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Avanço da população idosa leva famílias a antecipar decisões, organizar despesas e conversar sobre a despedida

Falar sobre a morte ainda causa desconforto em muitas famílias, mas o envelhecimento acelerado da população baiana torna essa conversa cada vez mais necessária. Às vésperas do Dia dos Avós, celebrado em 26 de julho, o planejamento funerário começa a ser compreendido não apenas como uma preparação para a perda, mas como uma forma de cuidado, proteção financeira e respeito às escolhas de pais e avós.

Projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a Bahia reúne aproximadamente 2,47 milhões de pessoas com 60 anos ou mais — cerca de 16,6% da população estadual. Em 2000, eram aproximadamente 1,12 milhão. O crescimento da longevidade exige que as famílias se preparem para cuidar por mais tempo, mas também para enfrentar, com organização, as situações inevitáveis do ciclo da vida.

Conversar protege – Para Eduardo Fernandes, gestor de projetos do Campo Santo Familiar, abordar o planejamento funerário com antecedência não significa antecipar a morte, mas evitar que decisões importantes sejam tomadas sob forte impacto emocional. “Quando a família conversa previamente sobre preferências, responsabilidades e providências, reduz incertezas e consegue atravessar o momento da despedida com um pouco mais de tranquilidade”, afirma.

O diálogo pode envolver a localização de documentos, a definição de quem ficará responsável pelas providências, as preferências sobre cerimônia, sepultamento ou cremação, além da previsão dos custos. Sem essas informações, parentes fragilizados pelo luto precisam lidar, ao mesmo tempo, com burocracia, despesas inesperadas e decisões urgentes.

Tabu aumenta dificuldades – “O planejamento não antecipa a morte; antecipa soluções”, resume Samara Bastos, coordenadora de marketing do Campo Santo Familiar. Segundo ela, muitas pessoas evitam o assunto por medo de parecer pessimistas, embora a falta de diálogo possa aumentar a insegurança e até provocar divergências entre familiares.

A preparação pode incluir uma reserva financeira ou a contratação de assistência funerária. Antes de escolher qualquer modalidade, porém, é necessário verificar coberturas, períodos de carência, inclusão de dependentes, reajustes, abrangência territorial e serviços efetivamente previstos no contrato.

Serviços são diferentes – Também é importante distinguir a assistência funerária de serviço cemiterial. Em geral, a assistência reúne providências como urna funerária, preparação do corpo, documentação, traslado e organização do velório. Jazigo, sepultamento e taxas de cemitério podem exigir contratação específica, conforme as condições de cada plano.

Algumas empresas do segmento também oferecem benefícios que podem ser utilizados em vida. Na Bahia, o Campo Santo Familiar é um exemplo desse modelo, com assistência funerária, opções como cremação e velório on-line, além de uma rede de descontos para titulares e dependentes. A oferta acompanha uma tendência de ampliar o conceito de proteção familiar para além do momento do falecimento.

Idosos devem decidir – Embora filhos e netos possam iniciar a conversa, pais e avós devem participar das decisões enquanto mantêm autonomia. Ouvir suas preferências, crenças e valores evita que o planejamento seja imposto e garante que a despedida respeite a história de quem partiu.

O Dia dos Avós pode servir como oportunidade para tratar do assunto com sensibilidade. Em uma Bahia que envelhece, celebrar a longevidade também significa reconhecer a finitude. Planejar a despedida não diminui o valor da vida: permite que, no momento da perda, a família dedique menos energia à burocracia e mais ao acolhimento, à memória e ao afeto.

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