Seletividade alimentar no autismo pode afetar até 90% das crianças e exige atenção nutricional individualizada para garantir saúde e inclusão escolar

Seletividade alimentar no autismo pode afetar até 90% das crianças e exige atenção nutricional individualizada para garantir saúde e inclusão escolar

Redação RBN
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Assessoria: José Patrício NetoAssessoria: José Patrício Neto

Respeitar questões sensoriais, garantir vitaminas, proteínas e hidratação adequada é essencial para saúde e inclusão, explica a nutricionista Luciana Matoso, especialista em nutrição clínica, comportamento alimentar e atendimento a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Recusar alimentos pela textura, cor, cheiro ou temperatura pode parecer apenas uma fase da infância, mas, no caso de crianças com Transtorno do Espectro Autista, a seletividade alimentar costuma ter raízes mais profundas e pode trazer consequências reais para a saúde. Estudos internacionais indicam que entre 70% e 90% das crianças dentro do espectro apresentam algum grau de dificuldade alimentar, o que aumenta o risco de carências nutricionais, baixo ganho de peso, alterações gastrointestinais e prejuízos no convívio escolar e social.

De acordo com a nutricionista clínica e especialista em seletividade alimentar Luciana Matoso, o comportamento alimentar no autismo está diretamente ligado ao processamento sensorial. Isso significa que o cérebro interpreta sabores, cheiros e texturas de forma diferente, tornando experiências simples, como experimentar um novo alimento, um grande desafio.

A profissional explica que o problema vai além do “não gostar” de determinados pratos. Muitas crianças apresentam hipersensibilidade aos cinco sentidos. A visão pode gerar rejeição pela cor ou aparência do alimento. O olfato pode causar incômodo com cheiros mais intensos. O paladar tende a aceitar apenas sabores muito específicos. O tato interfere na textura, como alimentos pastosos, crocantes ou misturados. Já a audição também pode impactar a experiência durante as refeições, especialmente em ambientes barulhentos.

Esse conjunto de estímulos pode transformar a hora de comer em um momento de estresse, levando a dietas extremamente restritas, repetitivas e pobres em nutrientes essenciais.

Segundo Luciana Matoso, nutricionista clínica com formação em comportamento alimentar e atuação no acompanhamento de crianças com TEA, a intervenção precoce é decisiva para evitar prejuízos no crescimento e no aprendizado. A falta de vitaminas e minerais como ferro, zinco, vitamina D, complexo B e proteínas pode comprometer imunidade, concentração, energia, sono e desenvolvimento cognitivo.

A especialista ressalta que muitas famílias focam apenas na quantidade de comida ingerida, mas a qualidade nutricional é o que realmente determina os impactos na saúde. Crianças que consomem poucos grupos alimentares podem parecer bem alimentadas, mas ainda assim apresentar deficiências importantes.

Outro ponto frequentemente negligenciado é a hidratação. A recusa por água ou líquidos, comum em crianças com sensibilidade sensorial, pode provocar constipação, irritabilidade, fadiga e piora do funcionamento intestinal, agravando ainda mais a seletividade.

Para a especialista, o cuidado deve ser individualizado e respeitar o tempo da criança. Estratégias como exposição gradual aos alimentos, ajustes de textura, apresentação visual mais atrativa, organização do ambiente e integração com terapeutas ocupacionais e psicólogos ajudam a ampliar o repertório alimentar sem pressão ou conflitos.

Luciana Matoso reforça que a nutrição tem papel direto na inclusão escolar e social. Quando a criança consegue diversificar a alimentação, há melhora na disposição, na concentração e na participação em atividades coletivas, favorecendo autonomia e qualidade de vida.

“O acompanhamento nutricional não é apenas sobre comer melhor. É sobre desenvolvimento, saúde global e inclusão. Cada avanço alimentar representa um ganho funcional importante para a criança e para toda a família”, orienta a nutricionista clínica.

Com orientação especializada, é possível transformar a rotina alimentar em uma experiência mais leve, nutritiva e adaptada às necessidades individuais de cada criança.

Para mais informações, conteúdos e dicas, acesse o perfil no Instagram: @luciannamatoso

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