeas está presente diariamente na minha vida.

“Tenho muita satisfação em participar e reconhecer o trabalho desta diretoria nos últimos dois mandatos. Fizemos a diferença e levamos a Rédeas brasileira para outro patamar. Isso é resultado de muito trabalho, dedicação e comprometimento.

“Parabéns a todos vocês. Vocês são feras e deixaram uma marca importante na história da ANCR. Foi um prazer fazer parte disso com vocês”, afirma Ramos.

Ao longo de 2024 e 2025, a diretoria reuniu esforços de patrocinadores, empresas, criadores, doadores e poder público. O histórico da entidade destaca a participação de Jefferson Abbud e Paulo Koury, ao lado dos demais diretores e colaboradores envolvidos no projeto.

A inauguração da Arena Integral Mix, em junho de 2025, no Parque de Exposições de Avaré, representou uma das entregas desse período. Concebida para a prática da Rédeas, a estrutura materializou a parceria entre a ANCR e a empresa de nutrição animal e representou uma entrega duradoura para a comunidade equestre.

Foto: Adilson Silva/Foto Perigo
Foto: Adilson Silva/Foto Perigo

“Quem olha uma arena pronta nem sempre imagina o trabalho necessário para chegar até ali. Foram muitas conversas, busca de parceiros, decisões e pessoas dedicadas a fazer o projeto acontecer. Depois de tudo o que enfrentamos, entregar essa estrutura foi uma demonstração de quanto a união pode realizar. Faço questão de dividir esse reconhecimento com toda a diretoria e com cada pessoa que contribuiu”, ressalta Moura.

Alessandro Tomazela, que integrou a diretoria da ANCR por dois mandatos, também faz uma avaliação do período e destaca os avanços alcançados, assim como os desafios que surgem a partir do crescimento da modalidade.

“Fiz parte da diretoria por dois mandatos e gostaria de convidar todos vocês para avaliarmos, em conjunto, tudo o que fizemos até aqui. Toda a evolução em infraestrutura, premiação, genética e qualidade das provas. Poderíamos ter conduzido alguns pontos de maneira diferente? Claro que sim. Sempre haverá oportunidades de melhoria. Chegamos até aqui graças ao conhecimento, à dedicação e ao trabalho de todos aqueles que constroem esta modalidade há mais de 40 anos. Continuaremos evoluindo com essa experiência, aliada à inovação e ao compromisso de quem deseja ver nossa modalidade crescer de forma sólida e correta.

“Crescemos de maneira expressiva em número de competidores, criadores, patrocinadores, treinadores, ranchos, haras, provas e núcleos. Durante esse período, esta diretoria destinou integralmente os recursos disponíveis para cobrir os custos das provas e direcionou todo o excedente para a premiação. Agora, diante desse crescimento, chegou o momento de também investir parte desses recursos no fortalecimento da organização da ANCR e na estrutura necessária para sustentar esse desenvolvimento. Precisaremos investir em governança, processos e na estrutura da Associação para que possamos continuar crescendo.

“Gostaria de pedir a todos os competidores, amadores, treinadores, criadores e patrocinadores que continuemos a trabalhar e construamos juntos. Que possamos seguir unidos, aprendendo e trabalhando para que a nossa modalidade continue crescendo, evoluindo e se fortalecendo a cada ano.”

Em 2026, a presença da World Youth Reining Cup novamente em Avaré reforçou essa conexão com o cenário internacional. A divulgação da edição destacou representantes de 16 países, ampliando a convivência entre jovens atletas e a visibilidade do Brasil como sede de competições da modalidade.

As perspectivas para os próximos anos acrescentam um novo capítulo. O The Run For A Million Brazil foi anunciado para Avaré em 2027 e 2029, em uma realização da JBJ Ranch, Haras WV, JD Ranch e Alpha Quarter Horses, com homologação e validação da ANCR e da NRHA. Segundo o anúncio dos realizadores, a classificatória brasileira será gerenciada pela ANCR. A iniciativa amplia as oportunidades de integração do país ao circuito internacional.

O balanço também é acompanhado por Luiz Marques, que soma 12 anos de participação em competições e se define como “entusiasta incorrigível, apaixonado pela Rédeas”. Para ele, os associados tiveram papel fundamental na construção dos resultados alcançados pela entidade. “Obrigado, associados: a força que sustentou estes anos!

“Nenhuma conquista da ANCR nos últimos anos aconteceu sozinha. Por trás de cada arena reconstruída, de cada premiação paga em dia e de cada competição internacional recebida em solo brasileiro, houve associados que apostaram — com recursos, com estrutura, com trabalho e com confiança — numa gestão que se comprometeu a entregar resultado.

“Foi esse apoio que permitiu equilibrar as contas mesmo em anos de premiações recordes. Pagar prêmios importantes sem comprometer a saúde financeira da associação não é obra do acaso: é fruto de planejamento sério e de parceiros que entenderam que investir na Rédeas brasileira é investir no próprio esporte que praticam.

“Esse trabalho abriu portas. Trouxe competidores estrangeiros para pistas brasileiras, levou brasileiros para fora, validou o reconhecimento da NRHA ao que construímos aqui e criou as condições para atrair novos patrocinadores; interessados não só em associar sua marca a um evento, mas a uma gestão que entrega o que promete. Também trouxe gente nova: profissionais, criadores e atletas que chegaram nos últimos anos e já fazem parte do dia a dia da modalidade, renovando o que a ANCR representa.

“Sabemos que uma gestão nunca agradará a todos; e não é essa a nossa métrica. Nossa certeza é outra: a de termos conduzido esse período com integridade, com contas equilibradas e com resultados consolidados, que ficam para quem vem depois. A cada associado que colaborou, o nosso reconhecimento. O que construímos é de todos nós”, afirma Marques.

Para Francisco Moura, os resultados devem ser compreendidos como parte de um trabalho permanente. Sustentar a evolução significa continuar cuidando das competições, dos relacionamentos institucionais e das condições oferecidas a quem participa da modalidade.

“Temos orgulho do que foi realizado porque sabemos o quanto foi necessário trabalhar para chegar até aqui. A atual diretoria se dedicou a enfrentar dificuldades, buscar soluções e abrir caminhos para a Rédeas brasileira. Mas também sabemos que nenhuma associação cresce sozinha. Nosso compromisso é continuar aproximando as pessoas e criando oportunidades e é com todos que queremos construir o futuro”, ressalta.

Ao fazer um balanço de sua trajetória à frente da entidade, Moura também destaca as mudanças pelas quais a diretoria passou ao longo dos anos e projeta os próximos desafios.

“Estou na presidência da ANCR desde 2014 e, nestes anos, tivemos muitas mudanças de pessoas na diretoria, e cada uma sempre trouxe algo novo, aliado à tradição e ao conhecimento dos remanescentes, com os quais conseguimos realizar muitas coisas.

“Quando olho para trás, tenho a certeza de que fizemos o nosso melhor e entregamos uma associação melhor para o associado. Quando olho no horizonte, tenho certeza de que não temos limite para o crescimento e, nos próximos dois anos, faremos coisas incríveis.

“Convido a todos para estarem conosco nesta jornada. Ela não é da diretoria, do Conselho ou dos funcionários da ANCR; ela é de todos e precisa ser construída por todos e para todos.

“Um agradecimento às pessoas que estão deixando a diretoria e o Conselho e um muito obrigado aos novos integrantes. Tenho certeza de que todos estarão juntos com um único objetivo: nossa paixão, Rédeas!”

Foto: Adilson Silva/Foto Perigo

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