Asfixia Social transforma estrada, tensão e resistência em manifesto sonoro com “Revolutionary Rapport”

Asfixia Social transforma estrada, tensão e resistência em manifesto sonoro com “Revolutionary Rapport”

Guilherme Vito
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Diego Marcos / @dmfesporteDiego Marcos / @dmfesporte

Em um momento histórico marcado por colapsos múltiplos — sociais, políticos e ambientais — o Asfixia Social retorna com força máxima em “Revolutionary Rapport”, terceiro single do álbum Mess Bigger, que chega às plataformas digitais em 05 de março, com distribuição da Nikita Music.

Mais do que uma nova faixa, “Revolutionary Rapport” soa como um alerta transmitido diretamente do underground global. A música carrega urgência, confronto e organização coletiva, reafirmando a identidade da banda ao misturar hardcore punk, rap, funk e elementos urbanos em uma estrutura agressiva, pulsante e politicamente consciente.

O videoclipe amplia essa mensagem ao ser construído a partir da vivência real da banda durante sua quarta turnê europeia, em 2025. Gravado de forma orgânica ao longo da estrada, o vídeo conecta grandes palcos de festivais com espaços alternativos que sustentam a cena underground: bunkers, squats, casas históricas e centros autônomos. O resultado é um registro cru, coletivo e sem filtros, que traduz a experiência da música como ferramenta de resistência transnacional.

Dirigido pelo próprio grupo em parceria com o produtor Luis Lopes, o clipe atravessa países como Inglaterra, Alemanha, França, Portugal, Holanda e Luxemburgo, incluindo passagens por festivais emblemáticos da cultura punk e alternativa europeia. Essa escolha estética reforça o caráter independente da banda e seu compromisso com circuitos que operam à margem da indústria tradicional.

No aspecto musical, “Revolutionary Rapport” se destaca pelo peso dos riffs, pela presença marcante do naipe de metais e por uma lírica direta, construída em tom de enfrentamento. A faixa conta com participações de Erick Jay (toca-discos) e Carlos PXT (synths), além da produção de Pedro Garcia, baterista do Planet Hemp, somando densidade, textura e urgência à composição.

Como prévia do álbum Mess Bigger, previsto para maio de 2026, o single aponta para um trabalho ainda mais amplo, barulhento e politizado. O Asfixia Social não se propõe a entreter passivamente, mas a provocar, incomodar e convocar — cruzando fronteiras geográficas e zonas de conforto, mantendo a música como instrumento de consciência, confronto e transformação social.

O título “Revolutionary Rapport” remete à ideia de comunicação e confiança mútua entre vocês e o público. Como esse conceito se conecta com a relação da banda com o público e com os movimentos sociais que inspiram o som de vocês?

R: A nossa música e nossa vida cotidiana estão extremamente ligadas, não tem como separar uma coisa da outra. Por isso as causas, movimentos e opiniões políticas são tão presentes nas letras, e as pessoas que tão na luta com a gente, que estão nos shows e se identificam, fazem parte desse meio de comunicação. Revolutionary Rapport é essa convocação geral, pra gente estar alerta e organizado.

Durante a turnê europeia, houve algum momento específico — fora do palco — que redefiniu a forma como vocês enxergam o underground internacional e influenciou diretamente a construção desse single?

R: Os problemas sociais e ambientais são globais, não estão isolados… estar na estrada, no dia a dia com as pessoas locais, permite a gente ter uma percepção mais aguçada dos problemas e soluções, e isso com certeza influencia na nossa música e temáticas. É muito massa ser tão bem recebido por onde passamos, tanto lá no exterior quanto aqui no Brasil.

A mistura de hardcore, rap, funk e elementos urbanos aparece cada vez mais afiada. Esse crossover surge de forma natural no processo criativo da banda?

R: A ideia da banda sempre foi misturar o que a gente gosta, sem ter que se limitar a tocar isso ou aquilo. Algumas coisas acontecem de forma bem natural, outras a gente se debruça pra produzir melhor mesmo porque não é fácil misturar tanta coisa distinta e manter uma identidade. Estamos sempre aprendendo nesse processo…

O álbum Mess Bigger promete ampliar o discurso apresentado nos singles. Podemos esperar um trabalho mais conceitual, narrativo ou ainda mais direto e confrontacional?

R: “Mess Bigger” é um disco direto, aborda problemas antigos e atuais, coletivos e também questões comportamentais. Seria a sequência ainda mais pancada do “Bleeding in the Sun”, que lançamos em 2024. Já lançamos “Walls Won’t make you Safe” e “Capoeira-Karatê”, e agora vem “Revolutionary Rapport” pra avisar que tá chegando em breve!

Em um cenário de crise global e saturação de discursos, qual vocês acreditam ser o papel real da música politizada hoje: mobilizar, incomodar, organizar ou simplesmente não deixar o silêncio vencer?

R: Pra gente a música é uma forma de lutar contra as mentiras no campo ideológico e contra um abismo individualista para o qual o capitalismo tem jogado as pessoas, cada vez mais… ao vivo, nos shows, é melhor ainda, porque é uma conexão com a vida real, num mundo onde praticamente tudo é virtual e frio, a gente aquece a alma e convoca pra estarmos próximos, pra curtir, trocar ideia, discurtir e ver tudo de maneira mais simples e pé no chão… nesse sentido, acontece justamente o que você apontou: mobilização, calor humano e muita disposição pra lutar contra quem lucra com a injustiça, segregação, ignorância, misoginia, racismo, guerras, com a fome e com a destruição do planeta.

Créditos da Single:

Artista: Asfixia Social Single: Revolutionary Rapport
Participações: Erick Jay (toca-discos) e Carlos PXT (synths)
Produção musical: Pedro Garcia e Asfixia Social
Lançamento: 05 de março Formato: Digital e Videoclipe
Plataformas: Todas as plataformas de streaming
Distribuição: Nikita Music Álbum: Mess Bigger (maio de 2026)
Videoclipe: Direção: Asfixia Social e Luis Lopes

Conheça a banda pelo link: https://www.youtube.com/@asfixiasocial

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