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Expansão eleva o nível de exigência técnica, provocando mudanças nos processos de controle de qualidade e análise

A indústria de óleo vegetal está em expansão no Brasil. A capacidade de processamento de oleaginosas superou a marca de 76,4 milhões de toneladas em 2025, o que significa alta de 5,7% em relação a 2024, quando o volume foi de 72,3 milhões de toneladas. Os dados fazem parte da Pesquisa de Capacidade Instalada das Indústrias de Óleos Vegetais, da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).

A expectativa é de continuidade do crescimento em 2026, já que o aumento do volume de processamento é reflexo da maior produção. Segundo projeção da Hedgepoint Global Markets, a produção e o consumo global de óleos vegetais tendem a crescer ao longo de todo este ano, com o Brasil caminhando para uma safra recorde de 178 milhões de toneladas.

A dinâmica do setor envolve oferta em alta, aumento do consumo e importações para grandes mercados consumidores. O Brasil é segundo exportador global de óleo de soja, atrás da Argentina, tendo a Índia como destino principal, segundo a Abiove. Com relação à produção, ela está concentrada na Argentina, no Brasil e nos Estados Unidos.

Crescimento eleva o nível de exigência técnica

O aumento do consumo de óleos vegetais eleva o nível de exigência técnica, provocando mudanças nos processos de controle de qualidade e análise dentro das fábricas, o que impacta de forma direta toda a cadeia econômica. Desde a produção até a rotina de empresas que entregam soluções para laboratórios.

“Quando o consumo cresce, a pressão por consistência e qualidade também aumenta, e isso exige processos mais controlados. Do ponto de vista técnico, vemos uma evolução clara na forma como as empresas tratam suas análises: há uma busca maior por padronização, repetibilidade e redução de variáveis no processo”, avalia o engenheiro químico e especislista técnico da Biovera, Robson Ferreira.

Isso ocorre porque o reflexo do aumento da produção e do consumo tende a estabelecer maior rigor na rastreabilidade e na origem da matéria-prima, novos parâmetros de qualidade, automatização e digitalização de processos, necessidade de adequação às normas e sustentabilidade, maior controle de contaminação cruzada.

Paralelamente, também tende a aumentar a demanda por equipamentos que garantam a padronização de amostras, como o agitador mecânico, analisador bioquímico, câmera para microscópio, entre outros.

“Tecnologias, como dispersores do tipo Ultra-Turrax e agitadores mecânicos, ganham destaque justamente por permitirem um controle mais refinado do processo, algo essencial quando se trabalha com diferentes matérias-primas e variações naturais do cultivo”, analisa Robson.

Além disso, equipamentos que atuam na emulsificação, na suspensão e na redução do tamanho de partículas ganham relevância, como o dispersor ultra turrax, que contribui para análises mais confiáveis.

Robson explica que “não é apenas uma questão de capacidade produtiva, mas de assegurar que cada lote entregue ao mercado mantenha o mesmo padrão, o que hoje é um diferencial competitivo importante no setor de óleos vegetais”.

O especialista observa que o crescimento da cadeia de óleos vegetais no Brasil vem acompanhado de uma maturidade em relação aos investimentos industriais. “O que temos observado não é apenas uma ampliação de capacidade, mas uma qualificação dessa capacidade.”

“Há um avanço consistente na demanda por equipamentos laboratoriais e de processo que tragam maior controle, eficiência e previsibilidade, especialmente em etapas críticas como homogeneização, dispersão e controle de qualidade”, pontua. “As indústrias estão cada vez mais orientadas por dados e desempenho, o que impulsiona a busca por soluções que integrem produtividade com confiabilidade analítica. Esse é um sinal claro de um setor que não apenas cresce, mas se profissionaliza e se torna mais exigente do ponto de vista tecnológico.”


Raio X do setor mostra crescimento

A Abiove aponta que, além da maior capacidade de processamento, há mais plantas ativas e menos plantas paradas, com expansão nas regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte.

A demanda por biocombustíveis, especialmente o biodiesel e suas matérias-primas, tem alavancado essa expansão, que engloba estimativa de investimentos futuros e expansão do uso marítimo e de combustíveis sustentáveis de aviação.

Os dados de 2025 revelam o aumento do número de empresas processadoras, passando de 67 para 75 grupos empresariais, alta de 11,9%; acompanhado do crescimento das unidades de processamento, de 132 para 144, 9,1% de incremento.

Já com relação à variação das plantas ativas, o aumento foi de 113 para 127, representando crescimento de 12,4%. A redução das plantas paradas passou de 19 para 17.

“Com isso, o Brasil passou a contar com uma capacidade ativa de 219.842 toneladas por dia e uma capacidade parada de 11.724 toneladas por dia”, analisa o Centro de Estudos do Agronegócio da FGV. Assim, a capacidade diária total de processamento alcançou 231.566 toneladas, alta de 5,7%.

O número de empresas de refino chegou a 38, aumento de 15,2%, com avanço de unidades industriais de 57 para 63, crescimento de 10,5%. Já o envase apresentou crescimento de 8,3%, atingindo 14.814 toneladas por dia.

Os investimentos projetados para os próximos 12 meses somam R$5,9 bilhões, o que deve gerar uma expansão estimada de 18.850 toneladas por dia na capacidade instalada. Considerando a média dos aportes, a ampliação de 15.049 toneladas por dia em plantas ativas em 2025 representa um investimento próximo de R$4,5 bilhões.

O óleo de soja e o biodiesel

O óleo de soja caminha para ganhar ainda mais participação na composição de matérias-primas utilizadas para a produção de biodiesel no Brasil, segundo aponta a consultoria Argus.

O óleo de soja responde por ao menos 75% das matérias-primas do biodiesel, segundo dados mais recentes de fevereiro da agência reguladora Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que também inclui volumes do derivado da oleaginosa na categoria “outros materiais graxos”, com parcela de 13%.

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