SUS Brasil 360 chega à Alta Paulista com atenção primária e especializada mais próximas
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Humberto Tobé, Isabella Werneck Zanon

A região da Alta Paulista é formada por muitos municípios pequenos. Para cidades assim, o posto de saúde é o principal serviço de saúde disponível. O Ministério da Saúde desenhou o Brasil360 para que o tamanho da cidade não seja obstáculo para receber cuidado de qualidade. Do total de municípios brasileiros, 3.863 têm menos de 20 mil habitantes, e para eles o parâmetro é de 2 mil pessoas por equipe de Saúde da Família, o menor de todas as faixas. Isso significa equipe que conhece cada família e consegue fazer visitas em casa com regularidade. O repasse fixo ainda considera a vulnerabilidade social do município, por meio de um índice que separa as cidades em quatro grupos.

O idoso é um dos focos do modelo. O indicador de cuidado integral da pessoa idosa avalia se ela teve consulta nos últimos 12 meses, dois registros de peso e altura, duas visitas do agente comunitário e vacina contra a gripe. Para quem tem diabetes, o acompanhamento inclui consulta a cada 6 meses, exame de hemoglobina glicada e avaliação dos pés. Para quem tem hipertensão, consulta e medição da pressão. Na saúde bucal, houve reajuste importante. A equipe de Saúde Bucal 40 horas (modalidade 2) passou de R$ 3.278 para R$ 7.064 por mês, alta de 115,49%. Além do valor fixo, há um componente de qualidade de até R$ 3.267. O programa prevê 800 unidades odontológicas móveis no país, e o Centro de Especialidades Odontológicas passou de R$ 8.250 para R$ 23.100 mensais.

Na estrutura, o Novo PAC Saúde prevê a construção de 2.600 unidades básicas e a entrega de 10 mil conjuntos de equipamentos em 5.126 municípios. O conjunto de 18 itens inclui eletrocardiógrafo digital, ultrassom de bolso, dermatoscópio, espirômetro e câmara fria para vacinas. Em cidades pequenas, ter esses aparelhos no posto muda o que é possível fazer sem sair do município.

O Ministério também reforça a presença de profissionais. O Mais Médicos leva médicos a regiões onde há falta, com 26.756 ativos em 2025. As equipes multiprofissionais voltaram a receber financiamento e são 6.288 no país. Existe uma modalidade pensada para atender de 1 a 4 equipes da atenção primária, com 100 horas semanais, adequada para municípios menores.

Para os casos que exigem especialista, o Agora Tem Especialistas e as regras de cuidado compartilhado buscam organizar o encaminhamento e o retorno. A telessaúde aproxima a equipe local de profissionais de referência. O orçamento federal da atenção primária chegou a R$ 60,4 bilhões em 2025, alta de 71,1% sobre 2022, e o custeio mensal das equipes subiu 53% entre 2022 e 2025.

O que isso traz de bom para a população da Alta Paulista é a garantia de que morar em cidade pequena não significa ter menos saúde. A equipe é menor por design, o médico chega, o dentista tem mais estrutura, o idoso é acompanhado de perto e exames simples podem ser feitos no posto. O cuidado fica perto de casa, com tecnologia e com recurso federal compatível com a realidade local.

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Brasil 360. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026.

Humberto Tobé é Pós-Graduado em Gestão da Saúde Pública, trabalha na interlocução com prefeitos, vereadores, gestores municipais e representantes da área da saúde dos municípios paulistas.

Isabella Werneck Zanon é graduanda em Políticas Públicas e Mestranda em Relações Internacionais pela Universidade Federal do ABC (UFABC).

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