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‘Saber ouvir’ gera conexão com o próximo e ajuda no desempenho de equipes no trabalho

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Para o psicólogo Wanderley Cintra Jr., ter a consciência de que nem sempre somos bons ouvintes é a grande dificuldade

Com o excesso de informações no dia a dia e em diferentes plataformas, está cada vez mais difícil guiar a atenção para um único assunto, seja assistindo ao noticiário, um filme, lendo um livro ou mesmo conversando.

De forma simultânea, recebemos informações externas e, desta maneira, manter uma conversa sadia, interessada, sem interrupções e recíproca, tem se tornado um hábito incomum, principalmente com o distanciamento social e muitas interações acontecendo somente de maneira virtual – tanto no ambiente de trabalho, como entre amigos.

De acordo com o psicólogo Wanderley Cintra Jr., ter a consciência de que nem sempre somos bons ouvintes é a grande dificuldade (e o primeiro passo para mudar isso). “Uma orientação que costumo dar às pessoas é que perguntem para as outras: ‘o que você entendeu?’ e não somente ‘você entendeu?’. O objetivo aqui é que ela não reproduza um ‘sim’ sem, de fato, ter entendido”, explica.

Para isso, o indicado é treinar a escuta ativa. “Por exemplo, fazer anotações, desenhar, se manter atento ao assunto e tomar cuidado com as armadilhas do cérebro, pois algo que foi falado pode acionar um gatilho em que você se lembre de outra coisa e perca o foco”. E completa: “por isso, os principais hábitos que uma pessoa deve adquirir durante uma conversa são a escrita, seja em forma de anotações ou desenhos, mesmo os mentais, e fazer perguntas”, afirma Wanderley.

 

Hábitos e benefícios

Ao treinar esses hábitos, é possível notar benefícios no ambiente pessoal e profissional. “Quando você ouve o outro, vocês criam uma conexão mais forte. Isso também faz com que você conquiste o respeito do próximo. Ao ouvir com qualidade, você ganha o respeito para ser ouvido. Outra vantagem é uma maior sensação de alegria e vivacidade. Ao ouvir mais, você aprende mais, passa a ser um aprendiz constantemente”, explica.

Já no campo profissional, um funcionário atento aos detalhes e que presta mais atenção, naturalmente se destaca. Segundo Wanderley, quem não é um bom ouvinte dentro de uma organização, não se conecta totalmente com as pessoas, o que dificulta o fortalecimento das relações e, consequentemente, o crescimento profissional desse colaborador de uma forma orgânica.

 

Frequência é importante

Para obter mais qualidade de escuta, o psicólogo explica que é necessário treinar constantemente. “Podemos usar o exemplo do copo d’água. Quantos litros de água uma pessoa precisa beber diariamente? O correto é que ela beba essa quantidade ao longo do dia e não tudo de uma vez. Ou seja: a frequência é mais importante que a intensidade. Então a escuta, assim como ter uma alimentação saudável e beber água, deve ser um alerta constante, principalmente quando estamos expostos a tantos fatores externos que tiram o nosso foco”, diz.

Vale ressaltar, a qualidade da escuta também está relacionada com o ambiente. Um líder, por exemplo, seja um gestor de equipe ou dentro de casa, sempre será o exemplo a ser seguido. “O líder tem muita influência em como os outros o escutam. Se ele sabe ouvir, a tendência é que os outros sigam o seu exemplo, se espelhem nele. Por isso, é importante que esse líder seja o primeiro a se olhar e fazer uma autocrítica enquanto ouvinte. A escuta é muito mais treinada pelo exemplo. Essa é uma característica que as pessoas aprendem mais nas interações do que de maneira técnica”, finaliza Cintra.

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