A força do judô feminino brasileiro

*Eduardo Emilio Lang Marés da Costa

A prática do judô, estimula atletas iniciantes, intermediários e de alto nível a carregarem valores como o jita kyoei (prosperidade e benefícios mútuos) e o seiryoku zenyo (usar a energia de modo mais eficiente, evitando desperdícios ou esforços desnecessários), pois promove situações que envolvem integração física e social, amizade, participação, respeito mútuo e esforço para melhorar.

Tais valores são facilmente verificados em atletas como Mayra Aguiar, brasileira, nascida em Porto Alegre (RS) que hoje, aos 30 anos possui um currículo que impressiona até mesmo aqueles que não conhecem a modalidade. Em seu quadro pessoal de medalhas, apresenta, nada menos, que três conquistas olímpicas consecutivas. Bronze nas edições Londres 2012, Rio 2016 e a mais recentemente, Tóquio 2020 (edição realizada em 2021, devido às restrições ocasionadas pela Covid-19). Estes feitos, lhe renderam reconhecimento nacional, pois trata-se da primeira atleta brasileira a conquistar três medalhas olímpicas.

Sua proeza não para por aí, a gaúcha apresenta como referência adicional sete medalhas em campeonatos mundiais, sendo dois ouros, duas pratas e três bronzes. Nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro em 2007, com apenas 16 anos, obteve a medalha de prata na categoria de até 70 quilos, perdendo na final para a futura campeã do UFC, Ronda Rousey. Mayra representa a SOGIPA (Sociedade de Ginástica de Porto Alegre) desde o início de sua jornada competitiva

Seus resultados nos Jogos Pan-Americanos também não deixam dúvidas de seu enorme potencial, garra e determinação. Com quatro medalhas, sendo elas uma de ouro, duas de prata e uma de bronze. No ano de 2012, ganhou o Grand Slam de Judô de Paris na categoria até 78 quilos, superando a norte-americana Kayla Harrison na final. A vitória colocou a atleta no primeiro lugar do ranking mundial, na categoria. Mayra também foi ouro no Pan-americano de Judô em sua primeira disputa como líder no ranking mundial do mesmo ano.

Mas é importante lembrar, que todas estas conquistas exigiram esforço, dedicação e abdicação. Engana-se quem pensa que sua trajetória foi tranquila, pois a atleta já enfrentou sete cirurgias e viveu momentos de incerteza, até mesmo, em relação a sua participação nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Mayra Aguiar da Silva iniciou no judô aos seis anos de idade, por iniciativa de seus pais que, assim como muitos outros, queriam que sua filha praticasse algum esporte.

*Eduardo Emilio Lang Marés da Costa é especialista em Fisiologia do Exercício e Prescrição do Exercício. É professor da área de Linguagens Cultural e Corporal nos cursos de Licenciatura e Bacharelado em Educação Física do Centro Universitário Internacional Uninter.

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