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Seminário da Esfera Brasil discute cenário político para 2026, conjuntura econômica e política externa após tarifaço de Trump

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Na imagem, os presidentes Gilberto Kassab, do PSD, Antonio Rueda, do União Brasil, Baleia Rossi, do MDB, Renata Abreu, do Podemos, Valdemar Costa Neto, do PL, e o mediador, Márcio Gomes, em painel do Seminário Brasil Hoje (foto: Divulgação/Esfera Brasil)
Na imagem, os presidentes Gilberto Kassab, do PSD, Antonio Rueda, do União Brasil, Baleia Rossi, do MDB, Renata Abreu, do Podemos, Valdemar Costa Neto, do PL, e o mediador, Márcio Gomes, em painel do Seminário Brasil Hoje (foto: Divulgação/Esfera Brasil)
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Fórum reuniu no Palácio Tangará, em São Paulo, governadores, autoridades, lideranças partidárias e representantes do setor privado para debater estratégias de desenvolvimento do país

Cenários para as eleições de 2026, desafios econômicos e política externa diante do tarifaço do presidente norte-americano, Donald Trump, foram tema de debates no Seminário Brasil Hoje, promovido nesta segunda-feira (25) pela Esfera Brasil no Palácio Tangará, em São Paulo (SP). O evento reuniu autoridades do Legislativo e Judiciário federais, além de governadores, lideranças partidárias e de agências reguladoras, empresários e outros representantes do setor privado.

Cotado como pré-candidato à Presidência, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), citou Juscelino Kubitschek ao afirmar que o Brasil precisa “fazer 40 anos em 4” ao enfatizar a urgência de ações estruturantes para o desenvolvimento do país. Para Tarcísio, a agenda fiscal deve ser enfrentada com medidas como desindexação e desvinculação de despesas hoje obrigatórias, além de desinvestimento em áreas de baixo retorno em termos de políticas públicas.

“O que queremos deixar de legado: prosperidade ou dívida? Se gastamos mais do que podemos, drenamos produtividade, matamos o investimento e condenamos gerações futuras”, disse. O governador paulista mencionou a Argentina ao defender redução no número de ministérios e cortes de gastos para impulsionar o crescimento.

Já o presidente do PSD, Gilberto Kassab, defendeu a construção de uma frente ampla de partidos dos mais diversos pontos do espectro ideológico, à semelhança do que foi feito no Chile ao fim da ditadura de Augusto Pinochet, encerrada em 1990. O arranjo, chamado de concertación, durou 20 anos. “Para que a gente possa realmente superar um momento difícil em relação às nossas instituições, precisamos ter nas eleições do ano que vem uma liderança forte que possa fazer essa concertação”, afirmou. A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), endossou a união de lideranças na construção de consensos políticos.

 

No debate sobre a conjuntura que antecede as eleições de 2026, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, destacou o peso eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro. “A transferência de voto dele é um negócio absurdo, no mínimo 30%. Quer dizer, já joga o camarada no segundo turno. É por isso que nós temos que andar juntos para poder ganhar a eleição”, afirmou.

Big techs e política externa

Em painel sobre a regulamentação das redes sociais, o deputado federal Guilherme Boulos (Psol-SP) disse que as chamadas big techs, como Meta e Alphabet, não podem “criar suas próprias leis”. “Eles não são Estados. São grandes corporações transnacionais que têm que seguir a legislação dos Estados onde atuam”, defendeu. Para o deputado federal Rubens Pereira Jr. (PT-MA), a “nova era de comunicação” pós-redes sociais “não vai destruir a democracia”. “Passa pela regulamentação? Passa. Isso não significa censura em nenhuma hipótese. Pelo contrário, ela vem é para facilitar ainda mais o acompanhamento daquilo que está sendo debatido”, disse.

No campo internacional, o ex-presidente Michel Temer classificou o tarifaço de Trump como um “equívoco muito grande” e defendeu pragmatismo. “Se estivesse na Presidência, insistiria em ligar diretamente para Trump para resolver a questão”, disse. O secretário-executivo do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Márcio Elias Rosa, negou interesse do governo em explorar politicamente a crise comercial. “A defesa da nação encanta a todos, mas não se transforma em votos”, analisou, “É preciso separar política externa do calendário das eleições”.

Para a CEO da Esfera Brasil, Camila Funaro Camargo Dantas, a crise tarifária é um teste da maturidade política econômica do país. “Para falar com autoridade no exterior, é indispensável transmitir solidez no plano interno. E esse é o fio condutor do nosso evento hoje: equilíbrio fiscal, estabilidade regulatória e ambiente de negócios previsível. O Brasil não é um enigma, mas um teste de execução. Temos escala, temos talentos e temos recursos. O que falta é disciplina para transformar diagnósticos em entregas”, afirmou.

Já a economista Zeina Latif, sócia-diretora da Gibraltar Consulting, criticou a retórica brasileira, que, em sua visão, ampliou ruídos diplomáticos, e cobrou ousadia estratégica. “Não podemos ficar presos a respostas imediatistas. O Brasil precisa de uma inserção global mais ambiciosa e de longo prazo”, disse.

Política fiscal e taxa de juros

Na economia doméstica, o ex-presidente do Banco Central e hoje vice-chairman de políticas públicas do Nubank, Roberto Campos Neto, avaliou que há espaço para cortes de juros no curto prazo, mas alertou para limites estruturais. “Com as condições fiscais atuais, o juro pode cair para 12%, 13%. Ir para 11% já seria otimista”, disse. A Selic hoje está em 15% ao ano.

Para o secretário de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, Marcos Pinto, o Brasil decidiu ter um Estado socialmente grande – e para isso é preciso ter uma carga tributária compatível – “senão a gente não vai ter nenhuma responsabilidade fiscal e não vai estabilizar a dívida pública”. “Não adianta a gente se iludir, achar que a gente vai ter uma carga tributária igual à do México ou da Colômbia e ao mesmo tempo tem um Estado que dá os benefícios sociais e gasta como o Estado brasileiro. A gente quer se comparar com o México, com a Colômbia? Ou a gente quer se comparar com os países europeus ou mesmo com os Estados Unidos? É uma decisão política que a sociedade tem que tomar”, analisou.

Para o economista e ex-presidente do Insper Marcos Lisboa a questão é que o Brasil é um Estado “cheio de vazamentos”. “Inventamos esse país curioso, ao contrário do resto do mundo, em que o recurso público é capturado por uma série de grupos antes de chegar na população”, afirmou. “E com frequência não chega”.

O chairman do BTG Pactual, André Esteves, encerrou o evento projetando cortes de juros pelo Federal Reserve (o BC dos EUA) a partir de setembro. “A economia dos EUA está no pleno emprego, mas os números começam a se mostrar mais suaves. Como a taxa está muito acima do nível neutro, faz todo sentido iniciar uma queda”, afirmou. Segundo Esteves, os mercados precificam de três a quatro cortes de 25 pontos-base até o fim do ano, o que reduziria cerca de um ponto percentual. “Historicamente, juros em queda nos EUA são extremamente positivos para mercados emergentes, onde o Brasil se inclui”, observou.

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