Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Ambipar desenvolve tecnologia para o reflorestamento em massa com práticas ESG

A multinacional brasileira líder em gestão ambiental, a Ambipar, através de seu Centro de Pesquisa e Desenvolvimento, criou um produto para a prática de reflorestamento em massa. A partir de cápsulas de colágeno – 150 toneladas de resíduos proveniente do processo de fabricação de vitaminas, fármacos e suplementos da indústria farmacêutica -, que antes eram descartadas em aterros sanitários, agora voltam à natureza em forma de árvores, pois o inóculo de cápsula é preenchido com sementes de plantas nativas e coletadas nas próprias florestas de cada bioma.

No bioma Amazônico, por exemplo, as sementes são coletadas pelos próprios indígenas como o Instituto Raoni e cooperativa indígena Caik. Elas são levadas para o laboratório e encapsulada uma a uma junto com ‘condicionador de solo – adubo orgânico produzido com rejeitos orgânicos – o Ecolosolo, e posteriormente lançadas remotamente por satélite, acessando assim áreas remotas e de difícil acesso.

Em contato com a água, as cápsulas rapidamente derretem e formam nutrientes e organismos biológicos que ativam a semente, provocando uma maior probabilidade de germinação, principalmente em solos degradados onde houve desmatamento, queimada, erosão, ou outra ação degenerativa antrópica. Além disso, a própria cápsula faz com que a semente seja protegida contra o sol.

Assim, por meio de um dispositivo de lançamento acoplado ao drone é possível fazer o lançamento aéreo em áreas específicas de difícil acesso. Foram realizados diversos testes em áreas estratégicas como mata ciliares degradadas no entorno da Serra da Cantareira, na grande São Paulo.

Outros destaques do produto:

  • As cápsulas não possuem resquícios de nenhum medicamento, sendo livre de quaisquer contaminações, além de altamente solúveis em água;
  • É uma forma de valorização de resíduos, fugindo do método convencional que possui elevados custos e impactos ambientais;
  • Excelente alternativa de elegibilidade para certificação de geração de créditos de carbono;
  • Possui preceitos ligados aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), mais precisamente o 2, 3, 9, 11, 12, 13 e 15, além de atender os preceitos acordados na COP 26;
  • Em um voo de drone é possível carregar de 1000 a 3000 biocápsulas;
  • O desenvolvimento (germinação) pode ser monitorado via satélite com softwares que fazem a leitura da copa das árvores;
  • Tecnologia com registro de pedido de patente.

As florestas são fundamentais para o equilíbrio ecológico, devido sua ligação com os recursos que sustentam a vida no nosso planeta e possuem influência direta sobre o ambiente e regulação do clima, particularmente em relação à umidade e temperatura. Além disso, as florestestas possuem uma participação fundamental no ciclo da água, auxiliando na regulação das precipitações, dos cursos e reservatórios d’água além de contribuir para a estabilização geológica da textura, topografia e fertilidade dos solos, tornando possível o desenvolvimento de complexos e diversificados nichos ecológicos.

Junto à oxigenação da atmosfera, os ecossistemas florestais permitem que os solos se sustentem ricos com matéria orgânica e microrganismos como bactérias, fungos e protozoários diversos no qual alimentam outros ecossistemas. Ademais, tem um importante papel no sequestro de CO2 – gás carbônico -, principal gás poluente causador do efeito estufa. “Portanto, as florestas constituem um grande reservatório de carbono, que fica estocado no tronco das árvores, nos galhos, nas folhas, no corpo dos animais e no solo”, explica Gabriel Estevam Domingos, Diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Ambipar.

Outra grande importância das florestas são os benefícios sociais trazidos à humanidade como a melhoria de qualidade de vida, o fornecimento de recursos naturais, como recursos madeireiros e genéticos, plantas medicinais, produtos destinados à alimentação animal e humana, locais de pesquisa, turismo e recreação.

O Brasil possui, especialmente na Amazônia – maior floresta tropical do mundo -, altos índices de desmatamento com uma média de 6.750 km2 por ano na última década e no ano de 2019 observou-se um aumento de 34% de desmatamento em relação ao ano anterior, chegando a 10.100 km² de desmatamento, segundo dados do INPE (2020).

Segundo o engenheiro ambiental, “a tecnologia se assemelha à natureza: como o próprio ciclo das aves que comem frutos e defecam as sementes com nutrientes presentes em suas fezes servem como nutriente para germinação”.

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